As urnas encerraram às 20 horas locais. A primeira sondagem avançada pela estação pública de televisão dá a vitória ao candidato socialista
Os espanhóis disseram de sua justiça e elegeram José Luis Rodríguez Zapatero para presidir ao Governo espanhol, no mandato 2008-2012.
Segundo uma sondagem à boca das urnas divulgada pela TVE em cima do encerramento das mesas de voto, o candidato do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) venceu as eleições legislativas de hoje com 45% dos votos, podendo conseguir a maioria absoluta. O Partido Popular de Mariano Rajoy não foi além dos 38,6%.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 9 de março de 2008. Pode ser consultado aqui
Manchete da edição do “El País” de 10 de março de 2008
O “Euskadi” existe para lá da ETA, mas os espanholistas podem ganhar. Reportagem no País Basco
Quadro pendurado no bar ‘Bizkaia Bi’, no Casco Viejo de Bilbau MARGARIDA MOTA
“Deus só criou uma equipa perfeita — o Athletic Club de Bilbau. Às restantes, encheu-as de estrangeiros”. O quadro pendurado na parede do bar ‘Bizkaia Bi’, no Casco Viejo de Bilbau (Bilbo, em basco), não passa despercebido a quem entra. A época desportiva não está a correr bem ao clube mais popular do País Basco, mas a política de não contratação de jogadores não-bascos, que vigora desde a fundação (1898), não sofre a mínima contestação por parte dos sócios: “A direcção pensou nisso, mas 70% dos adeptos não querem estrangeiros”, diz José, enquanto pica um “pintxo” (a tapa basca). “Para quê, se temos jogadores da terra?”, contrapõe o amigo Ramon, antes de tragar um gole de “txacoli” (uma versão basca de vinho verde).
Não é a fobia aos estrangeiros que norteia a “afición” do Athletic, mas antes a paixão pela cultura basca, um sentimento comum a 2,1 milhões de habitantes da região dotada do estatuto autonómico mais generoso de toda a Espanha.
O País Basco (Euskadi) tem um governo (Eusko Jaurlaritza), presidido por um “lehendakari”, tem um Parlamento (Eusko Legebiltzarra) e uma Polícia (Ertzaintza). Porém, a pedra angular do estatuto — que não tem catalães ou galegos — é o “Concierto Económico”, que permite às autoridades locais redistribuírem os impostos que recolhem.
Cartaz de campanha do Partido Nacionalista Basco MARGARIDA MOTA
Durante a campanha eleitoral, os cartazes do Partido Nacionalista Basco (PNV) — que dirige o Governo local desde há 25 anos — fizeram gala da prosperidade económica decorrente desse privilégio: “Somos os quartos da Europa em rendimento per capita”, lia-se num; “Hong Kong, Japão, Islândia, Suíça e Euskadi. Os quintos do mundo em esperança de vida”, dizia outro. Mas a vitória do PNV em terras bascas não é certa amanhã, o que, a acontecer, seria simbólico numa região onde 55% do eleitorado vota, tradicionalmente, em partidos nacionalistas (democráticos ou radicais) e 45% nos espanholistas.
“Nestas eleições, é muito provável que sejam os socialistas a ganhar no País Basco”, diz Gorka Landaburu, director da revista ‘Cambio 16’, sediada em San Sebastián (Donostia). “O PNV tem vindo a baixar eleições atrás de eleições. As pessoas estão cansadas e querem soluções, querem resolver os problemas de trabalho, das casas…”, diz.
Em 2001, este jornalista de 55 anos escapou por milagre à violência da ETA. Sabia que era um alvo, mas não criou resistências a abrir a correspondência que lhe mandavam para casa. Um dia, uma carta com 150 gramas de dinamite explodiu-lhe à frente. “Destroçaram-me as mãos, deixaram-me cego do olho esquerdo, mas cometeram um grande erro: não me cortaram a língua”, diz. “A ETA tem de deixar as armas. Mas não está madura para tomar a decisão mais importante da sua vida”.
Missa na Basílica de Santa Maria de Begoña, em Bilbau MARGARIDA MOTA
É domingo e a Basílica de Santa Maria de Begoña, em Bilbau, enche-se para a missa das 10 horas — rezada em basco (euskera) e em castelhano. A liturgia invoca as rivalidades bíblicas entre judeus e samaritanos e o padre Jesus aproveita para fazer a ponte para a realidade basca: fala de “duas jóias culturais que há que manter, a cultura basca e a castelhana”, e da necessidade de evitar o domínio de uma sobre a outra.
Artigo publicado no “Expresso”, a 8 de março de 2008
O candidato socialista impôs-se ao rival popular no último debate televisivo, na segunda-feira à noite. Zapatero apresentou mais propostas para o futuro, Rajoy repetiu acusações
Era o teste final para os dois candidatos à presidência do Governo de Espanha e Rodriguez Zapatero impôs-se largamente a Mariano Rajoy. É a conclusão que resulta de duas sondagens divulgadas menos de meia hora após o fim do segundo e último cara-a-cara antes das eleições de domingo: Zapatero foi o preferido para cerca de 50% dos telespectadores e apenas 29% preferiram Rajoy.
Durante quase duas horas, os dois candidatos repetiram muitas ideias e acusações do primeiro embate, mas foi Zapatero quem, por mais vezes, fixando as câmaras de televisão, se dirigiu aos espanhóis com propostas concretas para a próxima legislatura: o pleno emprego com a criação de 2 milhões de novos empregos (1,2 milhões dos quais para as mulheres), a subida do salário mínimo para os 800 euros e três reuniões com os presidentes das comunidades autonómicas para debaterem três grandes desafios da sociedade espanhola: a violência de género, as alterações climáticas e a educação.
Por seu lado, Mariano Rajoy insistiu em acusações à “performance” do governo de Zapatero, designadamente o descontrolo da política de imigração, o aumento do preço de produtos básicos de consumo e acusou o líder socialista de ter mentido aos espanhóis ao negociar com a ETA após o atentado no aeroporto de Barajas. Falou pouco do seu programa para Espanha e não soube defender-se quando Zapatero o acusou de ter apoiado a guerra no Iraque.
Os espanhóis decidirão no próximo domingo.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 4 de março de 2008. Pode ser consultado aqui
Um artefacto explodiu ontem junto a uma sede socialista no País Basco. Não houve vítimas, mas a ETA já veio hoje reivindicar o atentado, demonstrando que continua activa. Reportagem no País Basco
“ETA não”, pede-se num edifício de Bilbau MARGARIDA MOTA
A organização terrorista basca ETA reivindicou a explosão, hoje de madrugada, de um artefacto junto à Casa do Povo de Derio, onde funciona a sede do Partido Socialista Basco. O ataque apenas provocou estragos, uma vez que foi antecipado por uma chamada telefónica para o 112, em nome da ETA, alertando para a iminência da explosão, o que possibilitou a evacuação do local.
A confirmar a operacionalidade da ETA, a Confederação Empresarial Basca (Confebask) anunciou ontem que vários empresários bascos receberam novas cartas de extorsão enviadas pela organização terrorista, exigindo o pagamento do chamado “imposto revolucionário”. A Confebask diz que esta prática chantagista tem sido uma constante nos últimos meses.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 29 de fevereiro de 2008. Pode ser consultado aqui
Perante as sondagens que continuam renhidas, PP e PSOE começaram a jogar os seus principais trunfos. Felipe González e José Maria Aznar entraram ontem em campanha
A pouco mais de uma semana das eleições em Espanha, os dois principais partidos fizeram subir ao palco das acções de campanha dois dos seus mais destacados “senadores”— os ex-Presidentes de Governo Felipe González e José Maria Aznar.
Ontem à noite, num “mitin” do PSOE em Málaga, Felipe González acicatou ainda mais os ânimos ao acusar Mariano Rajoy de ser “um imbecil” por se considerar “mais moderado e razoável” do que Zapatero. Aznar, por sua vez, surgiu num comício do PP nas Astúrias, tendo previstas mais duas intervenções públicas até ao final da campanha, em Madrid (dia 1) e Múrcia (dia 4).
Segundo a última sondagem, divulgada hoje de manhã, o PSOE de Zapatero lidera as intenções de voto com 44,1%. O PP de Rajoy segue nos calcanhares com 38,8%.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 29 de fevereiro de 2008. Pode ser consultado aqui
Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.