Trump disse que não afasta uma intervenção militar no país. Maduro pediu planos aos militares para quatro cenários
Investida a nova Assembleia Constituinte e acalmadas as ruas, o Presidente da Venezuela vira-se agora contra o homólogo norte-americano, Donald Trump, que recentemente não descartou uma intervenção militar dos EUA na Venezuela. “Pela primeira vez em 200 anos de República, um Presidente imperialista atreveu-se a ameaçar com um ataque militar”, disse, na quinta-feira, Nicolás Maduro durante uma reunião com generais do Exército, a quem pediu planos para quatro cenários possíveis de invasão norte-americana.
Maduro ordenou também um reforço da segurança junto à fronteira com a Colômbia. “Não podemos permitir uma única provocação, nem criar condições para que eles montem um falso positivo [do inglês “false flag”]”, isto é, um incidente forjado com o intuito, neste caso, de incriminar Caracas. No mesmo dia, pescadores do estado de Sucre (norte) participavam em exercícios militares, simulando um bloqueio ao canal de Guanta num cenário de “invasão imperialista”.
O cerrar fileiras de Caracas intensifica-se dentro de portas. Os sinais das estações colombianas Caracol Televisión e RCN foram eliminados esta semana da maioria dos canais por assinatura na Venezuela. “Enquanto jornalista, lamento muitíssimo o que se passou”, reagiu o Presidente colombiano, Juan Manuel Santos. “É mais uma demonstração por parte de um regime que não gosta de liberdades e que está a restringir as liberdades dos cidadãos.” Para o Nobel da Paz, Caracas “afastou-se do sistema democrático e atua, cada vez mais, como uma ditadura”.
Na Colômbia está refugiada a ex-procuradora Luisa Ortega, afastada por Maduro no início do mês e que diz ter em sua posse documentos que implicam o Presidente e dezenas de aliados em crimes de corrupção relacionados com a construtora brasileira Odebrecht. Esta semana, num encontro com procuradores brasileiros, em Brasília, Ortega entregou parte dos documentos, prometendo fazer o mesmo em Espanha, na Colômbia e nos EUA.
Os números da repressão
Ontem, a organização Foro Penal Venezolano divulgou um relatório sobre a repressão das manifestações. “De 1 de abril a 31 de julho, morreram 133 pessoas no contexto das manifestações. Destas, 101 foram assassinadas nos protestos. Houve pelo menos 4000 feridos e 5051 prisões arbitrárias.”
Um dos detidos, entretanto libertado, é Wuilly Arteaga, o violinista famoso por nunca parar de tocar durante os protestos. Em entrevista ao espanhol “El País”, disse que vai continuar a lutar nas ruas. “A Venezuela já não é uma democracia. Começaram a tirá-la de nós há 18 anos, quando Chávez chegou ao poder”.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 26 de agosto de 2017. Pode ser consultado aqui
Uma semana após escreverem uma “carta aberta” a Donald Trump pedindo-lhe que retirasse as tropas do Afeganistão, os talibãs ouviram o Presidente dos EUA decidir exatamente o oposto — um reforço do contingente. “Enquanto houver um soldado norte-americano no nosso país, continuaremos a nossa jihad”, reagiu um porta-voz talibã
Donald Trump foi contido em pormenores no seu discurso sobre a nova estratégia dos Estados Unidos para o Afeganistão. Mas para os talibãs bastaram as linhas gerais. “Se a América não retirar as suas tropas do Afeganistão, em breve o Afeganistão tornar-se-á mais um cemitério para esta superpotência do século XXI”, ameaçou esta terça-feira Zabiullah Mujahid, porta-voz dos talibãs.
Os Estados Unidos estão militarmente envolvidos no Afeganistão desde outubro de 2001. Esta é, para os norte-americanos, a guerra mais duradoura de sempre. Presentemente, estão ali destacados cerca de 8400 militares norte-americanos. Sem adiantar números, Donald Trump anunciou que esse contingente irá ser reforçado — a imprensa fala em 3900 novos efetivos. “Um desperdício de vidas”, disse Zabiullah Mujahid. “Enquanto houver um soldado norte-americano no nosso país, continuaremos com a nossa jihad.”
Na semana passada, os talibãs tinham endereçado uma “carta aberta” ao Presidente dos Estados Unidos, denunciando que, ao fim de 16 anos de guerra — onde os EUA chegaram a ter destacados 100 mil militares —, “o Afeganistão tornou-se mais instável, mais corrupto e economicamente mais pobre”.
“A razão por detrás de tudo isto prende-se com a invasão estrangeira que está a ser usada para subjugar a vontade da nossa orgulhosa nação afegã. A nossa integridade nacional está a ser despojada e as chaves do poder estão a ser entregues a indivíduos cujos rostos estão entre aqueles que causam mais repulsa, os mais miseráveis e odiados na sociedade afegã dada a sua subserviência aos estrangeiros.”
Por tudo isto, na carta, os talibãs aconselhavam Trump a “adotar a estratégia de uma retirada completa do Afeganistão em vez de um aumento de tropas”.
Antes de ser eleito Presidente, Donald Trump sempre defendeu a retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão. Chegado à Casa Branca, mudou de ideias, justificando que tal criaria um vácuo que seria imediatamente ocupado por grupos como a Al-Qaeda e o autodenominado Estado Islâmico (Daesh).
Quase 16 anos após o 11 de Setembro, a guerra desencadeada pelos EUA no Afeganistão — em legítima defesa contra o regime talibã que dava guarida à Al-Qaeda de Osama bin Laden — está, pois, longe do fim. A 13 de junho passado, o secretário norte-americano da Defesa, James N. Mattis, afirmava no Senado: Os EUA “não estão a ganhar no Afeganistão”. E acrescentava: “Vamos corrigir esta situação assim que possível”.
Segundo o último relatório trimestral do Inspetor Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão (SIGAR), divulgado em inícios de agosto, dos 407 distritos afegãos, o Governo de Cabul controla apenas 59.7%. O restante território é controlado ou disputado por forças rebeldes, sobretudo pelos talibãs.
À AFP, um comandante talibã não identificado acusou Donald Trump de perpetuar o “comportamento arrogante” de alguns antecessores, como George W. Bush. “Ele está apenas a desperdiçar soldados americanos. Nós sabemos como defender o nosso país. Nada vai mudar. Temos travado esta guerra ao longo de gerações, não temos medo, estamos frescos e vamos continuar com esta guerra até ao nosso último suspiro.”
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 22 de agosto de 2017. Pode ser consultado aqui
Alvo de um bloqueio político, o Qatar contra-ataca com o futebolista mais caro de sempre
O Qatar é um caso de persistência nas manchetes internacionais. Em inícios de junho, o pequeno emirado ribeirinho ao Golfo Pérsico foi notícia dias a fio após ser alvo de um bloqueio diplomático e comercial — que ainda dura — decretado por quatro ‘irmãos’ árabes (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Egito). Há poucas semanas, arrebatou noticiários nos quatro cantos do mundo ao estar por detrás da contratação mais cara da história do futebol — a do brasileiro Neymar, comprado ao Barcelona pelo Paris Saint-Germain (PSG), propriedade de um fundo soberano do Qatar, por 220 milhões de euros.
“Nem tudo o que está relacionado com o Qatar está relacionado com política. Mas penso que, neste caso, é justo estabelecermos uma ligação dessa natureza”, diz ao Expresso David B. Roberts, investigador no King’s College, de Londres. “Neste contexto, em que o Qatar é alvo de um bloqueio pouco usual e bastante difícil e a imprensa dos países que se opõem ao Qatar tem promovido uma imagem muito negativa do emirado, dizendo, por exemplo, que apoia terroristas, é perfeitamente plausível que os qataris estivessem interessados em promover esta transferência, para beneficiar de dias, semanas a fio de manchetes demonstrativas de uma mentalidade muito mais positiva.”
O PSG está nas mãos do Qatar desde 2011, quando a Qatar Sports Investments adquiriu 70% do clube francês. Nasser Al-Khelaifi, membro da família real do Qatar, subiu à presidência, contratou o sueco Zlatan Ibrahimovic ao Milan e logo o seu reinado começou a dar frutos: o PSG foi tetracampeão da Ligue 1 entre 2012 e 2016. O ‘penta’ foi-lhe roubado na época passada pelo Mónaco, treinado por Leonardo Jardim.
“O PSG é apenas uma peça de uma campanha mais abrangente de soft power”, diz o professor Roberts, referindo-se à capacidade de influência de um Estado através da ideologia ou da cultura (e não das armas). “Quanto dinheiro é gasto, todos os anos, pela Coca-Cola e pela Pepsi em publicidade em todo o lado? Às vezes não percebemos porque patrocinam determinado torneio de futebol ou até um jogador e o que ganham com isso. Mas toda a grande empresa no mundo gasta milhões em publicidade por alguma razão. É isso que o Qatar está a fazer também.”
Do boxeur Ali ao FIFA 2022
Esta estratégia de afirmação fora de portas através do desporto é, aliás, tão antiga quanto o próprio país. Em 1971, ano em que se tornou independente do Reino Unido, o Qatar recebeu o mediático pugilista Muhammad Ali, que realizou um combate de exibição ao ar livre no Estádio de Doha. Desde então, o país já acolheu quase de tudo, desde torneios de topo de ténis e golfe a competições de desportos motorizados e meetings de atletismo. Em 2006, a capital, Doha, recebeu os Jogos Asiáticos, uma versão regional dos Jogos Olímpicos.
Mas é o futebol, o desporto mais popular no país, que tem justificado grandes eventos. Em 1988, o Qatar organizou a Taça Asiática, o correspondente regional do Campeonato Europeu, que repetiu em 2011. Em 1995, acolheu o Campeonato do Mundo de Sub-20 (em que Portugal foi terceiro). Em 2014, o Estádio Jassim Bin Hamad, em Doha, foi palco da… Supertaça italiana, entre a Juventus e o Nápoles. Em 2022 será colocada a cereja no topo do bolo, com a realização do Mundial da FIFA.
De permeio, por intermédio da Qatar Sports Investments — a mesma que comprou o PSG —, passou a patrocinar o FC Barcelona, um dos clubes mais mediáticos do mundo, primeiro através da Qatar Foundation (2011-2013) e depois da Qatar Airways (2013-2017). Curiosamente, desde 2013 que o patrocinador principal do grande rival do Barça, o Real Madrid, é a companhia aérea Emirates, dos Emirados Árabes Unidos, um dos protagonistas do bloqueio em curso ao Qatar.
Gastar quantias avultadas no desporto não é, pois, algo de novo para o emirado. “O Qatar tem muito dinheiro. É o país mais rico do mundo em termos per capita”, diz David B. Roberts, recordando que o país tem pouco petróleo mas partilha com o Irão o maior campo de gás do mundo. “Um Estado aplica aquilo que tem. O que é que a Coreia do Norte tem? Tem ambição nuclear e armas de longo alcance. O Qatar tem essencialmente instrumentos financeiros, e está a aplica-los.”
Muito dinheiro para gastar
Obrigado a acatar 13 exigências para ver o bloqueio por terra, mar e ar levantado — entre as quais o corte de relações com o Irão (“O Qatar não pode ter uma má relação com o Irão. Têm uma relação pragmática”, defende Roberts) —, o negócio Neymar é uma jogada de contra-ataque. “O Qatar é muito resiliente, tem aliados internacionais importantes e muito dinheiro para gastar”, diz o autor do livro “Qatar: Securing the Global Ambitions of a City-state” (2017). “Mas esta crise vai-lhe sair extremamente cara, porque vai ter de reformular a origem da grande maioria das importações. Sim, podem vir do Irão ou, provavelmente, da Turquia, isso já está a acontecer, mas vai-lhe sair muito caro. É um preço que o Qatar está disposto a pagar. Eles dizem: ‘A soberania não tem preço. Para fazermos o que queremos, temos de pagar por isso.’”
No domingo passado, a Qatar Ports Management Co. anunciou a abertura de uma nova rota de navegação entre o seu porto de Hamad e o porto paquistanês de Karachi, visando contornar dificuldades impostas pelo bloqueio. Para David B. Roberts, o desfecho desta crise demorará anos, não meses.
Até lá, em campo, Neymar provará (ou não) se a fortuna que custou teve retorno. Para já, o Qatar não podia estar mais satisfeito. O brasileiro estreou-se pelo PSG no passado domingo, à segunda jornada da Ligue 1, no campo do Guingamp. Marcou um golo, participou nos outros com que o PSG venceu e foi considerado “o homem do jogo”. No final, afirmou: “As pessoas pensam que deixar o Barça é morrer, mas é o contrário, estou mais vivo do que nunca.” E com os bolsos incomparavelmente mais cheios também.
Artigo publicado no “Expresso”, a 19 de agosto de 2017 e republicado no “Expresso Online” no mesmo dia. Pode ser consultado aqui
Termina esta quarta-feira o prazo dado pelo regime de Nicolás Maduro para a entrada em funções da Assembleia Constituinte eleita no domingo — de forma fraudulenta, acusa a oposição. Desafiantes, na Assembleia Nacional, os deputados prosseguem com os trabalhos, “protegidos” por visitas diárias de embaixadores estrangeiros
O tempo corre nervoso na Venezuela. O prazo de 72 horas para instalação da nova Assembleia Constituinte, anunciado após o fecho das urnas, no domingo, por Diosdado Cabello, o nº 2 do regime de Nicolás Maduro, termina esta quarta-feira.
“As mesas fecharam às seis da tarde. O resultado foi anunciado às onze da noite. Supostamente, o prazo termina hoje”, explica ao Expresso o luso-venezuelano Elio Pestana, de 43 anos. “Diosdado Cabello disse: ‘Não temos pressa’. Mas como eles fazem tudo à revelia e a altas horas da noite, pode ser em qualquer altura.”
O que se passará em Caracas, no Palácio Federal Legislativo, onde funciona a Assembleia Nacional, eleita democraticamente em 2015 — e onde a oposição é maioritária —, é uma incógnita. “Ontem, grupos armados chegaram ao portão, começaram aos gritos e foram-se embora. Não houve tiros, nem foguetes. Mostraram os dentes e foram-se embora. A situação limite vai ser quando terminar o prazo das 72 horas”, diz este luso-venezuelano, nascido na Venezuela e residente no Porto há 16 anos.
“Ontem, os deputados democraticamente eleitos tiveram a sorte de serem acompanhados por alguns embaixadores”, do Reino Unido, França, Espanha e México. “Infelizmente Portugal não esteve lá”, lamenta Elio Pestana. “Os deputados conseguiram realizar uma sessão normal da Assembleia porque essas personalidades estavam lá.”
“As democracias do mundo acompanham o povo venezuelano e demonstram-no a partir de cá, da Assembleia Nacional. Mais de 40 países desconhecem a Constituinte fraudulenta de Maduro. Não estamos sós nesta luta”, afirmou Julio Borges, Presidente do Parlamento venezuelano.
Já esta quarta-feira, os trabalhos legislativos da parte da manhã foram acompanhados, pelo menos, pelo embaixador da Argentina. E em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos silva, afirmou que Portugal não reconhece a nova Assembleia Constituinte, que qualificou “um passo negativo do processo”.
A presença de diplomatas estrangeiros no Parlamento torna uma eventual tomada pela força do local mais difícil de acontecer — Caracas não vai querer arriscar um conflito diplomático. “Eu conheço o local, era um antigo convento”, diz Elio Pestana. “Há dois espaços: o salão Elíptico, mais cerimonial para datas especiais, e a câmara onde decorrem as sessões parlamentares. Se eles quiserem impor a Constituinte e evitar a violência, podem usar esse outro espaço. Se quiserem funcionar no mesmo espaço da Assembleia democrática, vai haver muita confusão… O meu medo são os militares que fazem a guarda ao sítio. Que posição vão ter?”
Esta quarta-feira, a empresa venezuelana Smartmatic, que desde 2004 tem monitorizado os atos eleitorais no país, fez saber que apurou, “sem qualquer dúvida, que a participação na recente eleição para uma Assembleia Nacional Constituinte foi manipulada”, afirmou a partir de Londres o CEO da empresa, Antonio Mugica, acrescentando: “Estimamos que a diferença entre a real participação e aquela anunciada pelas autoridades [mais de oito milhões de votos, 41,53% do eleitorado] é de pelo menos um milhão de votos”.
Esta notícia irrompeu pelos corredores e tomou os trabalhos da sessão da Assembleia Nacional que se iniciou eram cerca de 15 horas em Portugal Continental. Então, o deputado Stalin González pediu a palavra e propôs como ponto único da ordem do dia “a discussão sobre as declarações da Smartmatic”. Foi aprovado — sem notícias de agitação no exterior do Parlamento.
Artigo publicado no “Expresso Diário”, a 2 de agosto de 2017. Pode ser consultado aqui
De três em três meses, o Congresso dos Estados Unidos recebe um relatório sobre o Afeganistão. O mais recente foi divulgado esta terça-feira e aponta para um aumento constante do número de baixas entre as forças afegãs e uma percentagem preocupante de território ameaçado pelos talibãs
Todos os dias morrem no Afeganistão, em média, 20 soldados e polícias. O número decorre dos dados revelados pelo novo relatório trimestral do Inspetor Geral Especial para a Reconstrução do Afeganistão (SIGAR), divulgado esta terça-feira.
Entre 1 de janeiro e 8 de maio, foram mortos 2531 efetivos das forças de segurança afegãs e 4238 ficaram feridos. “Segundo o Departamento de Defesa [dos EUA], desde que as Forças de Defesa e Segurança Nacionais do Afeganistão assumiram o controlo operacional, em janeiro de 2015 [anteriormente assegurado pelas forças internacionais da ISAF], o número de baixas tem aumentado constantemente”, lê-se no relatório, “com as forças envolvidas em patrulhas e nos ‘checkpoints’ especialmente vulneráveis.”
Na semana passada, na província de Kandahar (sul), pelo menos 26 soldados foram mortos quando o posto de controlo em que estavam foi atacado por talibãs.
À espera da “estratégia Trump”
A 13 de junho passado, o secretário norte-americano da Defesa, James N. Mattis, afirmou no Senado que os Estados Unidos “não estão a ganhar no Afeganistão, neste momento”. E acrescentou: “Vamos corrigir esta situação assim que possível”.
Então, a imprensa norte-americana deu conta de planos para um aumento do número de tropas norte-americanas no Afeganistão em cerca de 4000 efetivos — atualmente os EUA têm no país mais de 8000. A medida não foi confirmada, como também ainda não foi divulgada uma “estratégia Trump” para o Afeganistão.
“O ano passado foi um bom ano para os talibãs, e eles estão a tentar que este também o seja”, disse o secretário Mattis no Senado.
Segundo o relatório do SIGAR, dos 407 distritos afegãos, o Governo controla 59.7%, percentagem semelhante à do trimestre anterior. O restante território é controlado ou disputado por forças rebeldes, sobretudo pelos talibãs, nas províncias de Helmand, Kandahar, Uruzgan e Zabul, no sul, e em Kunduz, no norte.
O relatório recorda que, desde 2001, os Estados Unidos já gastaram no Afeganistão 714 mil milhões de dólares (607 mil milhões de euros), com operações de combate e projetos de reconstrução.
O SIGAR é uma agência governamental que emana do Congresso dos Estados Unidos. O atual detentor do cargo é John F. Sopko, nomeado pelo ex-Presidente Barack Obama.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 1 de agosto de 2017. Pode ser consultado aqui
Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.