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As causas e as contradições políticas de Diego Armando Maradona

Além de um futebolista talentoso, Diego Armando Maradona foi uma personalidade política. Foi íntimo de líderes socialistas revolucionários, tomou partido por causas e tornou-se porta-voz dos mais desfavorecidos. “A trajetória de Maradona representa a encarnação de um mito popular da cultura argentina, ‘a saga do pibe de ouro’”, diz ao Expresso um antropólogo brasileiro, que ajuda a desvendar o carisma do futebolista

É consensual que Diego Maradona foi uma lenda do futebol mundial, mas o impacto da sua personalidade não se esgotou nos relvados. Fora dos estádios, o argentino abraçou causas políticas, tornou-se voz dos mais desfavorecidos e assumiu-se como ponta de lança da esquerda revolucionária latinoamericana.

Tornou-se próximo de líderes como o cubano Fidel Castro, os venezuelanos Hugo Chávez e Nicolás Maduro e o boliviano Evo Morales, e adotou o seu discurso anti-imperialista. “Todas essas figuras expressam de modo coerente a atitude de ‘rebeldia contra os poderosos’ que sempre marcou a trajetória de Maradona”, comenta ao Expresso o antropólogo brasileiro Édison Gastaldo, que tem vários livros publicados na área do futebol.

“As tatuagens que fez representando Che Guevara [no braço direito] e Fidel Castro [‘o mais sábio de todos’, segundo Maradona, na sua perna esquerda, também a mais sábia] ajudam a compor esta representação mediática, vinculando-o ao atrevimento de, representando um pequeno país, desafiar as grandes potências em nome de suas crenças”, prossegue o especialista.

Com Fidel, Maradona tinha uma relação especial. Considerava-o “um segundo pai”. Ambos morreriam num 25 de novembro, separados por quatro anos. Para trás ficaram quase 30 anos de amizade improvável entre um político culto e um futebolista exagerado.

Maradona mostra a Fidel Castro a tatuagem do cubano na sua perna, durante um encontro a 29 de outubro de 2001, no Palácio da Revolução, em Havana REUTERS

Diego e Fidel conheceram-se em 1987, um ano após o futebolista liderar a Argentina na conquista do Mundial do México. A amizade criou raízes e, em 2000, três anos depois de Maradona ter arrumado as chuteiras, Fidel acolheu-o em Cuba para que se reabilitasse da dependência do álcool e da cocaína.

O argentino viveu quatro anos em Havana e, quando regressou a Buenos Aires, em 2005, experimentou a televisão, apresentando o programa semanal “La Noche del 10”, o seu número nos relvados. Fidel Castro foi um dos seus convidados.

A convivência com o ditador cubano determinou a aproximação de Maradona a outros líderes revolucionários e reforçou o seu sentimento anti-americano, que o argentino expressou de múltiplas formas. A 19 de agosto de 2007, foi convidado de Hugo Chávez no programa televisivo semanal “Aló Presidente”. “Acredito em Chávez, sou chavista. Tudo o que Fidel faz, tudo o que Chávez faz por mim é o melhor [que alguém pode fazer]”, disse. “Odeio tudo o que vem dos Estados Unidos. Odeio com todas as minhas forças.”

A 4 de novembro de 2005, Maradona surge na companhia de Hugo Chávez, com uma t-shirt onde chama “criminoso de guerra” a George W. Bush. Participavam ambos num protesto no estádio Mar del Plata, contra a realização da Cimeira das Américas, na mesma cidade argentina AFP / GETTY IMAGES

A profunda admiração do argentino por dirigentes socialistas e revolucionários tem raízes nas suas origens humildes. Diego Armando Maradona nasceu a 30 de outubro de 1960 e cresceu num barraco sem eletricidade nem água canalizada, no bairro Villa Fiorito, nos subúrbios de Buenos Aires. Era o quinto de oito lhos (e o primeiro rapaz) de Don Diego, operário, e Doña Tota, empregada doméstica. A dez dias de completar 16 anos, estreou-se na Primera División, pela equipa dos Argentinos Juniors, deixando definitivamente a escola para trás.

“Como jogador profissional desde a infância, Maradona teve poucas oportunidades de escolarização formal ou de formação política tradicional. A sua ‘escola’ foi a ‘escola da vida’”, a rma Édison Gastaldo. “Como diz o antropólogo argentino Eduardo Archetti [no livro ‘Masculinidades. Fútbol, tango y polo en la Argentina’ (2003)], a trajetória de Maradona representa a encarnação de um mito popular da cultura argentina, ‘a saga do pibe de ouro’”, uma das suas muitas alcunhas.

O truque da gambeta

“Pibe é gíria argentina para ‘garoto, ‘menino’, mas não um qualquer. O pibe é um menino pobre, que mora na periferia, anda descalço nas ruas e joga futebol num potrero [campo de terra], com uma bola feita de trapos cobertos por um pé de meia. No chão enlameado do potrero, o pibe não acredita em jogo coletivo. No jogo dos meninos, quem tem a posse da pelota é imediatamente acossado por todos os lados. Para livrar-se dos adversários, o pibe usa a gambeta, o drible, o jogo de corpo, a picardia”, continua o professor do Centro de Estudos de Pessoal e Forte Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

“Esta associação que Maradona construiu desde a infância com o mito do pibe gambetero (e que sempre reforçou em atitudes e declarações públicas) explica, em boa medida, as muitas inconsistências e contradições no seu posicionamento político”, conclui Gastaldo. “Um pibe age por impulso, diz o que lhe vem à cabeça, não se importa com as consequências. Coerência, se a há, é que o pibe sempre disse o que estava a pensar.”

“La casa de D10S”, onde Diego Maradona cresceu, em Villa Fiorito, um bairro de lata nos arredores de Buenos Aires TOMAS CUESTA / GETTY IMAGES

Uma das contradições políticas do astro argentino prende-se com a forma como sempre abraçou a causa palestiniana e, ao mesmo tempo, ignorou a pretensão do povo sarauí à autodeterminação. “Apoio a Palestina sem qualquer receio”, disse Maradona, que chegou a descrever-se como “fã número um do povo palestiniano”.

Em 2018, esse apoio ficou registado em vídeo, durante um breve encontro com o Presidente da Autoridade Palestiniana, em Moscovo: “Sou palestiniano de coração”, disse Maradona, ao abraçar Mahmud Abbas.

Solidário com a Palestina ocupada, Maradona trocou de campo quando, em 2015, foi convidado por Marrocos para participar num Jogo pela Paz, realizado em El Aiune, capital do Sara Ocupado. Foi durante uma visita do rei marroquino Mohammed VI ao território, antiga colónia espanhola anexada em 1975.

“O comportamento político de Maradona era errático e volúvel, a sua coerência era mais afetiva do que programática”, justifica o académico brasileiro. “Ao longo de décadas de vida pública, passou de apoiante do [ex-Presidente argentino] Carlos Menem e do seu projeto neoliberal a amigo íntimo de Fidel Castro e Hugo Chávez.”

Desobedecer para ajudar quem precisa

Maradona sempre demonstrou empatia pelos necessitados e disponibilidade para colaborar com iniciativas solidárias. A 17 de março de 2008, desafiou uma ordem da FIFA e disputou um amigável, em La Paz, contra uma equipa capitaneada pelo Presidente da Bolívia, Evo Morales. O jogo visava angariar alimentos para vítimas de inundações provocadas pelo fenómeno climático La Niña.

A FIFA proibia jogos mais de 2750 metros acima do nível do mar e a capital boliviana fica a mais de 3500. “Demonstramos à FIFA que se pode correr em La Paz”, sentenciou Maradona.

Noutra partida reveladora do seu espírito irrequieto, citada no livro do antropólogo argentino Pablo Alabarces “Fútbol y patria. El fútbol y las narrativas de la nación en la Argentina” (2002), realizada a 15 de abril de 1992, Maradona disponibilizou-se a participar num jogo de homenagem a um futebolista falecido, que visava arrecadar fundos para a viúva.

O craque argentino estava suspenso dos relvados por 15 meses, apanhado nas malhas do doping. Por essa razão a FIFA ameaçava punir outros jogadores que participassem na iniciativa. O jogo foi avante com uma boa dose de criatividade e rebeldia: as equipas compuseram-se de 12 jogadores, a partida durou 82 minutos e os lançamentos laterais eram feitos com o pé. Não havia, pois, condições para a FIFA considerar a iniciativa um jogo oficial. “Gambetearam a proibição da FIFA”, comenta Édison Gastaldo.

Recém-chegado a Nápoles — onde jogou entre 1984 e 1992 —, Maradona ignorou as indicações do seu novo clube e acedeu a jogar num lamaçal para angariar fundos destinados a pagar a cirurgia de uma criança.

No pavilhão do Sportivo Pereyra de Barracas, em Buenos Aires, onde crianças jogam futebol de salão, Lionel Messi (à esquerda) e Diego Maradona recriam uma versão futebolística da obra de Miguel Ângelo “A Criação de Adão” JUAN MABROMATA / AFP / GETTY IMAGES

“No imaginário popular da Argentina, em Nápoles e em muitos outros lugares, el pibe de oro mostra-se como Robin dos Bosques ou Peter Pan, heróis jovens e rebeldes, que usam inteligência e malícia para enfrentar a força bruta dos poderosos”, explica o antropólogo brasileiro.

“Acredito que houve um ‘encaixe’ da figura pública de Maradona com um poderoso complexo cultural pré-existente. Isso fez com que muito do que ele disse ou fez fosse ‘lido’ ou ‘interpretado’ à luz desse complexo. Por isso, muitos torcedores na Argentina invariavelmente ‘compreendiam’ e ‘desculpavam’ as inúmeras recaídas de Maradona ou as suas punições por indisciplina. Afinal, os pibes são assim: intensos e inconsequentes. Mas, ao mesmo tempo, leais aos seus amigos e familiares. Pode-se acusar um pibe de muitas coisas, mas não de ingratidão.”

Porta-voz dos desfavorecidos

Quando, já retirado dos relvados, Maradona lançou a sua autobiogra a, intitulou-a “Yo soy el Diego de la gente” (2000). Autoproclamado campeão dos pobres, foi genuinamente uma voz dos desfavorecidos. Pode-se quase traçar um paralelo com Eva Perón, a primeira-dama (1946-52) de origens humildes que se proclamava defensora dos descamisados. Separadas por mais de meio século, as suas mortes geraram filas de fiéis à porta da Casa Rosada, residência oficial do Presidente argentino.

“Um ponto de relativa coerência na sua imagem pública consiste em apresentar-se como porta-voz dos desvalidos, daqueles que na Argentina são pejorativamente chamados ‘cabecitas negras’. Muitas vezes, Maradona fez uso dos fartos microfones e câmaras que o procuravam para falar em nome ‘de la gente’, do povo comum. Esse ‘tomar partido’ em público pelos pobres é uma opção bastante coerente com o mito que Maradona construiu para si.”

A 1 de setembro de 2014, Maradona foi recebido no Vaticano pelo conterrâneo Jorge Mario Bergoglio, ex-arcebispo de Buenos Aires. No mesmo dia, participou num “Jogo Interreligioso pela Paz”, organizado pelo Papa Francisco PIER MARCO TACCA / GETTY IMAGES

Ao longo da sua carreira, houve um jogo em particular que ajudou a consolidar o mito do “pibe de ouro”: o famoso Argentina-Inglaterra, nos quartos de final do Mundial do México, disputado a 22 de junho de 1986. Em quatro minutos, Maradona marcou dois dos golos mais famosos na história do futebol — a “Mão de Deus” e o “Golo do Século” — num desafio encarado como vingança dos argentinos sobre os ingleses.

Quatro anos antes, os dois países confrontaram-se durante dois meses numa guerra sangrenta pela posse do arquipélago das Malvinas (Falklands para os ingleses). Morreram mais de 600 argentinos e 250 britânicos e, no fim, as ilhas permaneceram sob a Coroa inglesa.

A 17 de agosto de 2015, durante uma visita a Tunes, para lmar um anúncio publicitário, Maradona pediu desculpa ao árbitro do jogo, o tunisino Ali bin Nasser, pela irregularidade do golo marcado com a mão. Porém, nunca pediu desculpa aos ingleses. Ainda em abril deste ano reivindicou a soberania argentina sobre as Malvinas, homenageando os veteranos numa publicação no Instagram: “A honra e a glória é tudo para vocês, rapazes. Ainda temos orgulho. As Malvinas são argentinas”.

O aperto de mão antes do início do jogo, entre Maradona e Peter Shilton, o guarda-redes inglês a quem o argentino iria marcar dois golos, no Mundial de 1986 DAVID CANNON / GETTY IMAGES

“Todos sabiam que aquele jogo era a chance de ‘desforra’ dos argentinos pela humilhante derrota militar nas Malvinas. Uma ‘desforra’ simbólica, mas uma humilhação verdadeira”, diz Édison Gastaldo.

Segundo o antropólogo Pablo Alabarces, Maradona declarou que, na ocasião, estavam todos instruídos para dizer que era apenas um jogo de futebol e que a partida nada tinha que ver com a guerra. No balneário, o sentimento que existia era de procura da vingança dos soldados argentinos (outros pibes como eles…) abatidos numa guerra estúpida.

No documentário “Maradona by Kusturica” (2008), o futebolista não se furtou a descrever o seu golo batoteiro: “Foi como roubar a carteira a um inglês”. Já no segundo, em que atravessou endiabrado mais de metade do campo até meter a bola na baliza, parecia estar a fintar meio exército britânico.

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 11 de dezembro de 2020. Pode ser consultado aqui

(FOTO PRINCIPAL Socialista, terceiro-mundista e sobretudo fidelista, Maradona foi, além de um futebolista talentoso, uma personalidade política MARCELO ENDELLI / GETTY IMAGES)

Internet: um luxo ou um direito humano?

A esta pergunta respondeu a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, durante a sua intervenção na Web Summit. Michelle Bachelet abordou o impacto da tecnologia nos direitos humanos e enunciou princípios para lidar com o binómio liberdade de expressão ou discurso de ódio, na Internet

Mais de 70 anos depois, será que a Declaração Universal dos Direitos Humanos — redigida a seguir à II Guerra Mundial — deveria atualizar-se e adaptar-se à era digital? “Hoje, a Internet ainda é um luxo, mas não tenho dúvida de que é um direito humano”, disse Michelle Bachelet, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, numa intervenção na Web Summit. “Por essa razão, está incluído na Agenda do Desenvolvimento Sustentável para 2030 que todas as pessoas devem ter direito ao acesso à Internet.”

O “acesso universal e a preços acessíveis à Internet” consta do nono dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, aprovados pela Assembleia Geral da ONU, que visam resolver necessidades tanto nos países desenvolvidos como nos territórios em desenvolvimento, sem deixar ninguém para trás.

“Vimos o que aconteceu durante o encerramento das escolas”, durante os confinamentos decretados no âmbito do combate à covid-19. “Todas as crianças que não tinham acesso à Internet não conseguiram prosseguir com a sua educação”, recorda a ex-Presidente do Chile (2006-10 e 2014-18).

“Não é fácil qualificar o discurso”

Bachelet afirmou que as questões da Internet são hoje objeto de estudo e trabalho no seio da organização que dirige. “Não é preciso atualizar os tratados dos direitos humanos. Eles são feitos para nos anteciparmos aos desafios. Hoje, o desafio é: como aplicar as leis existentes a este novo espaço digital e como compensar a proteção dos direitos humanos que são violados de novas maneiras, através da utilização de novas tecnologias.”

Uma das principais preocupações prende-se com o choque entre o exercício da liberdade de expressão e o discurso de ódio na Internet. Para a alta comissária, no cargo desde 2018, “é arriscado” traçar uma linha entre estas duas dimensões. “Como podemos ter a certeza de que algo que foi dito ou escrito é discurso de ódio ou liberdade de expressão? Não é fácil qualificar o discurso.”

A chilena defende uma análise caso a caso e propõe a aplicação de seis critérios: o contexto em que determinada coisa foi dita ou escrita, quem a proferiu, com que intenção, qual o conteúdo, a extensão do discurso e a probabilidade de provocar danos.

Da mesma forma, qualquer intenção de impor limites ao discurso deve obedecer a princípios, que enumera: legalidade, legitimidade, necessidade e proporcionalidade.

Vigiar a doença ou a população?

Em contexto de pandemia, Bachelet abordou o impacto sobre o direito à privacidade de novas ferramentas tecnológicas de vigilância em massa e de inteligência artificial para reconhecimento facial. “Enquanto algumas medidas são proporcionais e necessárias para conter a disseminação da covid-19, outras correm o risco de minar os direitos digitais”, disse. “Muitos países usaram a covid-19 como desculpa para limitar direitos, as vozes dos críticos e o descontentamento das pessoas.”

Falou ainda da questão dos aplicativos de rastreamento de proximidade, adotados em vários países, como a Stay Away Covid no caso português. “A Organização Mundial da Saúde é cautelosa quanto ao emprego destas tecnologias, porque podem cruzar a linha pouco clara entre a vigilância da doença e a vigilância da população.”

A alta comissária avançou com propostas para que as medidas se tornem mais aceitáveis: que se assegure que as restrições sejam eficazes e produzam o efeito desejado, que se recolha apenas informação realmente necessária para o fim pretendido e que seja apagada assim que o objetivo for atingido, que se recorra o mais possível ao anonimato, que se limite o acesso à informação recolhida, não havendo partilha entre agências governamentais e que, passada a crise, se elimine as práticas invasivas de recolha de dados.

Na era digital, Bachelet não tem dúvidas de que os direitos individuais offline devem também ser protegidos online. E conclui: “Os direitos humanos são uma bússola para nos guiar nas incertezas e nos novos desafios”.

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 3 de dezembro de 2020. Pode ser consultado aqui

Netanyahu-Mohammad bin Salman. Uma cimeira para Joe Biden ver

O primeiro-ministro de Israel e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita ter-se-ão reunido em segredo numa cidade futurista à beira do Mar Vermelho. Esta inédita cimeira, sem confirmação nem desmentido oficial, acontece menos de dois meses de Joe Biden entrar na Casa Branca, decidido a corrigir decisões de Trump. Dois importantes aliados dos EUA no Médio Oriente recordam a Washington que o Irão é seu inimigo comum

Apesar da transferência de poderes já ter começado nos Estados Unidos, Donald Trump parece continuar em negação, fechado na Casa Branca a alimentar no Twitter teorias da conspiração para a sua derrota. Já o seu secretário de Estado não cessa de circular pelo mundo, empenhado em viagens de agenda cheia ao estilo de um governante em início de mandato.

Prestes a sair de cena, Mike Pompeo regressou há dias à Península Arábica para encontros que prometem (continuar a) mudar o Médio Oriente. O chefe da diplomacia americana visitou os Emirados Árabes Unidos, o Qatar — onde se reuniu com os talibãs afegãos — e a Arábia Saudita, onde se encontrou com o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman (M.B.S.) em Neom, cidade futurista saudita nas margens do Mar Vermelho.

Nesse mesmo dia, o voo de um jato privado entre Telavive, em Israel, e Neom captou a atenção dos curiosos da aviação. O aparelho esteve cinco horas em terra, regressando depois a Israel.

https://twitter.com/IntelliTimes/status/1330737295629168643

Por não haver voos diretos entre os dois países — que não têm relações diplomáticas oficiais —, aquele rasto aéreo nos radares desencadeou palpites e análises geopolíticas.

O ministro saudita dos Negócios Estrangeiros negou-o, mas quer imprensa norte-americana quer israelita noticiaram um frente a frente inédito entre o príncipe herdeiro da Arábia Saudita e seu líder de facto, Mohammed bin Salman (M.B.S.) e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Pompeo esteve presente — embora no Twitter só tenha noticiado o seu encontro bilateral com M.B.S. — nesta reunião não assumida a nível oficial, que revela que Israel e Arábia Saudita já estiveram mais de costas voltadas do que hoje.

“Não penso que a Arábia Saudita vá normalizar as relações com Israel agora”, diz ao Expresso o investigador Ely Karmon, do Instituto de Política e Estratégia de Herzliya (Israel). “Vão deixar o assunto como opção para a Administração Biden.”

Um inimigo comum chamado Irão

O fim do isolamento de Israel perante o mundo sunita foi uma prioridade da agenda externa da Administração Trump, e já deu frutos. Nos últimos meses, três países árabes corresponderam aos esforços diplomáticos norte-americanos e normalizaram a sua relação diplomática com Israel: os Emirados Árabes Unidos e o Bahrain, que a 15 de setembro assinaram com Israel os Acordos de Abraão, na Casa Branca – e o Sudão, numa decisão que não colheu o consenso nos corredores políticos nacionais.

A aproximação entre Israel e a Arábia Saudita pode ser entendida como um novo capítulo dessa estratégia, mas há outro assunto incontornável que empurra Riade e Telavive na direção uma da outra: um inimigo comum chamado Irão.

Neste aspeto, a cimeira em Neom – onde, segundo a imprensa israelita, Netanyahu teve a companhia do chefe da Mossad, Yossi Cohen – pode funcionar como recado para o novo Governo norte-americano, que irá, previsivelmente, reavaliar a sua política em relação ao Irão.

Irá Omã reconhecer Israel?

Outro alvo árabe da diplomacia de Washington tem sido o sultanato de Omã, país discreto que adota uma política de coexistência pacífica com todos os estados da região, incluindo Israel e o Irão. “É possível” que Omã também reconheça Israel, diz Ely Karmon. “Mas por ver a era de Trump chegar ao fim, e com possíveis eleições em Israel, Omã pode decidir esperar para ver.”

O investigador israelita chama a atenção para outros países que poderão, em breve, assinar acordos de normalização da relação com Israel. “Muito provavelmente, alguns países muçulmanos africanos, como o Níger, poderiam vir a seguir.”

O Níger é dos Estados africanos que mais tem estado na mira da diplomacia israelita. Os dois países tinham relações diplomáticas desde a independência do Níger (1960), que as rompeu em 1973 por causa da guerra israelo-árabe do Yom Kippur. Foram retomadas em 1996 e de novo suspensas em 2002, durante a segunda Intifada (revolta) palestiniana.

Ely Karmon afirma também que “será interessante olhar para a Indonésia”. O gigante muçulmano, com cerca de 230 milhões de habitantes, nunca reconheceu o Estado de Israel, mas mantém relações discretas com o Estado judeu a nível de comércio, turismo e segurança – ao contrário, por exemplo, da não longínqua Malásia, em cujos passaportes pode ler-se: “Este passaporte é válido para todos os países exceto Israel”.

(ILUSTRAÇÃO O saudita Mohammed bin Salman, o norte-americano Joe Biden e o israelita Benjamin Netanyahu THE WASHINGTON INSTITUTE FOR NEAR EAST POLICY)    

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 27 de novembro de 2020. Pode ser consultado aqui

Os sarauís esgotaram a paciência e regressaram às armas. “Marrocos quer uma guerra de desgaste moral do nosso povo”

Um conflito que estava em ponto morto há quase 30 anos acaba de se reacender. Em entrevista ao Expresso, o delegado da Frente Polisário em Portugal justifica o que levou os sarauís a romperem o cessar-fogo com Marrocos e a voltarem a pegar em armas. Mohamed Fadel explica também porque se sente traído por António Guterres

SOUTH WORLD

A avalancha de notícias sobre a pandemia de covid-19 e ainda sobre as eleições nos Estados Unidos quase deixou passar despercebido o reacendimento de um velho conflito que cumpria uma trégua há quase 30 anos — a disputa do território do Sara Ocidental entre Marrocos e a Frente Polisário, o movimento de independência reconhecido pela comunidade internacional como legítimo representante do povo sarauí.

“Marrocos tem o seu exército destacado ao longo de todo o muro de 2700 quilómetros” que separa o Sara administrado por Marrocos e o território controlado pela Frente Polisário. “Onde quer que haja concentração de tropas marroquinas, essas áreas estão a ser atacadas dia e noite”, garante ao Expresso Mohamed Fadel, delegado da Frente Polisário em Portugal.

A gota que fez transbordar a paciência sarauí pingou faz esta sexta-feira uma semana. Militares marroquinos entraram na zona desmilitarizada de Guerguerat — junto à fronteira com a Mauritânia, na ponta sudoeste do Sara Ocidental — para expulsar dezenas de civis sarauís que bloqueavam uma estrada importante desde 21 de outubro, impedindo que o trânsito que saía de Marrocos seguisse para sul.

Para Marrocos, a rota por Guerguerat representa a principal ligação por terra com o resto do continente africano. Para a Frente Polisário, trata-se de uma passagem ilegal. “Quando foi assinado o acordo de paz, e se instaurou no território a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sara Ocidental (MINURSO), só havia quatro brechas abertas ao longo do muro, para que o pessoal da ONU pudesse deslocar-se no interior do território, para os dois lados”, explica Mohamed Fadel. “A brecha de Guerguerat foi aberta arbitrariamente por Marrocos.”

A Frente Polisário considerou a incursão militar marroquina na zona tampão uma violação unilateral do acordo de paz e, faz amanhã uma semana, decretou o fim da trégua. “A paciência dos sarauís tem os seus limites. A abertura da brecha e a expulsão dos civis deu-nos a oportunidade de reiniciarmos as hostilidades. Os nossos estão dispostos a continuar com elas indefinidamente até que Marrocos respeite a legalidade internacional no conflito do Sara Ocidental.”

A soberania marroquina sobre o Sara Ocupado não é reconhecida pelas Nações Unidas, nem por Estados Unidos e União Europeia, apesar de, no caso desta última, isso não ser obstáculo ao aprofundamento de uma parceria económica com Marrocos, por vezes com contornos embaraçosos para os europeus.

O mesmo acontece com a União Africana, onde se dá a insólita situação de ocupante e ocupado — Marrocos e República Árabe Sarauí Democrática (RASD), o Estado que os sarauís decretaram em 1975 e que reivindica a soberania sobre o antigo Sara Espanhol — serem membros da organização ao mesmo nível.

Hoje, dezenas de países reconhecem a RASD, mas nenhum deles é europeu. “Apesar da alardeada unidade, a União Europeia tem uma política externa absolutamente díspar. Infelizmente, é notória a influência da França em toda a agenda europeia.”

A centralidade do referendo

Segundo o representante da Polisário, uma única condição pode levar os sarauís a depor novamente as armas: a realização do prometido referendo à sua autodeterminação. “Não haverá cessar-fogo até a comunidade internacional se comprometer com a realização do referendo, numa data definida”, diz Mohamed Fadel.

Sem recenseamento feito, estima-se que o número de sarauís ande à volta de meio milhão de pessoas, repartidas entre o Sara administrado por Marrocos, os campos de refugiados de Tindouf (na Argélia) e a diáspora.

Instituída pela Resolução 690 do Conselho de Segurança, de 29 de abril de 1991, a MINURSO foi criada para supervisionar o cessar-fogo e, como o seu próprio nome indica, realizar um referendo de autodeterminação, que chegou a estar planeado para fevereiro de 1992.

Quase 30 anos depois, e 15 representantes especiais nomeados pelo secretário-geral da ONU desde 1988, “as Nações Unidas não estão a fazer o seu trabalho”, avalia o responsável sarauí. “Existem claras intenções de desvio em relação ao acordo de paz inicial. Gradualmente, estão a procurar uma maneira de subtrair dos seus textos a referência ao referendo. Isso é percetível em especial nas últimas resoluções do Conselho de Segurança”, acusa Mohamed Fadel.

MINURSO finge que não vê

“E temos provas suficientes de que a MINURSO tem servido de instrumento de Marrocos para ocultar as violações dos direitos humanos que ocorrem todos os dias diante do nariz dos funcionários da ONU. Assistem diariamente à violação sistemática dos direitos de mulheres, que são espancadas nas ruas, e a ataques a casas de pessoas suspeitas de simpatizarem com a causa sarauí.”

Mas até hoje, “a MINURSO nunca deu informações sobre estas situações”, nem sobre “a exploração dos recursos do território que saem em camiões que passam pela brecha ilegal de Guerguerat para toda a África. Está confirmado com provas evidentes que a maioria desses camiões, para além de vegetais, vão carregados de droga.”

Por ser o principal rosto da organização, mas também pelo seu currículo em defesa dos direitos humanos, António Guterres é especialmente visado pelas críticas de Mohamed Fadel. “Sinto-me totalmente traído. Ele foi Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, conhece este dossiê muito bem.” Em 2009, nessa qualidade, Guterres visitou os campos de refugiados sarauís, em Tindouf (Argélia), onde vivem cerca de 190 mil pessoas.

“Mantivemos a esperança um pouco ingénua de que António Guterres, como tinha defendido o referendo em Timor-Leste [em 1999, era ele primeiro-ministro de Portugal], seguisse a mesma linha em relação ao conflito do Sara Ocidental.”

Autonomia em vez de autodeterminação

Da perspetiva sarauí, o português não correspondeu. “Prestou-se a servir a política que Marrocos quer para o território, de imposição dos factos consumados. As últimas resoluções do Conselho de Segurança da ONU fazem uma referência muito discreta à autodeterminação e dão prioridade à proposta marroquina de autonomia, como uma proposta real, pragmática e viável.”

O último relatório do secretário-geral da ONU classifica a situação no Sara ocupado como “calma”, expressão que se repetiu no texto da resolução do Conselho de Segurança de 30 de outubro passado, com a qual foi renovado por um ano o mandato da MINURSO. Os sarauís criticam também que a ONU continue a não estar mandatada para proteger os direitos humanos e que não haja qualquer referência à brecha ilegal de Guerguerat.

Após a escalada dos acontecimentos junto à brecha de Guerguerat, o secretário-geral da ONU falou ao telefone com o rei de Marrocos, Mohamed VI. Segundo um comunicado divulgado pela casa real, “durante a conversa, Sua Majestade o Rei sublinhou que depois do fracasso de todas as louváveis tentativas por parte do secretário-geral, o Reino de Marrocos assumiu as suas responsabilidades no âmbito do seu mais legítimo direito, tanto mais que esta não é a primeira vez que as milícias ‘polisário’ se envolvem em ações inaceitáveis”.

Segundo o comunicado, Marrocos resolveu a situação, restabeleceu o tráfego automóvel e enfatiza “o firme compromisso com o cessar-fogo. Da mesma forma, o Reino continua firmemente determinado a reagir, com a maior severidade e no âmbito da legítima defesa, a qualquer ameaça à sua segurança e à paz dos seus cidadãos”.

Guerra em tempo de pandemia

Com o mundo tomado pela pandemia, o regresso dos sarauís às hostilidades corre o risco de não colher a compreensão e apoio por parte de quem pouco ou nada conhece do assunto. “É uma realidade que o mundo inteiro está imerso na luta contra a pandemia. Mas também é uma realidade que Marrocos e as Nações Unidas se têm servido de múltiplos pretextos para atrasar indefinidamente a resolução do conflito”, conclui Mohamed Fadel.

“Nós respeitamos estritamente o cessar-fogo até 13 de novembro, e a principal causa [para o seu fim] foi Marrocos violar mais uma vez o cessar-fogo sem que a ONU se pronuncie. A estratégia de Marrocos, lamentavelmente com a cumplicidade das Nações Unidas, é fazer com que o tempo passe e que haja uma guerra de desgaste moral dos sarauís.”

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 20 de novembro de 2020. Pode ser consultado aqui

ONU assinala Dia Mundial da Sanita, um “luxo” inacessível a 4200 milhões de pessoas

As sanitas salvam vidas e previnem a proliferação de doenças mortais, mas mais de metade da população mundial não tem uma em casa. A diretora da delegação da Fundação Aga Khan na Índia explica ao Expresso as implicações sociais da falta de lavabos seguros, em especial para as mulheres

Em qualquer casa portuguesa damos naturalmente por adquirido a existência de, pelo menos, uma sanita para uso de quem ali vive. Tal não é, porém, a realidade para mais de metade da população mundial, que (sobre)vive sem acesso às mínimas condições de higiene e saneamento.

A pensar nestes muitos milhões para quem uma sanita é um bem de luxo, e sobretudo no impacto desta situação ao nível da saúde e da segurança globais, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Mundial da Sanita, que se assinala esta quinta-feira.

“Este é um dia dedicado a enfrentar o desafio global do saneamento. Celebra-se para dar ênfase à enorme crise sanitária que o mundo está ainda a combater: 4200 milhões de pessoas vivem ainda sem saneamento — o que corresponde a mais de metade da população global — e 673 milhões ainda praticam a defecação a céu aberto”, explica ao Expresso Tinni Sawhney, diretora-executiva da Fundação Aga Khan (Índia).

Fatima Ibrahim, de 10 anos, dirige-se para as casas de banho instaladas na sua escola, no campo de refugiados Tabareybarey, no Níger UNICEF / PHELPS

Com mais de 1300 milhões de habitantes — e a caminho de ultrapassar a China como país mais populoso à face da Terra —, a Índia é dos países onde o impacto decorrente de condições sanitárias de cientes é maior.

Essa vulnerabilidade reflete-se desde logo ao nível da segurança individual nomeadamente das mulheres. Muitos crimes sexuais, nomeadamente violações, acontecem no momento em que as indianas saem de casa para fazerem as necessidades em locais afastados, seja à beira da estrada ou junto a linhas de comboio, seja atrás de arbustos ou montes de lixo.

Risco psicológico e sexual

O problema está à vista de todos e tem sido amplamente analisado. “Vários estudos indicam que a falta de saneamento aumenta as vulnerabilidades de mulheres e meninas de várias formas. Para além da humilhação de terem de se aliviar ao ar livre, há também o medo de serem assediadas e violentadas, e sofrem de stresse psicossocial decorrente de tudo isto”, diz a dirigente do ramo indiano da Fundação Aga Khan.

Eriam Sheikh, de 7 anos, regressa de uma ida à casa de banho, montada sobre estacas, na cidade indiana de Bombaim UNICEF / MANPREET ROMANA

“A situação tem sido particularmente grave em comunidades informais urbanas, onde compartilhar os lavabos públicos com os homens coloca as mulheres em grande risco de sofrerem atos de violência e agressão sexual”, continua Tinni Sawhney.

A falta de casas de banho nas escolas, por exemplo, torna-se fator de absentismo, com consequências nefastas para o percurso educativo das raparigas. Mesmo nos casos em que existe algum tipo de instalação sanitária, muitas alunas são levadas a faltar às aulas durante o período menstrual.

“É inegável que melhorar o saneamento tornaria as vidas de mulheres e meninas mais seguras e saudáveis. Elas são afetadas de forma desproporcional pela falta de acesso a água potável, saneamento e higiene”, a rma Tinni Sawhney. Providenciar estas condições básicas “pode significar que todas as meninas possam continuar na escola quando atingirem a puberdade e que todas as mulheres que acedam a lavabos seguros e protegidos quem libertas do medo de serem agredidas e de perderem a dignidade.”

Uma jovem regressa de uma casa de banho improvisada no mato, na Guiné-Bissau UNICEF / GIACOMO PIROZZI

Trabalho de mais de um século

A presença da Fundação Aga Khan na Índia remonta ao início do século XX quando, em 1905, em Mundra (estado de Gujarate), foi fundada a primeira escola da organização. Nas últimas décadas, a Fundação — que tem delegações em 30 países, entre os quais Portugal — tem desenvolvido trabalho especializado nas áreas do acesso à água potável, saneamento e promoção de hábitos higiénicos.

“Nos últimos cinco anos, a Fundação Aga Khan (Índia) tem apoiado o maior programa de saneamento do mundo — a Missão Índia Limpa — convergindo com os esforços do Governo indiano para eliminar a defecação a céu aberto em todo o país”, diz Tinni Sawhney.

“A Fundação juntamente com as suas agências Programa Aga Khan de Apoio Rural e Agência Aga Khan para o Habitat têm sido fundamentais para facilitar o acesso ao saneamento a mais de 150 mil famílias em cinco estados da Índia. Isto foi possível através de uma combinação de abordagens, como a mudança de comportamentos, a melhoria da capacidade de funcionários do governo e o fortalecimento de instituições comunitárias que foram incentivadas a assumir a responsabilidade pelo processo de mudança.”

Wiseman e Job limpam uma casa de banho comunitária, em Mukuru kwa Ruben, arredores de Nairobi (Quénia)UNICEF / MODOLA

Apesar da pandemia de covid-19, que afeta a Índia em força — é atualmente o segundo país com mais casos (atrás dos EUA) e o terceiro em número de mortos (a seguir a EUA e Brasil) —, a Fundação Aga Khan (Índia) não deixou de assinalar o Dia da Sanita deste ano com um programa de eventos.

“As atividades incluem a colocação de postos de lavagem das mãos e a distribuição de sabonetes em centros de primeira infância, escolas e entre as comunidades, não só para prevenir a propagação de covid-19 e outras doenças infecciosas [como a cólera e a febre tifoide], mas também para garantir a e ciente utilização de água.”

Com este programa, a Fundação Aga Khan espera envolver mais de 50 mil pessoas de comunidades vulneráveis, dos estados de Bihar, Gujarat, Madhya Pradesh, Maharashtra, Telangana e Uttar Pradesh. A longo prazo, está a contribuir para que se cumpra o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 6 — de um conjunto de 17 metas globais, estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2015 — que promete saneamento para todos até 2030.

(Nas Ilhas Fiji, este menino está sentado sobre uma sanita abandonada UNICEF / SOKHIN)

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 19 de novembro de 2020. Pode ser consultado aqui