Sim, estamos todos a olhar para as eleições nos EUA, mas será que conhecemos realmente a Europa?

Por estes dias, estamos todos de olhos postos nas eleições nos Estados Unidos. Mas deste lado do Atlântico, com águas menos agitadas, nem sempre os Estados estão unidos em volta do mesmo propósito. União Europeia, Espaço Schengen, Zona Euro, Conselho da Europa, EFTA, Espaço Económico Europeu: são múltiplas as organizações em que se arrumam os países europeus. Nem sempre é fácil perceber o que é a Europa. 2:59 JORNALISMO DE DADOS PARA EXPLICAR O PAÍS

À beira-mar plantado, na ponta ocidental da Europa, Portugal é o ponto de partida ideal para uma aventura à descoberta da Europa.
Mas a que nos referimos exatamente quando falamos de Europa?

No vasto espaço que vai do Atlântico aos Urais – a fronteira natural entre a Europa e a Ásia –, há múltiplas estruturas políticas e económicas que muitas vezes se sobrepõem. Nem sempre é fácil perceber o que é a Europa, e isto para nós que cá vivemos, imagine-se para os outros.

Comecemos pela União Europeia, o projeto de integração regional mais bem-sucedido em todo o mundo.
Nasceu em 1957 e alargou-se muito. Mas em 2020, pela primeira vez na sua história, um Estado-membro decidiu percorrer o caminho inverso e saiu da União Europeia.

A organização voltou a ter 27 membros, mas nem todos se relacionam com o espaço comunitário da mesma forma.

Há oito, por exemplo, que não fazem parte da Zona Euro. Não adotaram o Euro e continuam a usar as suas moedas nacionais.

Cinco não fazem parte do Espaço Schengen, que permite, por exemplo, que um português vá por terra até à Estónia sem ver o seu passaporte controlado.

Mas, ao mesmo tempo, há países que fazem parte da Zona Schengen e que não são membros da União. Estes quatro constituem outro bloco económico no seio do continente: a EFTA, Associação Europeia de Comércio Livre.

Ora, com duas áreas económicas vizinhas e sem sinais de conflito entre os seus membros, a interação entre ambas aconteceu com muita naturalidade. E em 1994, nasceu o Espaço Económico Europeu, uma área de liberdade de circulação de pessoas, bens, serviços e capitais, de que fazem parte quer os países da União Europeia, quer os da EFTA, com uma exceção: a Suíça.

No Velho Continente, a organização local mais abrangente é o Conselho da Europa. É a instituição europeia mais antiga e a principal defensora dos direitos humanos na região. Atualmente é composta por 47 países.

Ora, 28 membros deste Conselho da Europa fazem também parte da NATO. A Aliança política e militar é, aliás, essencialmente europeia já que para além dos membros do Velho Continente conta com apenas a participação de mais dois países, do outro lado do Atlântico.

Se sobrepusermos a esta Europa extensa o mapa das Nações Unidas, constatamos que apenas um país europeu não faz parte da mais universal das organizações. É dos territórios mais pequenos do continente e dos que tem maior potencial de conflito: chama-se Kosovo. A sua independência é reconhecida por mais de 100 países, mas dentro da União Europeia nem todos lhe atribuem esse estatuto.

Quando falamos de Europa, é natural que falemos muito de União Europeia. Mas a Europa é muito mais que isso. Fique a pensar no assunto.

Episódio gravado por Martim Silva.

(IMAGEM Mapa do continente europeu, do Atlântico aos Urais ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA)

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 5 de novembro de 2020. Pode ser consultado aqui

“Se Joe Biden ganhar tem de agradecer aos republicanos conservadores”

A campanha eleitoral nos Estados Unidos chega ao fim esta segunda-feira com as sondagens a preverem a vitória de Joe Biden e os comícios de última hora a mostrarem um Donald Trump fresco e combativo. Ao Expresso, um consultor de comunicação analisa as campanhas democrata e republicana e identifica qual foi a novidade desta corrida em termos de comunicação política

Republicanos (à esquerda) e democratas IMAGEM

Donald Trump e Joe Biden cumprem esta segunda-feira o seu último dia de campanha. Chega ao fim uma corrida atípica, marcada pela pandemia que atingiu os Estados Unidos como nenhum outro país e também tensa, pela incerteza do resultado final e pelos receios em relação ao que se seguirá numa América profundamente dividida e radicalizada.

Se Joe Biden, nesta reta final, tem contado com o apoio do “irmão” Barack Obama — um dos Presidentes mais populares de sempre, com quem Biden fez dupla na Casa Branca entre 2009 e 2017 —, Donald Trump surge como um homem cada vez mais só. Com sondagens adversas, o 45º Presidente tem-se mostrado enérgico e combativo, mas em palco surge sem a companhia das grandes figuras do Partido Republicano, rodeado apenas pela família.

“Trump está como sempre foi. A organização de toda a sua equipa, de toda a gente que o rodeia, tem uma lógica um pouco mafiosa, não no sentido criminoso da palavra, mas no sentido da importância que a família assume. Se olharmos para estes quatro anos de mandato, quais são os elementos estáveis dentro do seu círculo de confiança? A família”, comenta ao Expresso Alexandre Guerra, mestre em Ciência Política e assessor de imprensa de Pedro Santana Lopes entre 2010 e 2017.

“No círculo de poder de um político, nomeadamente do Presidente dos EUA, há cargos que têm particular importância pela confiança de proximidade e pelo acesso que têm ao Presidente: o diretor de comunicação, o assessor de imprensa, o chefe de gabinete e assessores próximos. Estas pessoas são sempre muito próximas do líder político.”

Em relação ao diretor de comunicação, por exemplo, Trump vai no oitavo em quatro anos, enquanto Barack Obama teve cinco em dois mandatos e George W. Bush quatro. Ao nível do porta-voz da Casa Branca, já teve quatro, enquanto Obama teve cinco em dois mandatos e George W. Bush quatro.

“Trump é daqueles políticos que não fomentam a estabilidade de equipa. É um líder que, naturalmente, começa só e acaba só”, continua Alexandra Guerra, que é ainda autor do livro “A política e o homem pós-Humano” (Alêtheia, 2016) (atualmente é assessor de imprensa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa). “Isso é revelador da sua própria incapacidade em desenvolver relações de trabalho e criar relações de lealdade com os assessores mais próximos.”

Não por acaso, o 45º Presidente escolheu e privilegiou como canal preferencial de comunicação com o povo norte-americano o Twitter, onde tem mais de 87 milhões de seguidores. Ao disparar tweets “contorna todo aquele staff que existe para proteger o Presidente em tempos normais mas que ele nunca considerou”, aponta Alexandre Guerra.

Com Trump a atuar fora dos cânones da comunicação política tradicional, à semelhança do que já fizera na campanha de 2016, Alexandre Guerra considera que a grande novidade desta campanha aconteceu… fora das duas candidaturas.

“Em termos de comunicação política, não se retira muito de novo desta campanha”, diz. “Barack Obama trouxe sobretudo o contacto direto com os eleitores: os SMS, as redes sociais. Trump, em 2016, trouxe o seu estilo, que desafiava os cânones instituídos e os métodos e dinâmicas de trabalho entre aquilo que é uma equipa de comunicação política e o Presidente, por um lado, e entre o Presidente e os canais tradicionais de comunicação política, por outro”.

O que a corrida de 2020 traz de inédito é o facto de “haver republicanos, muitos deles antigos estrategos do Partido, que de uma forma muito afirmativa e assumida estão a fazer campanha pelo candidato democrata”, destaca. “O verdadeiro republicano conservador, que faz aquilo que acha que é melhor para a América, gosta de Ronald Reagan, não gosta de Donald Trump.”

Alexandre Guerra destaca duas iniciativas: o Lincoln Project (Projeto Lincoln) e o movimento Republican Voters Against Trump (Eleitores Republicanos Contra Trump). “Estes dois projetos são uma novidade. A comunicação é extremamente bem feita, por profissionais com experiência na área da comunicação política, muitos deles com anos de campanhas no campo republicano. Conseguiram criar uma dinâmica.”

O Projeto Lincoln inspira-se na figura do 16º Presidente, Abraham Lincoln, que liderou o país durante os anos mais sangrentos e desunidos da História dos EUA — os da guerra civil (1861-1865). Foi elaborado por autodenominados “americanos dedicados” que querem “proteger a democracia”: “Os fundadores do projeto Lincoln passaram mais de 200 anos a eleger republicanos. Mas agora desencadearam um movimento nacional com uma única missão: derrotar Donald Trump e o Trumpismo”, declaram no sítio na Internet do projeto.

Na mesma linha, os Eleitores Republicanos Contra Trump assumem-se como um movimento que representa “republicanos, ex-republicanos, conservadores e ex-eleitores de Trump que não podem apoiar Trump para Presidente neste outono”.

“Não há memória de isto ter acontecido anteriormente de forma tão sistematizada e organizada”, comenta Alexandre Guerra. “Há vários movimentos republicanos que se organizaram para salvar o Partido Republicano e salvar aquilo que são os valores da América – e ao fazerem-no acabaram por se colocar ao serviço do candidato democrata. É uma coisa totalmente inédita”, diz.

“Estes republicanos assumem claramente que não votam Trump. Vão fazer um voto patriótico em Joe Biden. Se Biden ganhar tem de agradecer aos republicanos conservadores.”

Analisando a estratégia democrata, o consultor de comunicação não se mostra particularmente impressionado com a campanha de Joe Biden e Kamala Harris. “Não tem sido muito entusiasmante. Faltaram pesos-pesados à equipa de candidatura que pensassem política e comunicação política e delineassem uma campanha que, desde o início, atacasse forte Donald Trump. Faltou um James Carville (que trabalhou com Bill Clinton), um David Axelrod (que ajudou Barack Obama), um Karl Rove (que assistiu George W. Bush), um Alastair Campbell (que foi o estratego de Tony Blair, no Reino Unido)”, recorda.

Alexandre Guerra enumera mesmo alguns “erros de principiante” que acharia impossível de acontecer numa campanha presidencial norte-americana. “No primeiro debate, Biden chamou ‘palhaço’ ao Presidente dos EUA. Também a forma como ele foi vestido: ele é branco, tem cabelo branco e levou uma gravata branca e preta, o que lhe deu um ar abatido e envelhecido. E levou um lenço do lado esquerdo do fato, que é algo que muito eleitorado que ele tem de conquistar, mais rural e menos sofisticado, acha presunçoso e um tique de aristocrata.”

Porém, escaldados com a campanha de há quatro anos, que não impediu a vitória do inexperiente Trump contra a superpreparada Hillary Clinton, os democratas tentaram agora aprender com os erros. “Perceberam que tinham de lutar até ao fim, até ao último dia, independentemente das sondagens”, diz Alexandre Guerra.

“Esta preocupação foi expressa num memorando enviado [no mês passado] pela diretora de campanha, Jennifer O’Malley Dillon, a apoiantes e doadores do Partido Democrata, onde dizia claramente: ‘Não se fiem no que dizem as sondagens e os analistas. Este é um combate até ao fim. Não subestimem o adversário’. Foi um memo muito certeiro e revelador da preocupação que existe na campanha de Biden para que não se cometam os mesmos erros da campanha de Hillary, que ganhou o voto popular mas não ganhou nos sítios certos.”

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 2 de novembro de 2020. Pode ser consultado aqui

Trump: 25 tweets polémicos

Escolheu o Twitter como megafone para os seus mais de 87 milhões de seguidores. Em menos de 280 carateres, Trump ameaçou países, insultou adversários e demitiu colaboradores

No lindo Midwest, as temperaturas geladas estão a chegar aos 60 graus negativos, o mais frio alguma vez registado. Nos próximos dias, é esperado ainda mais frio. As pessoas não podem ficar fora mesmo durante minutos. Que raio se passa com o Aquecimento Global? Por favor, volta depressa, nós precisamos de ti!

Devíamos ter um concurso para saber qual das estações de televisão, incluindo a CNN mas não a Fox, é a mais desonesta, corrupta e/ou distorcida na sua cobertura política ao vosso Presidente favorito (eu). São todas más. A vencedora recebe o TROFÉU NOTÍCIAS FALSAS!

Mike Pompeo está a fazer um grande trabalho, tenho muito orgulho nele. O seu antecessor, Rex Tillerson, não tinha a capacidade mental necessária. Era burro como uma pedra e eu não consegui livrar-me dele suficientemente rápido. Ele também era preguiçoso. Agora é todo um novo jogo, grande espírito no Departamento de Estado!

Quem consegue descobrir o verdadeiro significado de “covfefe”??? Divirtam-se!

Contexto:
Ninguém sabe ao certo o que significa, mas Trump aproveitou o sururu desencadeado nas redes sociais para voltar à carga. Num primeiro tweet, cuja escrita parece ter ficado a meio, ele digitou: “Apesar da constante covfefe negativa da imprensa.” Pensa-se que “covfefe” seja “coverage” (cobertura), escrito de forma atabalhoada. Trump apagaria o tweet inicial, mas “covfefe” já se tornara meme na internet. Na Wikipedia, há uma entrada sobre o assunto.

A Dinamarca é um país muito especial com pessoas incríveis, mas com base nos comentários da primeira-ministra, Mette Frederiksen, de que não teria interesse em discutir a compra da Gronelândia, eu adio o nosso encontro marcado para dentro de duas semanas para outra altura…

LIBERTEM A VIRGÍNIA, e salvem a grande segunda Emenda. Está em perigo!

Contexto:
Em quatro minutos, Trump disparou três tweets a defender a ‘libertação’ dos estados do Minnesota, Michigan e Virgínia, todos liderados por governadores democratas. As publicações são uma referência às medidas restritivas, então em vigor em vários estados por causa da pandemia de covid-19, que contrariavam a intenção do Presidente de reabrir a economia de todo o país. A segunda emenda da Constituição protege o direito do indivíduo ao porte de arma.

https://twitter.com/realDonaldTrump/status/1313186529058136070

Vou deixar o grande Centro Médico Walter Reed hoje às 18h30. Estou a sentir-me mesmo bem! Não tenham medo da covid. Não deixem que ela domine a vossa vida. Sob a Administração Trump, temos desenvolvido alguns medicamentos e conhecimento realmente ótimos. Sinto-me melhor do que há 20 anos!

Para o Presidente iraniano Rohani: NUNCA MAIS VOLTE A AMEAÇAR OS ESTADOS UNIDOS OU IRÁ SOFRER CONSEQUÊNCIAS COMO POUCOS AO LONGO DA HISTÓRIA SOFRERAM ANTES. JÁ NÃO SOMOS UM PAÍS QUE APOIA AS VOSSAS PALAVRAS DEMENTES DE VIOLÊNCIA & MORTE. TENHA CUIDADO!

Parabéns a Boris Johnson pela sua grande VITÓRIA! A Grã-Bretanha e os Estados Unidos agora estarão livres para fechar um novo Acordo Comercial maciço após o BREXIT. Este acordo tem o potencial para ser muito maior e mais lucrativo do que qualquer acordo que pudesse ser feito com a União Europeia. Comemore Boris!

Tenho grande confiança no Rei Salman e no Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, eles sabem exatamente o que estão a fazer…

A revista Time ligou a dizer que PROVAVELMENTE eu iria ser nomeado “Homem (Pessoa) do Ano”, como no ano passado, mas que eu teria de concordar com uma entrevista e uma sessão fotográfica. Eu disse que provavelmente não é uma boa ideia e declinei. Obrigado de qualquer forma!

O louco do Joe Biden está a tentar agir como um durão. Na realidade, ele é fraco, tanto mental como fisicamente, e mesmo assim ameaça-me, pela segunda vez, com agressão física. Ele não me conhece, mas seria derrotado depressa e duramente, chorando todo o tempo. Não ameace pessoas, Joe!

Rússia, Rússia, Rússia! É tudo o que se ouvia no início deste Embuste de Caça às Bruxas… E agora a Rússia desapareceu porque eu não tive nada a ver com a ajuda da Rússia para que fosse eleito. Foi um crime que não existiu.

Estamos unidos nos nossos esforços para derrotar o Vírus Invisível da China, e muitas pessoas dizem que é Patriótico usar máscara quando não se pode manter distância social. Não há ninguém mais Patriota do que eu, o vosso Presidente favorito!

Uma tendência em alta (no Google) desde imediatamente a seguir ao segundo debate é POSSO MUDAR O MEU VOTO? Isto refere-se a mudá-lo para mim. A resposta na maioria dos estados é SIM. Vão fazê-lo. A mais importante Eleição das vossas vidas!

Contexto:
É falso que a maioria dos estados permita mudar o voto: só acontece no Alasca, Michigan, Minnesota, Mississípi e Wisconsin. Em Nova Iorque, não há uma disposição específica, mas os eleitores que já tenham votado podem voltar a votar presencialmente no dia das eleições (só conta o voto presencial).

Ser simpático com o Rocket Man não funcionou durante 25 anos, porque haveria de funcionar agora? Clinton falhou, Bush falhou, e Obama falhou. Eu não vou falhar.

Muito interessante ver congressistas democratas “progressistas”, que vieram de países cujos governos são uma catástrofe completa e total, os piores, mais corruptos e ineptos em qualquer parte do mundo (se é que têm um governo funcional), dizerem agora ruidosa e maldosamente ao povo dos Estados Unidos, a melhor e mais poderosa nação da Terra, como o nosso governo deve ser gerido. Porque não voltam e ajudam a consertar os lugares destruídos e infestados de crime de onde vieram?

Contexto:
As congressistas democratas a que Trump se refere são Alexandria Ocasio-Cortez, Ayanna Pressley, Ilhan Omar e Rashida Tlaib. Deste quarteto apenas Omar não nasceu nos EUA, tendo chegado ao país com oito anos como refugiada de guerra da Somália. O ataque presidencial foi motivado pelo testemunho das congressistas na Câmara dos Representantes em que falaram das condições desumanas que presenciaram durante visitas a instalações de detenção de migrantes no Texas.

Precisamos do Muro para segurança e proteção do nosso país. Precisamos do Muro para ajudar a parar a entrada maciça de droga a partir do México, agora classificado como o país mais perigoso do mundo. Se não houver Muro, não há Acordo!

Por que razão haveria Kim Jong-un de me insultar chamando-me “velho”, quando eu NUNCA lhe chamaria “baixo e gordo”? Ah bem, eu tento tanto ser amigo dele — e talvez um dia isso aconteça!

TORNE A AMÉRICA GRANDE OUTRA VEZ!

De que serve a NATO se a Alemanha paga milhares de milhões de dólares à Rússia por gás e energia? Porque é que só há cinco de 29 países que honram o seu compromisso? Os EUA pagam pela proteção da Europa e depois perdem milhares de milhões em comércio. Têm de pagar 2% do PIB IMEDIATAMENTE, não até 2025.

Estes BANDIDOS estão a desonrar a memória de George Floyd e eu não vou deixar que isso aconteça. Acabei de falar com o governador Tim Walz e disse-lhe que os militares estão totalmente com ele. Qualquer dificuldade e assumo o controlo mas, quando a pilhagem começa, o tiroteio começa. Obrigado!

NOTÍCIAS FALSAS SÃO O INIMIGO DO POVO!

Começamos a ter avaliações MUITO boas da nossa gestão do coronavírus (o vírus da China), especialmente quando comparadas com outros países e áreas do mundo. Agora as vacinas estão a chegar e depressa!

Obama tem sorte por ter concorrido contra Mitt Romney, um homem com muito pouco talento ou capacidade política, por oposição a alguém que sabe como lutar e vencer!

Artigo publicado no “Expresso”, a 31 de outubro de 2020. Pode ser consultado aqui

Halloween em tempos de pandemia… e de eleições

A tradição não olha a imprevistos e como tal, nos Estados Unidos, nem a pandemia nem a campanha eleitoral impedem os norte-americanos de celebrar o Halloween. Seguem-se 20 fotos de uma festa que chega a ser um susto

Em contagem decrescente para as eleições presidenciais, este esqueleto de Halloween apela à participação, em Falls Church, Virgínia KEVIN LAMARQUE / REUTERS
Apoio a Joe Biden e Kamala Harris, numa casa de Nashville, Tennessee. Aqui não se esqueceu a época de Halloween JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES
Máscaras para vários gostos, numa rua de Nova Iorque CINDY ORD / GETTY IMAGES
Apelo ao voto esculpido numa abóbora de Halloween, em Hanover, Massachusetts DAVID L. RYAN / GETTY IMAGES
Nesta casa em Washington D.C., até os esqueletos decorativos protegem-se com máscara e procuram manter a distância social TOM BRENNER / REUTERS
Protegido do frio e do novo coronavírus, no bairro nova-iorquino de Upper West Side ALEXI ROSENFELD / GETTY IMAGES
Cartaz de apoio à dupla democrata candidata à Casa Branca numa vivenda “aterrorizada”, em Nashville, Tennessee JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES
A “selfie” da praxe, num espaço de atrações dedicado ao Halloween, em Buena Park, Califórnia MIKE BLAKE / REUTERS
Com muitos eventos de Halloween cancelados, em virtude da pandemia, nesta casa nova-iorquina celebra-se dentro de portas CINDY ORD / GETTY IMAGES
Esqueletos de Halloween, “ao serviço” da campanha de Donald Trump, num jardim de uma casa de Warren, Ohio SHANNON STAPLETON / REUTERS
Eleições e Halloween disputam as atenções no jardim desta casa, em Los Angeles, Califórnia LUCY NICHOLSON / REUTERS
Discreta decoração de Halloween, numa casa do bairro de Upper West Side, em Nova Iorque ALEXI ROSENFELD / GETTY IMAGES
Votos garantidos para Donald Trump e Joe Biden, neste subúrbio de St. Paul, Minnesota BING GUAN / REUTERS
Uma abóbora ao serviço da sensibilização contra a covid-19, em Nova Iorque NOAM GALAI / GETTY IMAGES
“Vote como que se a sua vida dependesse disso”, apela-se nesta casa de Murray Hill, Nova Iorque, profusamente decorada para o Halloween NOAM GALAI / GETTY IMAGES
Junto a esta instalação alusiva ao Halloween, em La Cañada Flintridge, Califórnia, não faltam pessoas interessadas, e protegidas com máscara MARIO ANZUONI / REUTERS
Duas mulheres e dois esqueletos “à conversa”, num bairro de Wilmington, Delaware KEVIN LAMARQUE / REUTERS
Brincadeiras sob uma gigantesca teia de aranha, numa casa que apoia Joe Biden, em Youngstown, Ohio SHANNON STAPLETON / REUTERS
De máscara e resguardada dentro do carro, esta criança diverte-se a brincar às “Travessuras ou Gostosuras”, em Woodland Hills, Califórnia MARIO ANZUONI / REUTERS
“Obrigado por usar uma máscara” TIMOTHY A. CLARY / AFP / GETTY IMAGES

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 30 de outubro de 2020. Pode ser consultado aqui

Quintas eleições porão fim ao ciclo de crises políticas?

Os israelitas vão às urnas pela quinta vez em 43 meses. Há 39 partidos no boletim, mas as legislativas tornaram-se um referendo a Benjamin Netanyahu. O líder da oposição quer regressar à cadeira do poder

1. Que eleições se realizam terça-feira?

Legislativas, as quintas em três anos e meio. As quatro anteriores tiveram resultados inconclusivos — em duas, os partidos mais votados ficaram separados por menos de 1% dos votos —, de que resultaram governos frágeis que pouco duraram. O último, liderado primeiro por Naftali Bennett e depois por Yair Lapid (de partidos diferentes), era apoiado por oito formações com agendas irreconciliáveis, da extrema-direita judaica aos árabes islamitas. A dificuldade em formar governos estáveis é um desafio de Israel desde a fundação (1948): sempre foram de coligação. No dia 1, vão a votos 39 forças políticas.

2. Que preveem as sondagens?

Todas as pesquisas de opinião desde o início da campanha eleitoral, a 15 de setembro, dizem que o Likud (direita), um dos partidos históricos de Israel, será o votado pelos 6.788.804 eleitores. A confirmar-se, a vitória poderá constituir, porém, um amargo de boca para o seu líder — Benjamin Netanyahu, o israelita que mais tempo esteve no cargo de primeiro-ministro —, já que, para formar um Executivo, terá de garantir o apoio de 61 dos 120 deputados. As últimas sondagens dão ao Likud 31-32 lugares, o que significa que terá pela frente a tarefa de conquistar o apoio de quase outros tantos no futuro Parlamento (Knesset).

3. Quem apoia e se opõe a Netanyahu?

“Bibi”, como é conhecido, tem o apoio de fações ultrarreligiosas (Shas e Judaísmo Unido da Torá) e do Partido Sionista Religioso (direita e extrema-direita). O bloco opositor é liderado pelo Yesh Atid (centro), do atual primeiro-ministro, a que se juntam partidos de centro, esquerda e árabes. Netanyahu tem ainda contra si o facto de estar a ser julgado por corrupção, o que faz com que deixe de ser hipótese de coligação, nomeadamente para Yair Lapid. Num país enredado na eterna questão da Palestina, na ameaça do Irão e no aumento do custo de vida, o tema fraturante destas eleições é a sua aptidão para liderar Israel.

4. Que tem dito e feito “Bibi”?

Com a maioria parlamentar a curta distância, tem batalhado por cada voto de forma criativa. Percorre quilómetros a bordo do “Bibi-bus”, um camião com parede lateral em vidro à prova de bala, atrás da qual, de microfone em punho, o ex-governante discursa para quem se acerca para ouvi-lo. Ambicioso e resiliente, “Bibi” — que governou entre 2009 e 2021 e de 1996 a 1999 — prometeu um Governo “forte, estável e nacional” e “anular o terrorismo, restaurar o orgulho nacional e reduzir o custo de vida”. E, ao melhor estilo do “amigo” Donald Trump, disse que o seu julgamento é “manipulado” e “uma piada”.

5. Quem pode viabilizar um Governo?

As sondagens projetam uma forte subida do partido de extrema-direita Poder Judaico (na lista do Partido Sionista Religioso). É liderado pelo ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, famoso por tiradas incendiárias contra os palestinianos e por defender judeus radicais em tribunal. Vive num colonato na Cisjordânia, já foi condenado por incitamento ao racismo e, não raro, provocou os árabes visitando a Esplanada das Mesquitas rodeado de seguranças. Após dizer que Ben-Gvir era “impróprio” para integrar um Governo seu, Netanyahu abriu-lhe a porta esta semana dizendo que “decerto pode” ser seu ministro.

6. Que força tem o eleitorado árabe?

Os árabes são um quinto da população de Israel, mas tradicionalmente têm fraca afluência às urnas. Queixam-se de serem negligenciados e enfrentam hoje um agravamento da criminalidade nas zonas onde vivem. Quatro partidos árabes são presença regular nos boletins de voto e a experiência diz que a adesão dos eleitores é maior quando concorrem juntos. Nos últimos anos, tal não tem acontecido neste mosaico de fações sionista, comunista, islamita e nacionalista. Agora, irão a votos divididos em três: se não atingirem a fasquia de 3,25% ficam fora do Knesset.

Artigo publicado no “Expresso”, a 28 de outubro de 2020. Pode ser consultado aqui e aqui

Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.