Ex-detidos na base norte-americana de Bagram, no Afeganistão, afirmam existir uma segunda estrutura para além da prisão principal. E acusam os militares dos EUA de abusos
Testemunhos recolhidos pela BBC junto de nove ex-prisioneiros do centro de detenção de Bagram, no Afeganistão, revelam a existência de uma segunda estrutura para albergar detidos distinta da prisão principal.
Os prisioneiros, que se referem ao local como Tor Jail (prisão negra), afirmam ter estado presos num local que não a prisão principal, onde sofreram abusos às mãos de militares norte-americanos. À BBC, afirmam ter ficado em isolamento em celas frias, com uma luz acesa dia e noite que os impedia de dormir.
Os EUA insistem que a prisão principal, agora chamada Centro de Detenção de Parwan, é a única estrutura na base para detenção de pessoas. Mas, contactada pela BBC, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) referiu que as autoridades norte-americanas têm comunicado nomes de pessoas que estão detidas numa estrutura separada da prisão principal.
“O CICV está a ser notificado por parte das autoridades dos EUA acerca de pessoas detidas, nos 14 dias após a sua prisão”, disse um porta-voz da organização. “Esta prática tem sido uma rotina desde Agosto de 2009 e é um procedimento que o CICV acolhe positivamente.”
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 11 de maio de 2010. Pode ser consultado aqui
A cada cinco anos, a sede da ONU acolhe uma conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Este ano, o Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, quer marcar presença
O Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, pediu um visto de entrada nos Estados Unidos para participar na conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação (TNP), que se realizará em Nova Iorque, entre 3 e 28 de Maio.
“Temos certas responsabilidades enquanto país que acolhe a sede da ONU”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley. “Se um responsável estrangeiro quer ir à ONU por um motivo oficial, normalmente concedemos-lhe um visto”, explicou. Nos últimos anos, Ahmadinejad tem recebido visto para participar na sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas.
O Irão apresentou os pedidos de vistos ontem de manhã na embaixada norte-americana em Berna. Recorde-se que, dado que os dois países não têm relações diplomáticas oficiais, os contactos bilaterais fazem-se através da Suíça.
EUA não colocam obstáculos
Philip Crowley afirmou ainda que os EUA não questionarão se os iranianos decidirem que é Mahmud Ahmadinejad a chefiar a delegação persa na conferência sobre o TNP. “É um assunto deles. Não colocaremos obstáculos.”
Mais de 30 ministros dos Negócios Estrangeiros participarão na sessão de abertura da conferência, na próxima segunda-feira, um evento que se realiza de cinco em cinco anos. O Irão, que alguns países acusam de querer obter armamento nuclear ao abrigo do seu programa nuclear, justificado para fins energéticos, é signatário do Tratado de Não Proliferação. Ahmadinejad deverá ser um dos poucos chefes de Estado a participar na conferência.
A organização de Osama Bin Laden aperfeiçoou a táctica e revela cada vez maior sentido de oportunidade. A edição de Fevereiro do “Courrier Internacional”, desde hoje à venda, analisa a nova estratégia da Al-Qaeda bem como os fenómenos que a alimentam
Nos últimos anos, por várias vezes, altos responsáveis norte-americanos anunciaram a derrota iminente da Al-Qaeda. A tentativa de atentado contra um avião da Northwest Airlines, no dia de Natal, e a morte de sete operacionais da CIA, no Afeganistão, num ataque suicida perpetrado por um informador de confiança da secreta americana, poucos dias depois, contrariam este cenário e projectam uma Al-Qaeda revigorada.
A edição de Fevereiro do “Courrier Internacional” apresenta-lhe um dossiê sobre a organização de Osama Bin Laden, em que se destaca uma análise de Bruce Hoffman, professor de Estudos de Segurança na Universidade de Georgetown aos cinco pilares da nova estratégia da Al-Qaeda. “Ao contrário dos planos do 11 de Setembro, que visavam levar os EUA ao tapete, a liderança da Al-Qaeda evoluiu para uma abordagem do tipo ‘morte por mil golpes'”, defende Hoffman.
Neste dossiê, é dada também uma atenção especial ao Iémen, que a “Foreign Policy” designa de Alqaidistão. Em 2010, o país assinala o 20.º aniversário da sua unificação nacional, sob a ameaça do desmembramento. Uma rebelião xiita expande-se a Norte e a ameaça separatista renova-se no Sul. Paralelamente, os lençóis freáticos iemanitas foram praticamente consumidos por anos de más práticas agrícolas e as reservas de petróleo estão a esgotar-se. Escreve a revista: “Enquanto o Presidente dos EUA se preocupa em tentar acabar com os refúgios terroristas em Jalalabad e no Waziristão, outros vão surgindo aqui, em Marib, Shabwa e Al-Jawf”.
O “Courrier Internacional” analisa ainda como a aliança entre Washington e Islamabad colocou o Paquistão na mira dos jihadistas – uma situação da qual a Al-Qaeda procura tirar dividendos. São ainda publicados artigos do jornal árabe “Al-Hayat”, sedeado em Londres, que explicam como a Al-Qaeda se alimenta da instabilidade crónica de alguns países muçulmanos e de como as ofensivas militares contra a organização terrorista contribuem para exacerbar os sentimentos anti-ocidentais das populações civis.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 29 de janeiro de 2010. Pode ser consultado aqui
Reunidos em Londres, representantes de cerca de 70 governos e organizações internacionais aprovaram uma nova estratégia para o Afeganistão. Um fundo foi criado para pagar a talibãs que aceitem depor as armas. Reportagem na Conferência de Londres sobre o Afeganistão
O conflito no Afeganistão entrou numa nova fase. “Esta Conferência marca o início do processo de transição, distrito a distrito, província a província” e do “processo de transferência de responsabilidades das forças de segurança internacionais para as forças afegãs”, afirmou hoje o primeiro-ministro Gordon Brown, durante o encontro que levou à capital britânica, Londres, cerca de 70 ministros dos Negócios Estrangeiros e representantes de 70 países e organizações internacionais.
A “afeganização” da nova estratégia internacional passa pela consolidação das instituições afegãs — prioritariamente as forças de segurança — para que assumam “a responsabilidade de combater o terrorismo e o extremismo e para que as nossas forças possam começar a regressar a casa”, disse Brown. A presença das tropas britânicas no Afeganistão é um assunto sensível no Reino Unido, sobretudo após a morte em combate de mais de 100 militares britânicos, durante 2009.
A nova abordagem deste conflito combina, fundamentalmente, três eixos: o reforço dos contingentes militares internacionais, incluindo o português; o reforço da componente civil dos esforços de estabilização; e o início de um processo de reintegração social de combatentes talibãs. “Temos de os trazer de volta à sociedade e dar-lhes uma perspectiva de futuro, emprego, educação…”, afirmou Rangin Spanta, ministro dos Negócios Estrangeiros do Afeganistão durante o primeiro mandato do Presidente Hamid Karzai.
Depor as armas em troca de dinheiro
Um fundo para este efeito foi especialmente criado, tendo a comunidade internacional disponibilizado, para o primeiro ano de funcionamento, 140 milhões de dólares (quase 100 milhões de euros). Recorrendo a este fundo, o Governo procurará que afegãos que presentemente combatem ao lado dos talibãs deponham as armas em troca de dinheiro, de um emprego ou de um pedaço de terra para cultivar. Este fundo irá “providenciar uma alternativa económica àqueles que não tem nenhuma.
Quanto aos insurgentes que recusarem aceitar estas condições de reintegração, não teremos outra escolha que não seja combatê-los militarmente”, afirmou Brown. Ao abrigo deste programa de reintegração, os insurgentes terão de renunciar à violência, cortas os laços com a Al-Qaeda e demais grupos terroristas, respeitar a Constituição afegã e encarar objectivos políticos pacificamente.
Paralelamente, serão feitos investimentos nas forças de segurança afegãs, designadamente ao nível da formação. As metas aprovadas em Londres prevêem que em Outubro de 2010, o Exército afegão (ANA) seja constituído por 134 mil homens e, um ano depois, por 171.600. Igualmente, está previsto uma reforma da Polícia Nacional Afegão (ANP) que deverá concluir num aumento dos efectivos de 109 mil, em Outubro de 2010, para 134 mil em Outubro de 2011.
Sancionar funcionários corruptos
A Conferência de Londres acordou ainda num conjunto de medidas destinadas a combater a corrupção — um fenómeno ao mais alto nível que, de resto, Hamid Karzai já reconheceu. O Presidente afegão nomeou um gabinete independente para investigar e sancionar funcionários corruptos. E afirmou a intenção de aprovar um decreto proibindo que familiares de ministros, deputados, governadores e outras entidades possam trabalhar em sectores como a alfândega ou as finanças.
O Afeganistão tem eleições legislativas marcadas para 17 de Setembro. Antes disso, uma nova conferência internacional deverá reunir em Cabul para lançar projectos de concretização das directrizes aprovadas em Londres. Como preparação a esse encontro na capital afegã, está já agendada uma “jirga” (grande assembleia de chefes tradicionais) para concertar a posição afegã. Com ou sem a participação dos líderes talibãs?
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 28 de janeiro de 2010. Pode ser consultado aqui
Segundo o “El País”, o Governo de José Luis Rodríguez Zapatero vai anunciar o aumento do contingente espanhol no Afeganistão em mais de 50%
A Espanha vai aumentar o seu contingente militar no Afeganistão em mais 500 soldados, escreve o “El País”. A concretizar-se, significará um aumento em mais de 50% da actual missão espanhola que, presentemente, tem no terreno 1000 homens em regime permanente e 70 com carácter temporário.
Espanha responde, assim, positivamente ao pedido efectuado pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que, após anunciar o envio de 30 mil tropas adicionais, solicitou aos seus aliados o reforço da missão da NATO com sete mil tropas suplementares. O Reino Unido já anunciou um contributo de 1200 soldados, a Itália de 1140, a Turquia enviará mais 875 militares e a Geórgia 750.
A 28 de Janeiro, reunir-se-á, em Londres, uma conferência internacional sobre o Afeganistão. Nessa altura, se tudo correr como o previsto, Portugal já terá enviado para o teatro de operações afegão mais cerca de 150 militares, a acrescentar aos cerca de 100 que presentemente servem no país.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 17 de dezembro de 2009. Pode ser consultado aqui
Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.