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Dez anos depois de um conselho de ministros debaixo de água, as Maldivas continuam a afundar-se

A 17 de outubro de 2009, o Governo das Maldivas, um dos países mais ameaçados pela subida da água dos oceanos, reuniu-se no fundo do mar para alertar para os efeitos das alterações climáticas. Dez anos depois, o Presidente que promoveu o insólito encontro está frustrado com a falta de ação e cansado da “linguagem jurássica” usada para defender o planeta

Há exatamente dez anos, o então Presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, promoveu um conselho de ministros original. Num país rodeado pelo azul do Índico, e onde saber mergulhar é algo quase tão natural como aprender a ler, aquela reunião decorreu debaixo de água.

A cinco metros de profundidade, de máscara posta e comunicando por gestos, o Presidente, 14 ministros e o Procurador-Geral do país assinaram um “SOS desde a linha da frente” para enviar às Nações Unidas: “As alterações climáticas estão a acontecer e ameaçam os direitos e a segurança de toda a gente na Terra”, defenderam. “Temos de nos unir num esforço mundial para parar mais aumentos de temperatura.”

A iniciativa foi simultaneamente um alerta para o mundo e um pedido de ajuda: a manter-se o aquecimento global e o consequente degelo dos graciares, as Maldivas — cujo ponto mais alto é inferior a dois metros — vão afundar-se no meio do oceano.

António Guterres está atento

O drama dos países insulares chegou, recentemente, à capa da revista “Time” que fotografou o secretário-geral da ONU, António Guterres, com a água do Oceano Pacífico pelos joelhos e ar de grande preocupação. A foto foi tirada junto à costa de Tuvalu, outro país ameaçado pela subida das águas do mar, mas bem poderia ter sido disparada nas Maldivas.

Neste arquipélago composto por 1192 ilhas (a maioria desabitadas), 26 grandes atóis (anéis de coral à volta de uma lagoa interior) e onde vivem cerca de 400 mil pessoas, as alterações climáticas são uma questão de segurança nacional.

Em 2008, quando se tornou o primeiro Presidente democraticamente eleito — derrotando Maumoon Abdul Gayoom, um dos ‘dinossauros’ da política africana que levava 30 anos na liderança do país —, Mohamed Nasheed comprometeu-se a tornar as Maldivas num exemplo a seguir em matéria de preservação ambiental. A evolução política do país feriu de morte essa ambição pessoal.

Em 2012, em circunstâncias que não colhem a unanimidade no país, foi afastado do poder — por “um golpe de Estado”, diz. Acusado de traição, foi preso e julgado sem direito a testemunhas de defesa. Condenado a 13 anos de prisão, ficou impossibilitado de se recandidatar à presidência durante 16.

Autorizado a sair do país para ser submetido a uma cirurgia, obteve asilo no Reino Unido, em 2016. A vontade de regressar à política subsiste mas para voltar a disputar a liderança do país precisa de resolver os assuntos com a justiça. A advogada Amal Clooney integra a equipa que o defende.

Fala-se muito, faz-se pouco

Em dezembo do ano passado, o ex-Presidente retomou o combate pelo futuro das Maldivas convidado pelo atual chefe de Estado, Ibrahim Mohamed Solih, para liderar a delegação nacional à Conferência de Katowice (Polónia) sobre as alterações climáticas. Foi o 24ª encontro do género organizado pelas Nações Unidas para discutir regras com vista à aplicação do Acordo de Paris de 2015.

Para Nasheed, foi um regresso frustrante. “Quase dez anos passaram desde que eu estive pela última vez nestas negociações climáticas, e devo dizer que nada parece ter mudado muito. Continuamos a usar a mesma linguagem jurássica de sempre”, denunciou ele em Katowice. “As emissões de dióxido de carbono aumentam, aumentam, aumentam e tudo o que parece que fazemos é falar, falar, falar. E continuamos a fazer as mesmas observações entediantes.”

FOTOGALERIA

O ministro das Pescas e da Agricultura das Maldivas assina o “SOS climático” aprovado numa reunião subaquática, a 17 de outubro de 2009 MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
Duas bandeiras das Maldivas sinalizam a realização de um evento oficial MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
A caminho da reunião, levando em mãos um documento para ser assinado MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
Participaram no conselho de ministros subaquático 16 pessoas MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
Mesas, cadeiras e canetas, o essencial para uma reunião fora do comum MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
O Presidente Mohamed Nasheen foi o grande promotor da iniciativa MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
A reunião decorreu com recurso a linguagem gestual MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
O “SOS climático” foi assinado por todos os participantes MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
A vez do ministro do Interior, Mohamed Shihab MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
O equipamento de mergulho não atrapalhou os trabalhos MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES
De regresso à superfície, cumprida a missão MOHAMED SEENEEN / DIVERS ASSOCIATION OF MALDIVES

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 17 de outubro de 2019. Pode ser consultado aqui

EUA deixam os curdos sozinhos, mais uma vez

Com a saída dos EUA do nordeste sírio, os curdos ficam sem aliados por perto e à mercê da mão castigadora da Turquia

Os apuros de Donald Trump dentro de portas parecem realçar uma certa impaciência do Presidente dos Estados Unidos na hora de lidar com problemas internacionais. Aconteceu no domingo passado, quando Trump anunciou a retirada das tropas norte-americanas em missão no nordeste da Síria. “Desde o primeiro dia em que entrei na política, tornei claro que não queria travar estas guerras intermináveis e sem sentido, em especial as que não beneficiam os EUA”, disse.

Três dias depois, a Turquia começava a bombardear a área desguarnecida pelos norte-americanos. Anunciada pelo Presidente Recep Tayyip Erdogan, a ofensiva “Fonte de Paz”, com fogo aéreo e de artilharia, visa áreas controladas pela milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG).

O jornal turco “Daily Sabah” noticiava, quinta-feira, que a “operação antiterrorista” já tinha “libertado” 11 aldeias nas imediações das cidades de Tal Abyad e Ras al-Ayn. Há mais de 60 mil pessoas em fuga e notícias de pelo menos 277 mortos. A Turquia diz que são “militantes”, os curdos dizem que alguns são civis.

Ressurgimento do Daesh

Nos EUA, a decisão de Trump e o que se lhe seguiu no terreno geraram críticas, até no campo republicano. “Os EUA estão a abandonar os nossos aliados curdos, que combateram o Daesh [autodenominado Estado Islâmico] e ajudaram a proteger a nossa pátria”, acusou a deputada republicana Liz Cheney, filha do ex-vice-presidente Dick Cheney. “A decisão ajuda os adversários da América — Rússia, Irão e Turquia — e abre caminho ao ressurgimento do Daesh.” Trump respondeu que os curdos não ajudaram os EUA durante a invasão… da Normandia, em 1944.

No barril de pólvora que a Síria se tornou após 2011, com a esperança de uma primavera árabe a degenerar num inverno sangrento, as forças curdas foram aliadas fiéis, profissionais e destemidas contra os extremistas. Na língua curda, peshmerga — como se intitulam os combatentes curdos — significa “os que enfrentam a morte”.

Passadeira aos turcos

No jornal israelita “Haaretz”, sexta-feira, Akil Marceau, ex-diretor da representação do governo regional do Curdistão iraquiano em Paris, decretou: “Qualquer esforço internacional que não resulte no estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre o norte da Síria e a proteção das suas minorias étnicas será uma cortina de fogo, na melhor das hipóteses — e na pior, uma faca nas costas” dos curdos. Em 1992, foi uma solução desse género que protegeu os curdos iraquianos de Saddam Hussein, após a Guerra do Golfo.

Às primeiras notícias da ofensiva turca, Trump comentou ser “má ideia” e acrescentou que Washington “não apoia” o ataque. Sobre o que faria se Erdogan acabar com os curdos, Trump respondeu: “Se a Turquia fizer algo que eu, na minha grande e ímpar sabedoria, considerar fora dos limites, destruirei e obliterarei toda a economia turca (já o fiz!).”

Por muito que Trump o tente iludir, a saída de cena das tropas americanas funcionou como “luz verde” para a investida turca sobre o nordeste da Síria. Ancara justifica a operação com a necessidade de criar uma “zona segura” — uma extensão de 400 quilómetros de comprimento e 30 de largura entre a fronteira e o rio Eufrates — para repatriar milhões de sírios refugiados na Turquia.

“É improvável que uma chamada ‘zona segura’ no nordeste da Síria, como a prevista pela Turquia, satisfaça os critérios internacionais para o regresso de refugiados”, reagiu Federica Mogherini, chefe da diplomacia da UE. Para Bruxelas, “o regresso de refugiados e deslocados internos aos seus locais de origem tem de ser seguro, voluntário e digno, quando as condições o permitirem. Qualquer tentativa de promoção de alterações demográficas é inaceitável. A UE não dará assistência em áreas onde os direitos das populações sejam ignorados”. Adivinha-se pois nova tragédia humana.

Um povo único

Etnicamente não-árabes — como turcos, iranianos, paquistaneses e afegãos —, os curdos são o maior povo sem Estado do mundo. Cerca de 30 milhões de pessoas vivem na intersecção de quatro países do Médio Oriente frequentemente desavindos: Turquia, Síria, Iraque e Irão. E sonham com um Curdistão independente.

Na Turquia, onde os curdos são entre 15% e 20% de uma população de 80 milhões, essa ambição é sentida como ameaça à segurança nacional. Abdullah Ocalan, líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, ilegalizado e que EUA e UE consideram terrorista), é o inimigo público nº 1. Cumpre prisão perpétua, há 20 anos, na ilha-prisão de Imrali.

Com a retirada dos EUA da região de Rojava — o chamado Curdistão sírio, composto pelos enclaves de Afrin, Kobane e Yazira —, os curdos ficam entregues a si próprios. Não foi a primeira vez que viram um aliado virar-lhes costas. Talvez por isso um velho ditado curdo profetize: “Não temos amigos, apenas as montanhas.”

TRÊS TRAIÇÕES

I GUERRA MUNDIAL — Pelo Tratado de Sèvres (1920), Aliados e Império Otomano contemplam a criação de um Curdistão na atual Turquia. De fora ficam os curdos do Irão, do Iraque (tutelado por britânicos) e da Síria (franceses). Depois o assunto é esquecido

IRAQUE — Os EUA armam os curdos durante o Governo de Abdel Karim Kassem. Após este ser deposto, em 1963, cortam apoio à minoria e ajudam o novo Governo, que investiu contra os curdos

GUERRA DO GOLFO — Em 1991, Bush (pai) apela aos iraquianos que se envolvam na deposição de Saddam Hussein. No norte, os curdos corresponderam. Os EUA não avançam sobre Bagdade e Saddam massacra a minoria

(IMAGEM Bandeira do Curdistão Sírio WIKIMEDIA COMMONS)

Artigo publicado no “Expresso”, a 12 de outubro de 2019. Pode ser consultado aqui

A vontade de um homem rico continua a cumprir-se 124 anos depois

Um obituário prematuro retratou Alfred Nobel, que fizera fortuna criando e vendendo armas de guerra, como um “comerciante da morte”. Chocado com a sua imagem pública, o sueco destinou parte da sua riqueza àqueles que conferirem “os maiores benefícios à humanidade”. Esta sexta-feira, o Prémio Nobel da Paz será atribuído pela 100ª vez

Os Prémios Nobel têm na sua origem uma imensa fortuna, a última vontade de um homem culto e uma verdade inconveniente: aquele que ainda hoje mais recompensa os esforços de paz em todo o mundo foi um grande fabricante de armas. Ainda hoje, a empresa sueca Bofors e a alemã Dynamit Nobel decorrem de projetos de Alfred Bernhard Nobel.

Nascido em 1833, em Estocolmo (Suécia), cresceu no seio de uma família dedicada à indústria do armamento. O pai, o engenheiro Immanuel, construiu minas subaquáticas para a Rússia, durante a Guerra da Crimeia. Alfred herdou dele a curiosidade científica e investiu na criação de novos tipos de explosivos. Registou 355 patentes a nível internacional, uma das quais a dinamite, que revolucionou a arte da guerra.

Quando os Nobel choraram a morte de Ludwig — o mais velho dos oito filhos de Immanuel e Caroline —, em abril de 1888, um jornal francês publicou um obituário pensando tratar-se de Alfred. “O comerciante da morte morreu”, escreveu-se. “O Dr. Alfred Nobel, que enriqueceu encontrando formas mais rápidas de matar mais pessoas, morreu ontem.”

A cerimónia de atribuição do Nobel realiza-se em Oslo, a 10 de dezembro, data da morte de Alfred. O laureado recebe uma medalha em ouro, um diploma e nove milhões de coroas suecas (quase 830 mil euros) GETTY IMAGES

Confrontado com aquela imagem pública, este homem culto, fluente em cinco línguas e grande estudioso de Química — na tabela periódica, o elemento nobélio foi assim batizado em sua homenagem —, ficou em choque.

Quando morreu, deixou manuscritas quatro páginas repartindo a sua riqueza por familiares, criados e conhecidos, e por um fundo destinado a premiar anualmente “aqueles que, no ano anterior, conferiram os maiores benefícios à humanidade”.

Alfred determinou as áreas a merecer distinção e responsabilizou instituições por esse reconhecimento: os prémios da Física e da Química seriam atribuídos pela Real Academia Sueca das Ciências, o da Fisiologia ou Medicina pelo Instituto Karolinska de Estocolmo e o da Literatura pela Academia de Estocolmo.

Além do processo de paz israelo-palestiniano (1994, na foto), o Nobel já reconheceu outros diálogos políticos: EUA-Vietname (1973), Israel-Egito (1978), África do Sul (1993) e Irlanda do Norte (1998) GETTY IMAGES

Quanto ao prémio destinado ao “campeão da paz”, não seria concedido por uma organização sueca, mas por “um comité de cinco pessoas selecionadas pelo Storting [Parlamento] norueguês”. Esta deferência para com o reino da Noruega decorre de uma realidade política: à época, suecos e noruegueses eram todos súbditos do rei sueco, apesar de os noruegueses terem Constituição e Parlamento próprios.

Por essa altura, o Storting já tinha uma tradição de envolvimento em questões de arbitragem internacional e trabalho feito no âmbito da União Interparlamentar, uma instituição global fundada em 1889. Com alguma naturalidade, Alfred encarrega-o de distinguir “a pessoa que fez mais ou melhor trabalho em prol da fraternidade entre as nações, da abolição ou redução de exércitos permanentes e da realização e promoção de congressos de paz”.

O norte-americano Henry Kissinger (à esquerda na foto, com o Presidente chinês Xi Jinping, em 2018) é o premiado mais antigo ainda vivo. Nesse ano de 1973, o colaureado, o vietnamita Le Duc Tho, recusou o prémio THOMAS PETER / GETTY IMAGES

Desde que foi atribuído pela primeira vez, em 1901, o Nobel da Paz já consagrou 89 homens e 17 mulheres. Aos 17 anos, a estudante paquistanesa Malala Yousafzai (2014) foi o laureado mais jovem de sempre.

Por duas ocasiões, os holofotes incidiram sobre um trio: três homens em 1994 — Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin —, pelo acordo de paz israelo-palestiniano do ano anterior; e três mulheres em 2011 — Ellen Johnson Sirleaf (Presidente da Libéria), Leymah Gbowee (ativista liberiana) e Tawakkol Karman (ativista iemenita).

O “campeão da paz” é, porém, o Comité Internacional da Cruz Vermelha, que já recebeu o Nobel por quatro vezes: três enquanto organização (1917, 1944 e 1963) e uma a título individual, já que o suíço Henry Dunant, cofundador da organização, foi o primeiro galardoado, em 1901. No total, este Nobel já foi entregue a organizações por 27 vezes.

Três laureados estavam presos na hora de receber o Nobel: o jornalista alemão Carl von Ossietzky (1935), a política birmanesa Aung San Suu Kyi (1991) e o ativista chinês Liu Xiaobo (2010), cuja cadeira (na foto) ficou vazia ODD ANDERSEN / AFP / GETTY IMAGES

O Nobel da Paz já foi entregue por 99 vezes. Em 1948, um dos 19 anos em que não foi atribuído, o Comité anunciou que “não havia candidato vivo adequado”. A justificação soou a arrependimento… A 30 de janeiro desse ano, o indiano Mahatma Gandhi tinha sido assassinado. Símbolo mundial do pacifismo, morreu sem nunca ter recebido o prémio.

A embaraçosa ausência de Gandhi na lista de laureados leva a que, no próprio “site” oficial do Nobel, haja uma justificação: “Até 1960, o Prémio Nobel da Paz era concedido quase exclusivamente a europeus e americanos. Em retrospetiva, o horizonte do Comité Nobel Norueguês pode parecer muito estreito. Gandhi era muito diferente dos laureados anteriores. Não era um político ou um defensor real do direito internacional, não era essencialmente um trabalhador humanitário e não era um organizador de congressos internacionais de paz. Ele teria pertencido a uma nova classe de laureados.”

Mahatma Gandhi (1869-1948), sorridente, na companhia das netas Ava e Manu, na Birla House, em Nova Deli, onde o ativista passou os últimos 144 dias de vida GETTY IMAGES

Gandhi parece ser um peso na consciência do Comité Norueguês. Em 1989, quando o Nobel da Paz foi dado a Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama do budismo tibetano, o presidente do Comité disse tratar-se, “em parte, de um tributo à memória de Mahatma Gandhi”.

(FOTO Início do testamento de Alfred Bernhard Nobel, datado de 27 de novembro de 1895 JESSICA GOW / REUTERS)

Artigo publicado no “Expresso Diário”, a 10 de outubro de 2019. Pode ser consultado aqui

É a coisa mais simples do mundo mas ainda não o era para elas — ir à bola. Elas foram e estas são 15 imagens disso (e o jogo ficou 14-0)

Pela primeira vez em 40 anos, a República Islâmica do Irão permitiu a entrada às mulheres num estádio de futebol. Em Teerão, no relvado do Estádio Azadi, a seleção da casa e a do Camboja disputaram uma partida de qualificação para o Mundial da FIFA de 2022. Nas bancadas, a vitória foi delas — no campo, o Irão venceu por 14-0

ATTA KENARE / AFP / GETTY IMAGES
AMIN M. JAMALI / GETTY IMAGES
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ATTA KENARE / AFP / GETTY IMAGES

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 10 de outubro de 2019. Pode ser consultado aqui

A fórmula de Trump para que não falte dinheiro à ONU

António Guterres alertou os funcionários da ONU para a possibilidade da organização ficar sem dinheiro até ao final do mês. Esta quarta-feira, no Twitter, Donald Trump disse-lhe como resolver o problema

As Nações Unidas estão quase sem dinheiro e, esta semana, o secretário-geral António Guterres enviou uma carta aos 37 mil funcionários da organização alertando para o perigo real do dinheiro faltar até ao fimd este mês.

Esta quarta-feira, no Twitter, como é seu hábito, Donald Trump deu-lhe um conselho: “Então faça com que todos os países paguem [as suas contribuições], e não apenas os Estados Unidos!”

As palavras de Trump vão ao encontro de um comunicado divulgado pelo porta-voz de Guterres apelando a que os Estados membros da ONU cumpram com os compromissos financeiros que assumiram perante a organização. Stéphane Dujarric alertou para o facto de apenas 70% do orçamento para 2019 estar assegurado.

Historicamente, os Estados Unidos têm sido de longe o maior contribuinte para o orçamento das Nações Unidas. Mas com Donald Trump na Casa Branca, o cheque tem vindo a perder zeros. Há cerca de um ano, o próprio Presidente anunciou a diminuição em 25% das contribuições norte-americanas para as missões de paz da ONU.

Anteriormente, Washington já tinha cortado o seu financiamento à UNESCO, uma agência especializada das Nações Unidas que, desde 2011, reconhece o Estado da Palestina como membro de pleno direito.

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 9 de outubro de 2019. Pode ser consultado aqui