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A ano e meio das eleições, há já 23 candidatos que querem bater o pé a Donald Trump

Faltam 18 meses para as eleições presidenciais nos Estados Unidos e 24 personalidades já andam de microfone na mão a tentar convencer eleitores. A batalha mais intensa trava-se entre os democratas, que têm no terreno 22 candidatos. No campo republicano, Donald Trump é (quase) apenas um observador

No mesmo dia em que tomou posse como 45.º Presidente dos Estados Unidos, a 20 de janeiro de 2017, Donald Trump fez soar o tiro de partida da corrida às eleições de 2020 e formalizou a sua recandidatura. Esta sexta-feira, a exatamente ano e meio das presidenciais — e também a nove meses do “caucus” do Iowa, que tradicionalmente marca o início oficial da fase das primárias —, Trump conta já com 23 concorrentes, 22 deles a competir pela nomeação democrata.

“No atual estado da corrida, há na minha opinião quatro nomes a olhar como possíveis vencedores, embora em diferentes estados de desenvolvimento e afirmação das respetivas candidaturas”, comenta ao Expresso Germano Almeida, analista de política americana.

“Joe Biden e Bernie Sanders são os ‘frontrunners’ [favoritos] e todas as sondagens o demonstram para já. Beto O’Rourke e Pete Buttigieg são os ‘challengers’ [desafoadores], ambos com potencial para crescer o suficiente até ao final da corrida a ponto de poderem ganhar, mas nesta fase com menos de metade das intenções de Biden e Sanders. O passado beneficia, nesta fase da corrida, a maior notoriedade de ambos. Mas o tempo está a favor de O’Rourke e Buttigieg — e geralmente as eleições americanas premeiam o ‘futuro’).”

As duas sondagens divulgadas após Joe Biden anunciar a sua candidatura, a 25 de abril, atribuem-lhe uma vitória inequívoca num possível confronto direto com Donald Trump a 3 de novembro de 2020. O ex-vice-presidente de Barack Obama consegue 43% contra 36% na pesquisa da empresa HarrisX e 51% contra 45% na da CNN.

“Joe Biden é forte em dois segmentos onde Hillary falhou (nos homens e nos brancos) e é forte no Midwest, a zona do mapa eleitoral onde Trump bateu inesperadamente Hillary”, em concreto os estados da Pensilvânia, do Michigan e do Wisconsin onde a diferença entre ambos não chegou a 100 mil votos.

Qual o favorito de Barack Obama?

Contrariamente ao que fez com Hillary Clinton, em 2016, Barack Obama (ainda) não declarou apoio. “Mas na prática já está a ajudar Biden — e basta olhar para o logótipo da campanha Biden para se perceber o desejo de ‘herança’ e ‘continuidade’ em relação aos dois mandatos de Obama que Joe Biden pretende corporizar. De resto, Obama aceitou fazer parte de um dos primeiros vídeos de campanha, para dizer que apesar da idade de Joe, ele ‘está muito longe do fim’ e foi sempre ‘resiliente e leal’.”

Precisamente a idade dos candidatos mais veteranos pode tornar-se um grande obstáculo para as pretensões democratas. “Quer Biden quer Sanders serão, de muito longe, o mais velho Presidente da história americana. Têm esse problema para enfrentar: convencer os democratas e, depois, todo o eleitorado americano de que estarem próximos dos 80 anos quando da tomada de posse não será uma barreira intransponível para derrotarem Trump.”

À parte a idade, estes dois “pesos pesados” da política norte-americana pouco têm em comum. “São muito diferentes. Biden é moderado, Sanders é radical. Joe herda o essencial dos anos Obama, Bernie elogia alguns aspetos mas é crítico da proximidade de Obama com o ‘establishment’. Biden defende a classe média dentro de uma visão ‘americana’ de premiar o mérito e não carregar excessivamente nos impostos, Sanders promete agravamento fiscal que leve a que o Estado tenha mais recursos para assumir uma redistribuição da riqueza mais justa”, enumera Germano Almeida.

“Sanders aposta no discurso ‘sexy’ de arrasar o ‘establishment’, Biden corre o risco de ficar com o rótulo de ser o candidato do sistema (e isso, por estes dias, é perigoso para quem vai a eleições). A grande armadilha em que os democratas podem cair será a de nomearem Bernie Sanders e, com isso, contribuírem para a reeleição de Trump. Sanders tem propostas demasiado radicais e demasiado à esquerda para o americano comum. Num duelo final com Trump, não terá grandes hipóteses de vitórias.”

As esperanças Beto e Pete

Dos 24 candidatos que já andam de microfone na mão, a tentar convencer o eleitorado, 22 estão empenhados na nomeação democrata.

“O ex-congressista estadual Beto O’Rourke, do Texas, parecia ser a maior esperança do centro político da América para estas eleições. Junta enorme carisma com apoios de eleitores independentes e até de republicanos, com o aliciante de alargar o mapa eleitoral dos democratas para os estados do Sul, geralmente reservados aos republicanos. Mas não está a descolar e terá sido a maior vítima do ‘momentum’ de Pete Buttigieg, que pode ser a grande surpresa destas eleições.”

Pete Buttigieg é o primeiro candidato assumidamente homossexual numas presidenciais norte-americanas. “Casado com um homem, está a transformar esse aparente problema junto do eleitorado mais conservador num tema forte de campanha. Tem um discurso moral, com uma componente religiosa, o que pode ser um trunfo para a eleição geral (os democratas estão a perder grande parte do voto mais religioso para os republicanos). Com 37 anos, pretende ser o mais jovem nomeado e o mais jovem Presidente de sempre.”

Seis mulheres na corrida

Numa entrevista concedida pouco antes de sair da Casa Branca, Obama projetou uma necessária renovação geracional na liderança democrata e identificou dois nomes: precisamente Pete Buttigieg e também Kamala Harris, senadora pela Califórnia e uma das seis mulheres que estão na corrida.

“Kamala Harris é a única que ainda pode chegar lá, mas com hipóteses muito reduzidas. Entrou muito forte, chegou a aparecer em segundo lugar, mas depois dos avanços de Bernie Sanders, Beto O’Rourke e agora Joe Biden, e sobretudo com a afirmação mediática de Pete Buttigieg, já quase não se ouve falar dela.”

Entre as restantes cinco candidatas, o analista identifica apenas uma que pode superar a fasquia dos 5% de votos — a senadora Elizabeth Warren, do Massachussets. “Mas depois do avanço de Bernie Sanders ficou sem espaço de crescimento”, diz Germano Almeida. “Elizabeth e Bernie disputam os sectores mais à esquerda do Partido Democrata. Ela teria hipóteses reais se conseguisse duas coisas nesta corrida: ser a herdeira do movimento Sanders 2016 (46% do voto democrata) e aliar a isso os créditos de ter feito parte da Administração Obama e de ter querido sair quando achou que Barack Obama não iria, afinal, tão longe quanto a esquerda americana desejaria em temas como a regulação financeira ou a reforma fiscal.”

No campo republicano, Donald Trump está tranquilo em matéria de primárias. Até ao momento, tem apenas um adversário com que se preocupar — o advogado Bill Weld. Sem perspetivas de vencer, o ex-governador do Massachusetts tem, na interpretação de Germano Almeida, autor do livro “Isto não é bem um Presidente dos EUA” (Prime Books, 2018), um objetivo: “Avisar o Partido Republicano de que os efeitos de um segundo mandato presidencial de Donald Trump podem ser destruidores para o argumentário clássico do conservadorismo americano.“

“Tendo em conta o comportamento do Presidente, e também a sua agenda (em vários aspetos contraditória com o que os republicanos andaram a defender durante décadas)”, conclui o analista, “um apoio cúmplice e passivo de todo o Partido Republicano a Trump seria a total capitulação”.

(IMAGEM US EMBASSY & CONSULATES IN THE UNITED KINGDON)

Donald Trump, 72 anos, republicano, empresário, 45º Presidente dos Estados Unidos DARREN HAUCK / GETTY IMAGES
John Delaney, 56 anos, democrata, antigo deputado na Câmara dos Representantes pelo estado do Maryland JOSHUA LOTT / AFP / GETTY IMAGES
Andrew Yang, 44 anos, democrata, empresário de origem chinesa. Propõe pagar 1000 dólares por mês a cada norte-americano maior de 18 anos em resposta à robotização da economia LUCY NICHOLSON / REUTERS
Elizabeth Warren, 69 anos, democrata, senadora pelo Massachusetts KAREN PULFER FOCHT / REUTERS
Tulsi Gabbard, 38 anos, democrata, deputada na Câmara dos Representantes pelo Hawai ETHAN MILLER / GETTY IMAGES
Julián Castro, 44 anos, democrata, secretário da Habitação e do Desenvolvimento Urbano no segundo mandato de Barack Obama. Tem ascendência mexicana CARLOS BARRIA / REUTERS
Kirsten Gillibrand, 52 anos, democrata, senadora por Nova Iorque SCOTT OLSON / GETTY IMAGES
Kamala Harris (à direita), 54 anos, democrata, senadora pela Califórnia. É filha de uma indiana e de um jamaicano BRIAN SNYDER / REUTERS
Pete Buttigieg, 37 anos, democrata, “mayor” de South Bend, Indiana. Este veterano da guerra no Afeganistão é o primeiro candidato assumidamente homossexual ELIJAH NOUVELAGE / REUTERS
Marianne Williamson, 66 anos, democrata, escritora. Dos seus 13 livros, quatro chegaram a nº 1 na lista de “bestsellers” do jornal “The New York Times” BOB STRONG / REUTERS
Cory Booker, 50 anos, democrata, senador por New Jersey ANDREW KELLY / REUTERS
Amy Klobuchar, 58 anos, democrata, senadora pelo Minnesota SCOTT OLSON / GETTY IMAGES
Bill Weld, 73 anos, republicano, ex-governador do Massachusetts. Nas eleições de 2016, foi candidato à vice-presidência, pelo Partido Libertário, ao lado de Gary Johnson HUTTON SUPANCIC / GETTY IMAGES
Bernie Sanders, 77 anos, independente, senador pelo Vermont desde 2007, eleito nas listas do Partido Democrata. Em 2016, perdeu as primárias democratas para Hillary Clinton LUCY NICHOLSON / REUTERS
Jay Inslee, 68 anos, democrata, governador do estado de Washington. As alterações climáticas são a sua principal motivação para concorrer às eleições MARIO TAMA / GETTY IMAGES
John Hickenlooper, 67 anos, democrata, ex-governador do Colorado. Tem formação em Geologia ZACH GIBSON / GETTY IMAGES
Wayne Messam, 44 anos, democrata, “mayor” de Miramar, Florida. Filho de jamaicanos, é dono de uma empresa de construção JOE RAEDLE / GETTY IMAGES
Beto O’Rourke, 46 anos, democrata, ex-deputado na Câmara dos Representantes pelo Texas. Foi baixista numa banda de “post-hardcore” (género musical derivado do punk) MARIO TAMA / GETTY IMAGES
Mike Gravel, 88 anos, democrata, ex-senador pelo Alaska. Ao centro na foto (datada de 2011), fala com participantes num protesto contra banqueiros, financeiros e políticos, em Zurique (Suíça) ARND WIEGMANN / REUTERS
Tim Ryan, 45 anos, democrata, membro da Câmara dos Representantes pelo Ohio AARON JOSEFCZYK / REUTERS
Eric Swalwell, 38 anos, democrata, deputado na Câmara dos Representantes pela Califórnia JOE RAEDLE / GETTY IMAGES
Seth Moulton, 40 anos, democrata, membro da Câmara dos Representantes pelo Massachusetts. Liderou um dos primeiros pelotões de infantaria a entrar em Bagdade, na invasão ao Iraque (2003) SCOTT EISEN / GETTY IMAGES
Joe Biden, 76 anos, democrata, vice-presidente dos EUA nos dois mandatos de Barack Obama (2009-2017). Foi senador pelo Delaware durante mais de 30 anos SCOTT OLSON / GETTY IMAGES
Michael Bennet, 54 anos, democrata, senador pelo Colorado ALEX WONG / GETTY IMAGES

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 3 de maio de 2019. Pode ser consultado aqui

Argélia, Sudão, Líbia: os árabes não se calam

Nas ruas da Argélia, do Sudão e da Líbia, manifestações populares anti-regime fazem lembrar os protestos da Primavera Árabe que, há oito anos, derrubaram vários ditadores

No centro de Argel, este homem pede a “reciclagem” dos governantes do seu país
 Ramzi Boudina / Reuters
Não contentes com o afastamento do ex-Presidente Abdelaziz Bouteflika, os argelinos querem também a saída do poder de toda a elite próxima do regime
 Ramzi Boudina / Reuters
A designação de Abdelkader Bensalah como presidente interino da Argélia não agradou ao povo que continua nas ruas
 Ramzi Boudina / Reuters
Polícia antimotim nas ruas de Argel
 Ramzi Boudina / Reuters
Jovem argelino em dificuldades após inalar gás lacrimogéneo disparado pela polícia
 Ramzi Boudina / Reuters
Frente a frente entre a polícia argelina e os manifestantes. “Na Argélia são sempre as pessoas que escrevem a sua história”, lê-se na tarja
 Ramzi Boudina / Reuters
No Sudão, esta mulher pede “liberdade” no mural que está a pintar, em Cartum
 Umit Bektas / Reuters
Vitória, congratula-se este sudanês, após o anúncio da saída do poder de Omar al-Bashir
 Reuters
Afastado o homem que os governou nos últimos 30 anos, os sudaneses querem garantias de que os militares não ficarão a mandar em Cartum
 Reuters
Manifestantes bloqueiam a passagem de um comboio de mercadorias pela capital do Sudão
 Reuters
As mulheres têm sido um importante motor dos protestos no Sudão
 Reuters
Protestos dia e noite, em frente ao Ministério sudanês da Defesa, em Cartum
 Reuters
Em 2011, os líbios saíram às ruas contra Muammar Kadhafi. Agora voltam a sair pela unidade do país
 Mahmud Turkia / Afp / Getty Images
Na mira dos protestos em Trípoli está o general Khalifa Haftar que lidera uma ofensiva militar sobre a capital, desde o leste do país
 Hazem Turkia / Anadolu Agency / Getty Images
Na capital da Líbia: “Criminosos não têm lugar em Trípoli.” “Haftar é um criminoso de guerra.” “Quem deu a luz verde para destruir Trípoli?”
 Ahmed Jadallah / Reuters
Protestos contra a “interferência francesa” na Líbia. Paris apoia a investida do general sobre a capital
 Mahmud Turkia / Afp / Getty Images
Como na Argélia e no Sudão, muitas mulheres participam nas manifestações na Líbia
 Ahmed Jadallah / Reuters
Na Praça dos Mártires, no centro de Trípoli, uma líbia pede ajuda divina para os desafios terrenos
 Ahmed Jadallah / Reuters

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 17 de abril de 2019. Pode ser consultado aqui

Judeus e árabes escolhem o futuro de Israel

As assembleias de voto abriram às sete da manhã e estarão abertas até às 10 da noite. Até às duas da tarde, já votaram 35,8% dos cerca de 6,3 milhões de eleitores

Esta terça-feira, é feriado em Israel para que cerca de 6,3 milhões de israelitas possam escolher a composição do próximo Parlamento (Knesset) com toda a tranquilidade.

As assembleias de voto abriram às sete da manhã e assim continuarão até às 10 da noite. Até ao meio-dia (mais duas horas do que em Portugal Continental), já tinham votado 35,8% dos leitores — em 2015, por esta hora a taxa de afluência às urnas era de 36,6%.

Nos boletins de voto, surgem os nomes de 39 partidos, ainda que apenas 14 tenham reais hipóteses de eleger deputados. As sondagens dão uma vitória folgada ao conjunto dos partidos da direita e extrema-direita — um dado importante já que em Israel os governos são sempre de coligação.

Mas na corrida individual entre partidos, há uma luta acesa entre o Likud (direita), do primeiro-ministro Benjamin Netahyanu, e o recém criado Kahol Lavan (centro), liderado por Benjamin Gantz, um ex-chefe do Estado-Maior, e pelo jornalista Yair Lapid.

O “Masbaha” na mão deste eleitor israelita denuncia a sua crença religiosa: muçulmano AMIR COHEN / REUTERS
Judeu ultraortodoxo, reconhecível pela sua forma tradicional de vestir, numa assembleia de voto de Jerusalém RONEN ZVULUN / REUTERS
Uma israelita árabe deposita o voto, em Daliyat al-karmel, norte do país JALAA MAREY / AFP / GETTY IMAGES
Judias acompanhadas pelos filhos esperam vez para votar, em Jerusalém MENAHEM KAHANA / AFP / GETTY IMAGES
Um cego experimenta um sistema de votação para invisuais, durante uma sessão de formação com um assistente, em Jerusalém RONEN ZVULUN / REUTERS
Numa assembleia de voto da capital de Israel, Telavive CORINNA KERN / REUTERS
Duas crianças acompanham o pai, em Jerusalém MENAHEM KAHANA / AFP / GETTY IMAGES
Uma família árabe cumpre o dever cívico, na aldeia de Taibe, região da Galileia (norte) ILIA YEFIMOVICH / GETTY IMAGES
De fato de treino e jornal debaixo do braço, esta israelita prepara-se para um dia descontraído, em Rosh Ha’ayin (centro) AMIR LEVY / GETTY IMAGES
A minoria árabe, que corresponde a 20% da população israelita, vive sobretudo no norte do país AHMAD GHARABLI / AFP / GETTY IMAGES
Estima-se que os judeus ultraortodoxos correspondam a cerca de 10% da população israelita MENAHEM KAHANA / AFP / GETTY IMAGES
Participam nestas eleições 39 partidos FAIZ ABU RMELEH / ANADOLU AGENCY / GETTY IMAGES

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 9 de abril de 2019. Pode ser consultado aqui

Cidades alagadas, aldeias isoladas, gente em cima de telhados. Depois de Moçambique, a intempérie atingiu o Irão

O Irão está debaixo de água há duas semanas. Das 31 províncias, 25 foram afetadas por chuvas torrenciais e inundações. As operações de socorro são dificultadas pela intempérie e também pelo bloqueio económico à República Islâmica, alerta Teerão

Há imagens a chegar do Irão que se confundem com o rasto de morte e destruição deixado pelo ciclone Idai em Moçambique. Extensas áreas alagadas, povoações isoladas, destruição generalizada e pessoas com água pela cintura ou encurraladas em cima dos telhados.

No Irão, o novo ano (Nowruz) — que nasceu a 21 de março — tem decorrido sob o signo de chuvas torrenciais, que fizeram transbordar rios e barragens e provocaram pelo menos 42 mortos. Segundo a agência noticiosa iraniana IRNA, a intempérie já afetou 25 das 31 províncias iranianas.

O Líder Supremo, “ayatollah” Ali Khamenei, colocou as Forças Armadas em missão de socorro às populações. Do exterior, a assistência é condicionada pelas inimizades políticas e pelas sanções que visam a República Islâmica.

Na segunda-feira, no Twitter, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Javad Zarif, investiu contra o Presidente dos Estados Unidos, responsabilizando-o por dificuldades sentidas no socorro “às comunidades devastadas por inundações sem precedentes. Os equipamentos bloqueados incluem helicópteros de socorro: isto não é apenas guerra económica; é TERRORISMO económico”.

Ainda assim, há ajuda a chegar da Europa. Na segunda-feira, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros anunciou o envio de 40 barcos e de equipamento de segurança — uma ajuda que será dada pela Cruz Vermelha alemã ao Crescente Vermelho iraniano.

Igualmente, a Cruz Vermelha britânica diz aguardar apenas que Teerão lhe faça chegar a lista de necessidades e de equipamento em falta para corresponder.

Numa primeira fase, que começou a 19 de março, o mau tempo atingiu o nordeste do país, contagiando depois outras regiões. A 25 de março, Lars Nordrum, embaixador norueguês em Teerão, escrevia no Twitter: “Imagens terríveis de morte e destruição causadas por inundações em várias partes do Irão”.

Presentemente, as áreas mais críticas são o ocidente e sudoeste do país, em especial a província do Lorestão. Na segunda-feira, as autoridades de Teerão ordenaram a evacuação de várias cidades.

“Os telefones não estão a funcionar, as comunicações via rádio estão em baixo”, dizia o diretor provincial do Crescente Vermelho iraniano, Sarem Rezaee. “Pedimos ajuda de emergência a províncias vizinhas, mas até ao momento ninguém pode fazer nada.” Com o aeroporto de Khorramabad — a principal cidade de Lorestão — alagado e o mau tempo contínuo, a assistência aérea fica praticamente impossibilitada.

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Vista aérea de áreas alagadas, na província de Golestão, no norte ANADOLU AGENCY / GETTY IMAGES
Carros arrastados pela água e totalmente destruídos, na cidade de Shiraz, a capital da província de Fars (sudoeste) TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Militares iranianos ajudam a resgatar civis de zonas inundadas, perto da cidade de Ahvaz, província de Cuzestão (ocidente) MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES
Uma família tenta atravessar uma rua alagada, numa aldeia perto de Ahvaz MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES
As ruas quase que desapareceram na cidade de Agh Ghaleh, no norte do Irão ALI DEHGHAN / AFP / GETTY IMAGES
Homens empurram um carro, tentando que ele pegue, na cidade de Shiraz TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Onde antes havia um jardim, há agora um lago, junto à casa deste casal MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES
Uma mulher emerge por entre tendas montadas num estádio da província de Golestão para abrigar quem ficou sem casa TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Túnel inundado por lama e lixo, na cidade de Shiraz TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS

Uma pilha de carros, numa estrada de Shiraz Amin Berenjkar / Afp / Getty Images

Um casal apoia-se no momento de atravessar uma rua que mais parece um rio, nos arredores de Ahvaz MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES

Em Agh Ghaleh, as ruas transformaram-se em riachos Ali Dehghan / Afp / Getty Images

Três homens tentam escoar a água e assim proteger os seus pertences TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Um buraco no solo engole a água das chuvas e arrasta um carro, em Shiraz TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS

Enquanto o carro não volta a ser opção, os iranianos recorrem a barcos Tasnim News Agency / Reuters

Água a perder de vista, um pouco por todo o Irão ANADOLU AGENCY / GETTY IMAGES

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 2 de abril de 2019. Pode ser consultado aqui

Irão submerso

Chuvas torrenciais e inundações “saudaram” a entrada do Irão num novo ano. A intempérie já fez pelo menos 42 mortos. Há duas semanas que o país vive em alerta constante

Vista aérea de áreas alagadas, na província de Golestão, no norte ANADOLU AGENCY / GETTY IMAGES
Carros arrastados pela água e totalmente destruídos, na cidade de Shiraz, a capital da província de Fars (sudoeste) TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Militares iranianos ajudam a resgatar civis de zonas inundadas, perto da cidade de Ahvaz, província de Cuzestão (ocidente) MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES
Uma família tenta atravessar uma rua alagada, numa aldeia perto de Ahvaz MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES
As ruas quase que desapareceram na cidade de Agh Ghaleh, no norte do Irão ALI DEHGHAN / AFP / GETTY IMAGES
Homens empurram um carro, tentando que ele pegue, na cidade de Shiraz TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Onde antes havia um jardim, há agora um lago, junto à casa deste casal MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES
Uma mulher emerge por entre tendas montadas num estádio da província de Golestão para abrigar quem ficou sem casa TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Túnel inundado por lama e lixo, na cidade de Shiraz TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS

Uma pilha de carros, numa estrada de Shiraz AMIN BERENJKAR / AFP / GETTY IMAGES

Um casal apoia-se no momento de atravessar uma rua que mais parece um rio, nos arredores de Ahvaz MEHDI PEDRAMKHOO / AFP / GETTY IMAGES

Em Agh Ghaleh, as ruas transformaram-se em riachos ALI DEHGHAN / AFP / GETTY IMAGES

Três homens tentam escoar a água e assim proteger os seus pertences TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS
Um buraco no solo engole a água das chuvas e arrasta um carro, em Shiraz TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS

Enquanto o carro não volta a ser opção, os iranianos recorrem a barcos TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS

Água a perder de vista, um pouco por todo o Irão ANADOLU AGENCY / GETTY IMAGES

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 2 de abril de 2019. Pode ser consultado aqui