Homenagens póstumas e momentos de introspeção, no Museu do Holocausto e na Igreja da Natividade, marcaram o terceiro e último dia de Barack Obama em Israel e na Palestina. De lá, o Presidente dos EUA seguiu para a Jordânia
Obama ladeado por Benjamin Netanyahu e Shimon Peres, após prestar homenagem ao líder sionista Theodor Herzl, no Monte Herzl, em JerusalémAinda no Monte Herzl, junto à campa do ex-primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin, onde depositou uma coroa de floresObama cumpre um ritual judaico de colocar uma pequena pedra sobre a sepultura, significando que o falecido não será esquecidoVisita ao Museu do Holocausto Yad Vashem, em JerusalémNum momento de Recolhimento, no Hall da Recordação, no Museu do HolocaustoBarack Obama segura o livro que lhe foi oferecido pelo diretor do Yad Vashem, Avner ShalevÀ conversa com o rabino Yisrael Meir Lau, durante a visita ao Museu do HolocaustoJohn Kerry, secretário de Estado norte-americano, no Hall dos Nomes do Museu do HolocaustoNo interior da Igreja da Natividade, na cidade palestiniana de BelémEncontro com o Patriarca grego ortodoxo Theophilos III, na Igreja da NatividadeObama ladeado por Mahmud Abbas (Presidente da Autoridade Palestiniana) e Vera Baboun, presidente do município de BelémManifestantes em Belém pedem o congelamento dos colonatos judeus e o direito de retorno para os refugiados palestinianosTempestade de areia à volta do Air Force One, na pista do Aeroporto Ben Gurion, horas antes de Obama partirNetanyahu e Peres despedem-se de Barack ObamaObama partiu. Em Nablus (Cisjordânia), confrontos decorrentes de protestos contra o colonato de Qadomem mostram que o conflito continua vivo
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 22 de março de 2013. Pode ser consultado aqui
O palestiniano Mahmud Abbas e o israelita Shaul Mofaz vão encontrar-se. Será a reunião ao mais alto nível dos últimos anos, mas ninguém promete o fim do impasse no processo de paz no Médio Oriente
O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, e o vice-primeiro-ministro israelita Shaul Mofaz reúnem-se no próximo domingo, naquele que será o encontro bilateral ao mais alto nível dos últimos anos.
O local do encontro não está ainda confirmado, falando-se em Jerusalém, Jericó ou Ramallah (as duas últimas cidades na Cisjordânia).
Fontes palestinianas esclarecem que o encontro não significa a retoma das negociações de paz, paralisadas desde setembro de 2010. Acrescentam que estas continuam dependentes da aceitação, por parte de Israel, das condições impostas pelo Presidente palestiniano, nomeadamente o congelamento da construção de colonatos.
Abbas e Mofaz encontram-se numa altura em que a situação no Egito (um ator crucial no diálogo israelo-palestiniano) está mais definida, após o anúncio da vitória do candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Mursi, nas presidenciais. E após as autoridades israelitas e as palestinianos se terem reforçado politicamente dentro de portas.
Vantagem para o ‘Mandela palestiniano’
Do lado israelita, recentemente, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (Likud, de direita) reforçou a coligação no Governo com a entrada do partido Kadima (de centro, liderado por Shaul Mofaz), passando a garantir o apoio de 94 dos 120 deputados do Knesset (Parlamento).
No campo palestiniano, também Fatah e Hamas iniciaram conversações com vista à formação de um Governo de reconciliação nacional. Recorde-se que, desde 2007, a Fatah governa o território palestiniano da Cisjordânia e o Hamas controla a Faixa de Gaza.
Uma sondagem divulgada, hoje, pelo diário israelita “Haaretz” revela que, entre os palestinianos, quem lidera as preferências de voto para as eleições presidenciais (sem data marcada) é Marwan Barghouti. Tido como o líder da Intifada al-Aqsa (2000), Barghouti foi condenado por Israel a cinco penas de prisão perpétua. Chamam-lhe o “Mandela palestiniano”.
Barghouti derrotaria Mahmud Abbas (Fatah), cuja popularidade está em queda, rondando os 49%, e o líder do Hamas, Ismail Haniyah, apreciado por 44% dos inquiridos.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 27 de junho de 2012. Pode ser consultado aqui
A desconfiança reina no processo de paz para o Médio Oriente. O israelita Benjamin Netanyahu e o palestiniano Mahmud Abbas vieram à Europa pedir apoio. Fotogaleria
O assunto desapareceu das manchetes, mas as diplomacias israelita e palestiniana não estão paradas. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o Presidente palestiniano, Mahmud Abbas, estão na Europa para desenvolverem contactos e angariarem apoios. A desconfiança reina entre as partes e a paz não passa de um processo de intenções.
Na próxima terça-feira, na Sociedade de Geografia de Lisboa, José Salomão Ruah, da Comunidade Israelita de Lisboa, e Raúl Braga Pires, professor na Universidade de Rabat e coordenador do blogue “Maghreb/Machrek”, alojado no sítio do Expresso, irão debater “Perspetivas sobre o Processo de Paz no Médio Oriente”.
De visita à sinagoga portuguesa em Amesterdão (1675), o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse na quarta-feira que “um Irão nuclear é um perigo para Israel, a região e o mundo”Netanyahu defendeu “sanções afiadas” contra o petróleo e o Banco Central do Irão. O seu ministro da Defesa, Ehud Barak, disse que a opção militar contra Teerão é o “último recurso”Netanyahu mandou recados aos palestinianos: “Estou pronto para me encontrar com Abu Mazen (o Presidente) em qualquer lado e em qualquer altura. Apelo a que ele não fuja da paz”O rei da Jordânia, Abdullah II, que na terça-feira foi recebido por Barack Obama, promoveu um encontro israelo-palestiniano, na semana passada, em Amã. São “pequenos passos em frente”O diálogo foi suspenso após os palestinianos terem solicitado, na ONU, em setembro, o reconhecimento da Palestina independente. Uma reivindicação feita por estas mulheres bósniasOs palestinianos têm eleições gerais previstas para 4 de maio. O mandato do Presidente Mahmud Abbas terminou em janeiro de 2009. E as legislativas deveriam ter-se realizado no ano passadoA Fatah (do Presidente Abbas) governa a Cisjordânia, onde um muro separa palestinianos dos colonos judeus. Em Gaza, reina o Hamas. A reconciliação foi assinada em abril passadoNo domingo, o Presidente Abbas (Fatah) viajou até à Europa para visitar o Reino Unido, Alemanha e Rússia. Na foto, a sua mensagem no livro da visitas da presidência alemãO primeiro-ministro Ismail Haniyeh (Hamas) visitou, esta semana, o Egito, Sudão, Turquia e Tunísia. Aqui, falou para membros do Ennahda (islamita), vencedor das eleições pós-Ben AliNa quarta-feira, a aviação israelita bombardeou Beit Hanun, no norte da Faixa de Gaza. Morreram dois palestinianos que Telavive acusa terem colocado uma bomba junto à fronteira com IsraelIsrael vive em vigilância constante. Esta semana, decorreram exercícios militares em Amikon, no norte, visando corrigir erros cometidos durante a última guerra com o Líbano, em 2006Ocupados por Israel em 1967, os montes Golã são reclamados pela Síria. Por estes dias, muitos israelitas aproveitam o manto de neve que cobre os Golã para descontrairEm Israel, o inimigo surpreende de forma cada vez menos convencional. Na segunda-feira, um hacker saudita atacou os sítios na internet da Bolsa de Israel e da companhia aérea El AlAs ruas israelitas provocam, também, dores de cabeça às autoridades. Protestos populares de grande dimensão (como o da foto, em Kiryat Malachi, no sul) pressionam o governo de TelaviveNa quarta-feira, em Jerusalém, israelitas judeus de ascendência etíope protestaram, em frente ao Parlamento (Knesset), contra o racismo e a discriminaçãoNa véspera, na mesma cidade, mulheres participaram numa “flash-mob” (coreografia coletiva num local público), em protesto contra a segregação sexual defendida por judeus ultra-ortodoxosMuitos judeus-ortodoxos, como o da foto, em oração junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, instigam as mulheres a ocuparem as partes traseiras dos autocarros, por exemploEntre os palestinianos, os protestos sobretudo a libertação de familiares, detidos nas prisões israelitas. Estima-se que cerca de 6000
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 22 de janeiro de 2012. Pode ser consultado aqui
Nas escolas israelitas e palestinianas, que reabrem esta semana, os mesmos factos são interpretados de forma diferente. Uns manuais inovadores agora publicados tentam promover a reconciliação
Na coluna da esquerda, a narrativa israelita. À direita, a interpretação palestiniana
Num pequeno número de escolas israelitas e palestinianas, a conturbada história entre os dois povos é ensinada através de manuais sui generis. Cada página está dividida em três colunas: na da esquerda, explica-se a versão israelita de um determinado facto histórico; na da direita, o ponto de vista palestiniano sobre o mesmo acontecimento; a coluna do meio é deixada em branco para que os alunos façam anotações.
“Nesse espaço, encontramos todo o género de comentários, desde alunos que têm uma atitude de rejeição e de completa negação em relação ao outro até àqueles que tentam encontrar semelhanças e diferenças entre as duas narrativas”, afirmou ao Expresso Sami Adwan, professor na Universidade de Belém (Cisjordânia) e um dos fundadores do Instituto de Investigação da Paz no Médio Oriente (PRIME), a organização que elaborou os manuais. “Um dos objectivos deste projecto é levar as crianças israelitas e as palestinianas a aprenderem a narrativa histórica do outro. A educação tem sido usada para perpetuar o conflito. Queremos torná-la parte da solução”, diz.
Manual na língua inglesa
Nos manuais oficiais israelitas, os imigrantes judeus que rumaram à Palestina ainda antes da criação de Israel são chamados “pioneiros”; nos palestinianos, são “gangues” e “terroristas”. Por outro lado, poucos estudantes israelitas sabem que na sequência da criação do Estado de Israel (1948), cerca de 750 mil palestinianos foram expulsos dessas terras e tornaram-se refugiados (ver no fim). Da mesma forma, o Holocausto é ignorado no currículo palestiniano. De uma maneira geral, quem é terrorista para uns é herói para os outros.
No ano lectivo passado, cerca de 30 professores, israelitas e palestinianos, usaram os manuais do PRIME. A adesão dos docentes ao projecto é voluntária e decorre à revelia dos respectivos ministérios da Educação. “Nós abordamos alguns professores e tentamos cativá-los para o projecto. Outros são abordados por colegas e outros ainda contactam-nos após ouvirem falar do projecto nos media”, explica Sami Adwan. “Tentamos recrutar os professores directamente. Não solicitamos aprovação às escolas ou aos ministérios para que os manuais façam parte dos currículos oficiais”. Segundo o palestiniano, seria pura perda de tempo, uma vez que não há condições políticas para que a resposta fosse positiva…
“Recordo-me de um professor palestiniano que, um dia, foi mandado parar num checkpoint israelita e sujeito a situações humilhantes durante duas horas. Depois dessa experiência abandonou o projecto”, diz. Nas aulas, a tarefa dos professores chega mesmo a ser irreal… Como explicar aos alunos que ‘o outro’ é igualmente sofredor ou é uma vítima à luz da História quando a realidade quotidiana o apresenta como o ocupante ou o terrorista? “Os alunos perguntam aos professores: ‘Porque nos ensina a narrativa do inimigo? Está a trair a nossa identidade nacional…’ Alunos e pais questionam a honestidade dos professores. Não é nada fácil, sobretudo porque estamos a lidar com emoções.”
Manual na língua hebraica
Até ao momento, o PRIME já publicou três manuais, que resultaram do trabalho conjunto de docentes e historiadores israelitas e palestinianos. “Para alguns professores palestinianos, é muito duro escrever as narrativas em conjunto com os israelitas, e vice-versa. Neste projecto, as pessoas sentam-se lado a lado e trabalham de uma forma simétrica. É muito diferente da política ou do quotidiano da rua, que são realidades completamente assimétricas…”
Sami Adwan admite sofrer pressões políticas no sentido de desistir do projecto, mas elege o financiamento como o grande desafio à sua continuidade. Um ano de actividades custa entre 250 e 300 mil dólares (entre 175 e 210 mil euros) e todas as ajudas são bem-vindas. A 20 de Julho passado, o PRIME foi galardoado — juntamente com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados — com o Prémio Internacional Calouste Gulbenkian. “Estamos muito gratos! Este dinheiro [50 mil euros] vai ajudar-nos muito no próximo ano, na organização de reuniões e na elaboração dos livros.”
Manual na língua árabe
Criado para aproximar israelitas e palestinianos, este projecto está a servir de inspiração noutras zonas em conflito. Na Macedónia, a Universidade de Skopje publicou um manual de história albano-macedónio seguindo o mesmo método. Sami Adwan espera que, um dia, essa seja a regra nas escolas israelitas e palestinianas.
ISRAEL MANDA APAGAR ‘NAKBA’
Em Julho, o Ministério da Educação de Israel ordenou que a palavra nakba fosse apagada dos manuais escolares usados pelas crianças árabes. Em árabe, nakba significa catástrofe e é desta forma que os habitantes da Palestina se referem à guerra de 1948 que se seguiu à expulsão de 750 mil palestinianos das suas terras e à independência de Israel. “A integração desta ideia nas aulas dos israelitas árabes (um quinto da população), há uns anos, constitui um erro que será corrigido nos próximos manuais”, afirmou o ministro Gideon Saar. “Não há razão para falarmos da criação de Israel como uma catástrofe. O objectivo do sistema educativo não passa por negar a legitimidade do nosso Estado nem por promover o extremismo entre israelitas e árabes”.
Artigo publicado no “Expresso”, a 12 de setembro de 2009
“Se israelitas e palestinianos não negociarem, a comunidade internacional deve apresentar uma proposta de acordo”, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros. Reportagem em Omã
De fato castanho, ao centro, Luís Amado participa na “foto de família” da cimeira UE-CCG, em Mascate MARGARIDA MOTA
O processo de paz para o Médio Oriente foi a principal preocupação expressa pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros diante dos seus homólogos da União Europeia (UE) e do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) hoje reunidos em Mascate.
“As negociações estão bloqueadas na sequência das alterações ocorridas no Governo israelita. Este ainda não confirmou as posições assumidas pelo Governo de Ehud Olmert em Annapolis relativas a uma solução para o processo de paz no Médio Oriente que passa pela criação de um Estado palestiniano”, afirmou Luís Amado ao “Expresso”, durante a pausa para almoço.
“É urgente relançar este processo. Se não for possível fazê-lo pela via das negociações entre as partes, então será necessário que a comunidade internacional assuma a responsabilidade de confrontar israelitas e palestinianos com uma proposta de acordo”, acrescentou.
Luís Amado falou ainda sobre as dificuldades que estão a inviabilizar a conclusão de um acordo de livre comércio entre UE e CCG, duas organizações de integração regional. “São sobretudo problemas que têm a ver com direitos de exportações e com o pilar político do acordo”, ou seja, questões como a democracia e os direitos humanos. “Temos pena de que não haja ainda a possibilidade da UE fechar o primeiro acordo inter-regional de livre comércio.”
De Omã, o ministro dos Negócios Estrangeiros português seguiu para o Kuwait onde na quinta-feira cumpre uma visita oficial a convite do seu homólogo, Mohammad Al-Sabah.
Criado em 1981, esta organização envolve seis países ribeirinhos ao Golfo Pérsico: Bahrain, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Segue um processo de integração regional económico e político que tem como referência a União Europeia.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 30 de abril de 2009. Pode ser consultado aqui
Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.