Umas são breves, outras mais palavrosas. Todas foram notícia no mundo inteiro pelos termos usados ou porque fazem alusão a assuntos verdadeiramente importantes




















Artigo publicado no “Expresso Online”, a 14 de dezembro de 2019. Pode ser consultado aqui
Umas são breves, outras mais palavrosas. Todas foram notícia no mundo inteiro pelos termos usados ou porque fazem alusão a assuntos verdadeiramente importantes




















Artigo publicado no “Expresso Online”, a 14 de dezembro de 2019. Pode ser consultado aqui
Na Escócia, os nacionalistas reforçaram a sua representação na Câmara dos Comuns. Na Irlanda do Norte, os unionistas perderam lugares. Nas eleições de quinta-feira, os dois territórios que, em 2016, rejeitaram o “Brexit” mandaram recados a Londres
Escócia e Irlanda do Norte, os dois territórios que, no referendo de 23 de junho de 2016, votaram contra a saída do Reino Unido da União Europeia (“Brexit”) aproveitaram as eleições de quinta-feira para mandar recados a Londres quanto ao futuro que pretendem para si.
Na Escócia — que elege 59 deputados para a Câmara dos Comuns (composta por 650 deputados) —, o Partido Nacionalista Escocês (SNP) viu a sua representação parlamentar ser reforçada em 13 assentos. A formação liderada por Nicola Sturgeon obteve 45% dos votos — mais 8,1% do que nas últimas eleições, em 2017 — elegendo 48 deputados.
Nicola Sturgeon considerou o resultado “uma mensagem clara” quanto ao futuro da Escócia — onde o Brexit foi rejeitado por 62% — e disse sentir-se agora com “um mandato renovado e reforçado”. “Boris Johnson tem um mandato para tirar a Inglaterra da União Europeia mas tem de aceitar que eu tenho um mandato para dar à Escócia a escolha sobre um futuro alternativo”, reagiu a primeira-ministra escocesa.
A estratégia do SNP passará pela realização de um segundo referendo à independência do território ainda que sem certezas absolutas de que o resultado seria diferente do que saiu da consulta popular de 18 de setembro de 2014, quando os escoceses rejeitaram a independência por 55% dos votos.
Outro território britânico onde o futuro é uma grande incerteza é a Irlanda do Norte, que elege 18 deputados para Westminster. Estas eleições ditaram uma perda de influência dos unionistas (protestantes), partidários de manutenção da Irlanda do Norte como parte integrante do Reino Unido.
O Partido Democrático Unionista (DUP) perdeu dois deputados, ficando-se agora pelos oito. Uma perda simbólica envolveu o até agora líder parlamentar, Nigel Dodds, que ficou sem o assento que ocupava desde 2001. O seu lugar foi conquistado pelo “mayor” de Belfast, militante do Sinn Féin (partido republicano) cujo pai foi morto por paramilitares unionistas em 1989, durante o conflito na Irlanda do Norte.
“Não consigo deixar de pensar no meu pai e de onde viemos, não apenas como família, mas também como sociedade”, reagiu John Finucane. Durante a campanha no círculo de Belfast Norte, por onde foi eleito, Finucane apresentou-se como “o único candidato anti-Brexit que pode vencer!”.
Partidário da reunificação com a República da Irlanda, o Sinn Féin — que ganhou sete deputados — tem por hábito não concretizar a posse dos parlamentares que elege por não reconhecer a soberania do Parlamento britânico sobre a Irlanda do Norte.
A Irlanda é um dos quebra-cabeças das negociações que se seguirão entre Londres e Bruxelas relativamente aos termos em que se vai concretizar o Brexit. O Norte da ilha está obrigado a seguir Londres, o Sul é um Estado independente, membro de pleno direito da União Europeia. A Norte, o acordo de paz entre unionistas e nacionalistas tem apenas 21 anos de vida. Muitas feridas continuam abertas e o Brexit pode agravá-las.
(IMAGEM Bandeiras da Irlanda do Norte, Inglaterra, Escócia e País de Gales WIKIMEDIA COMMONS)
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 13 de dezembro de 2019. Pode ser consultado aqui
A jovem sueca é hoje “um rosto proeminente na luta pela defesa do meio-ambiente”, destacou a “Time”. Na capa que lhe dedica, a revista realça “o poder da juventude”
A jovem ativista sueca Greta Thunberg foi eleita pelos editores da revista norte-americana “Time” a “Personalidade do Ano 2019”. O anúncio foi feito esta quarta-feira.
A publicação defende que Greta, de 16 anos, tornou-se num “rosto proeminente na luta pela defesa do meio-ambiente em face das alterações climáticas”. E recorda o papel catalisador que teve o seu protesto solitário semanal em frente ao Parlamento da Suécia na mobilização de mais de um milhão de estudantes envolvidos em greves pelo clima em todo o mundo.
Na capa que lhe dedica, com um fotografia feita em Lisboa, a “Time” realça ”o poder da juventude”.
Greta Thunberg está, neste momento, em Madrid — onde chegou após uma passagem por Lisboa — , a participar na Cimeira do Clima, organizada pelas Nações Unidas. Esta manhã, a jovem sueca fez o seu discurso: “Digo-vos que há esperança. Já o vi. Mas ela não vem de governos ou empresas. Vem do povo”.
A escolha da “Personalidade do Ano” é uma tradição da “Time” que dura há 92 anos e faz manchete em todo o mundo. Anualmente, os editores da revista escolhem a personalidade que mais impacto teve nos doze meses anteriores.
Na terça-feira, a lista de candidatos deste ano ficou reduzida a cinco: Nancy Pelosi (líder da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos), Donald Trump (Presidente norte-americano), o denunciante anónimo que está na origem do processo de “impeachment” a Trump, os manifestantes de Hong Kong e Greta Thunberg, que acabaria por vencer.
No ano passado, a escolha recaiu sobre “Os Guardiães e a Guerra à Verdade”, um grupo de quatro jornalistas e um órgão de informação cujo trabalho levou-os à prisão ou lhes custou a vida. Foi o caso do jornalista saudita Jamal Khashoggi, crítico do poder em Riade, assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 11 de dezembro de 2019. Pode ser consultado aqui
Depois de conquistarem o direito de conduzirem e de viajarem para o estrangeiro sem autorização de um homem da família, as sauditas viram mais uma barreira em seu redor ser derrubada. Em cafés e restaurantes, deixam de estar separadas dos clientes masculinos

O ultraconservadorismo na Arábia Saudita acaba de sofrer mais um golpe. Cafés e restaurantes deixam de ser obrigados a providenciar salas de refeição e entradas separadas para as mulheres.
A decisão foi anunciada no domingo pelo Ministério dos Assuntos Municipais e Rurais que determinou que a restauração não necessita mais de “especificar espaços privados”.
Até agora, as sauditas estavam proibidas de usufruir das áreas frequentadas por clientes masculinos, sendo relegadas para zonas reservadas a famílias. Em pequenos cafés, sem espaço para áreas privadas, as mulheres estavam proibidas de entrar.
Mas a interdição já apresentava fissuras. Alguns cafés e restaurantes de hotéis de luxo de Riade, ou de cidades costeiras como Jeddah (oriente) ou Khobar (oriente) já autorizavam as mulheres a sentarem-se lado a lado com homens desconhecidos.
O fim da segregação de género nos restaurantes é a última de um conjunto de medidas que têm contribuído para acabar com as restrições de género na Arábia Saudita. Em agosto, as mulheres com mais de 21 anos passaram a poder tirar o passaporte — e sair do país — sem o consentimento do seu tutor masculino. Dois meses antes, já tinha sido abolida a proibição de conduzirem.
As sauditas já conquistaram também a possibilidade de ir a concertos e eventos desportivos antes reservados aos homens. E, nas escolas, as meninas passaram a ter educação física.
Este empoderamento das sauditas seguiu-se à nomeação de Mohammed bin Salman como príncipe herdeiro, a 21 de junho de 2017. Apostado em diversificar a economia, tornando-a menos dependente do petróleo, Salman tem promovido reformas sociais visando desenvolver o sector público e atrair investimentos estrangeiros.
As mulheres têm beneficiado com isso, pelo menos em teoria já que, apesar das mudanças na lei, muitos sauditas encaram a segregação de género como preceito religioso ou tradição cultural — algo que não se altera por decreto.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 9 de dezembro de 2019. Pode ser consultado aqui
Os Estados Unidos têm até ao fim do ano para reconhecer a boa-fé da Coreia do Norte e fazer concessões. Se isso não acontecer, diz Pyongyang, a contenção deixa de fazer sentido. “É de prever uma escalada na tensão”, vaticina uma especialista
O relógio está em contagem decrescente na Coreia do Norte. Pyongyang deu a Washington um ultimato que está prestes a expirar: os norte-americanos têm até ao final do ano para fazer concessões importantes e assim salvar o diálogo entre ambos. “Cabe inteiramente aos Estados Unidos escolher que presente de Natal querem receber”, avisou na terça-feira Ri Thae Song, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte.
Kim Jong-un e Donald Trump já se encontraram por três vezes — em Singapura (12 de junho de 2018), Hanói (27 e 28 de fevereiro de 2019), e na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias (30 de junho) —, mas essa aproximação tarda em produzir resultados. Os EUA querem que a Coreia do Norte prove que está a desmantelar o seu programa nuclear. Já a Coreia do Norte exige ser recompensada pela suspensão de “uma série de ações”.
“As duras condições impostas pela Coreia do Norte para retomar as conversações sobre desnuclearização com os EUA — a remoção de sanções e as garantias de segurança para as ‘medidas de boa vontade’ que a Coreia do Norte já adotou — refletem uma posição de endurecimento por parte da Coreia do Norte relativamente aos EUA”, comenta ao Expresso Rachel Minyoung Lee, que analisa a realidade norte-coreana a partir de Seul (Coreia do Sul). “Julgo que a próxima movimentação política de Kim Jong-un será no sentido da linha dura, pelo que é de prever uma escalada na tensão.”
Numa avaliação ao estado da relação com os EUA, feita nas Nações Unidas, a Coreia do Norte reclama não ter ganho “nada” com a aproximação entre Kim Jong-un e Donald Trump “a não ser um sentimento de traição”. “É bastante natural que reforcemos as nossas capacidades, a fim de reduzir visivelmente as crescentes ameaças que obstruem a nossa segurança e desenvolvimento”, defendeu a missão norte-coreana.
Nos últimos três meses, Pyongyang vem sinalizando a sua impaciência retomando a realização de testes com mísseis. Aconteceu a 24 de agosto, a 10 de setembro, a 31 de outubro e a 28 de novembro, este último de forma algo provocatória ao coincidir com o feriado de Ação de Graças nos EUA. “Estamos sentados sobre um vulcão ativo”, disse a 12 de novembro Robert L. Carlin, antigo negociador na área do nuclear do Departamento de Estado dos EUA, numa conferência na Universidade de Yonsei, em Seul. “Não temos muito tempo para recuar.”
O diálogo direto entre EUA e Coreia do Norte rompeu-se definitivamente a 5 de outubro, após um encontro de oito horas e meia entre negociadores de topo, nos arredores de Estocolmo (Suécia). Onze dias depois, Kim Jong-un esbanjou confiança, cavalgando no Monte Paektu, o ponto mais alto da península.
“Mais do que uma demonstração de confiança, julgo que o passeio a cavalo foi um desafio”, diz Rachel Minyoung Lee. “A subida ao Monte Paektu seguiu-se a críticas explícitas por parte de Kim Jong-un em relação às sanções dos EUA. Aquela escalada visou sublinhar que a Coreia do Norte seguirá o seu caminho — aquilo que os órgãos oficiais do Estado designam de ‘autossuficiência’ —, apesar das dificuldades resultantes de prolongadas sanções.”
A imprensa norte-coreana condimentou o passeio dizendo que foi um momento de reflexão do líder, de quem se espera para breve “uma grande decisão”. Referido nos hinos nacionais das duas Coreias, o Monte Paektu é também simbólico na relação que a dinastia Kim estabeleceu com o país que fundou em 1948 e que lidera desde então. “De acordo com a propaganda, Kim Il-sung [avô do atual líder] travou batalhas nessa montanha contra o colonizador japonês”, explica a analista.
A associação nacionalista entre o local e os Kim continuou com Kim Jong-il, pai do líder atual, que, diz a propaganda, “nasceu no ‘Campo Secreto’ do Monte Paektu, em 1942, apesar dos registos históricos no mundo real dizerem que nasceu na Rússia em 1941”.
Igualmente, o recurso a um cavalo branco não é um pormenor irrelevante. “Segundo as memórias de Kim Il-sung, um cavalo branco veio de algures na sua direção durante uma batalha contra os japoneses e conseguiu grandes conquistas. Provavelmente por essa razão, os três líderes norte-coreanos foram todos retratados com cavalos brancos”, conclui Rachel Minyoung Lee. Uma forma elegante de mostrarem quem está às rédeas do país.
(FOTO Rodeado por um grupo de atiradores de elite da Força Aérea norte-coreana, Kim Jong-un mostra quem manda no país REUTERS)
Artigo publicado no “Expresso Diário”, a 5 de dezembro de 2019. Pode ser consultado aqui