Milhares de nicaraguenses saíram às ruas de Manágua, este sábado, solidários com os esforços da Igreja Católica para acabar com a crise política no país. O protesto tornou-se uma grande peregrinação
Foi, na sua essência, uma manifestação antigovernamental, mas o cortejo de milhares de nicaraguenses, este sábado, pelas ruas de Manágua, mais se assemelhou a uma gigantesca peregrinação.
A marcha foi uma mostra de solidariedade para com a Conferência Episcopal da Nicarágua, que tem tentado atuar como mediadora numa crise política — entre Governo e oposição — que se arrasta desde abril e que já provocou quase 300 mortos.
A Igreja apelou a uma reforma política e à antecipação em dois anos das eleições gerais previstas para 2021.
O Presidente Daniel Ortega recusou as propostas da Igreja, considerando-as “golpistas” e acusou os bispos de participarem numa “conspiração” para o destituir do cargo.
A bandeira da Nicarágua numa mão e a imagem de Cristo na outra JORGE CABRERA / REUTERSUm apelo à demissão do Presidente junto a um andor da Virgem Maria OSWALDO RIVAS / REUTERSA caveira que alude ao Presidente e um desenho de agradecimento ao cardeal Leopoldo Brenes, que preside à Conferência Episcopal da Nicarágua JORGE CABRERA / REUTERSA caveira que alude ao Presidente e um desenho de agradecimento ao cardeal Leopoldo Brenes, que preside à Conferência Episcopal da Nicarágua JORGE CABRERA / REUTERS“Ortega e Murillo assassinos”, lê-se nesta tarja que visa o Presidente e a sua mulher, Rosario Murillo, que é vice-presidente do país desde janeiro de 2017 MARVIN RECINOS / AFP / GETTY IMAGESEvangélicos nicaraguenses solidários com os católicos. “Somos irmãos. Somos Nicarágua” MARVIN RECINOS / AFP / GETTY IMAGESImitação de uma arma a que este manifestante chamou de “mata sapos”. Os “sapos” são paramilitares que percorrem as ruas para apanhar estudantes envolvidos na contestação ao Presidente OSWALDO RIVAS / REUTERS“Não matarás.” O quinto dos dez mandamentos católicos aqui dirigido a Daniel Ortega MARVIN RECINOS / AFP / GETTY IMAGESCom uma máscara de Daniel Ortega, este manifestante acusa o Presidente de ser “ditador, genocida, violador, traficante, ladrão e mórbido” OSWALDO RIVAS / REUTERSOSWALDO RIVAS / REUTERS“Nicarágua, quero-te livre.” OSWALDO RIVAS / REUTERSJORGE CABRERA / REUTERS
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 29 de julho de 2018. Pode ser consultado aqui
Por esta altura do ano, milhares de cidadãos destes oito países costumavam rumar a Sul em busca de calor e momentos de relaxamento junto a piscinas, rios e oceanos. Neste verão, não precisam… têm tudo isso à porta de casa
Uma gigantesca “piscina” junto à Torre Eiffel, em Paris, França BERTRAND GUAY / AFP /GETTY IMAGESBanhos de sol junto ao canal Kattensloot, em Amesterdão, Holanda REMKO DE WAAL / AFP / GETTY IMAGES“Praia” com vista para arranha-céus, no centro de Estocolmo, Suécia HOSSEIN SALMANZADEH / AFP / GETTY IMAGESPraia sobrelotada, banhada pelo Mar Báltico, no município de Timmendorfer Strand, Alemanha FABIAN BIMMER / REUTERSMergulhos para a água na cidade costeira de Kastrup, nos arredores de Copenhaga, Dinamarca MADS CLAUS RASMUSSEN / AFP /GETTY IMAGESOs habituais passeios por Hampstead Heath deram lugar a momentos de relaxamento sobre a relva, em Londres, Reino Unido TOLGA AKMEN / AFP / GETTY IMAGESUma mulher pratica remo em pé, no lago Pallasjarvi, na Lapónia, Finlândia OTTO PONTO / LEHTIKUVA / REUTERSBrincadeiras diferentes para estas crianças belgas, junto aos chafarizes da Place La Monnaie, no centro de Bruxelas NICOLAS MAETERLINCK / AFP / GETTY IMAGESPraia de Travemuende, norte da Alemanha FABIAN BIMMER / REUTERS
FALTA FOTO 10. Parisienses refrescam-se no Jardim do Trocadéro, França BERTRAND GUAY / AFP / GETTY IMAGES
Praia cheia em… Inglaterra, na zona de Clacton-on-Sea, condado de Essex, banhada pelo Mar do Norte NICK ANSELL / GETTY IMAGESSaltos para a água nos canais de Amesterdão, Holanda REMKO DE WAAL / AFP / GETTY IMAGESCasal de turistas em traje de praia tiram uma “selfie” sobre a Ponte do Milénio, em Londres, Reino Unido JONATHAN BRADY / GETTY IMAGES
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 28 de julho de 2018. Pode ser consultado aqui
O Mundial da Rússia arranca esta quinta-feira com 32 países em competição. Mas o gosto pelo futebol contagia muitos mais. Dos parques dos Estados Unidos às estepes da Mongólia, passando pelas favelas do Brasil e pelas praias de Portugal, esta fotogaleria regista a paixão universal pelo “desporto-rei”
FOTOGALERIA
TAILÂNDIA — Crianças jogam à bola num campo flutuante, na aldeia piscatória de Ko Panyi, no sul da Tailândia SOE ZEYA TUN / REUTERSREINO UNIDO — Partida de futebol próximo de uma fábrica munida a carvão, na zona de Rugeley, centro de Inglaterra OLI SCARFF / AFP / GETTY IMAGESCAMBODJA — Uma bola chega para divertir um grupo de crianças junto à estância de Koh Dach, nas margens do rio Mekong, arredores de Phnom Penh PRING SAMRANG / REUTERSBRASIL — Ringue na favela Tavares Bastos, no Rio de Janeiro CARL DE SOUZA / AFP / GETTY IMAGESESPANHA — O adro de uma igreja de Olivença transformado num campo de futebol FRANCISCO LEONG / AFP / GETTY IMAGESCOREIA DO SUL — Ringues no telhado de um centro comercial de Seul, a capital sul-coreana JUNG YEON-JE / AFP / GETTY IMAGESITÁLIA — Campo pelado junto ao aqueduto Felice, em Roma FILIPPO MONTEFORTE / AFP / GETTY IMAGESGANA — Terminadas as aulas nesta escola primária de Dambai, um conjunto de crianças entretem-se a jogar à bola FRANCIS KOKOROKO / REUTERSÁUSTRIA — Dois irmãos jogam futebol no jardim de sua casa, em Viena LEONHARD FOEGER / REUTERSFILIPINAS — A chuva intensa (e um bebé às costas do menino) não demove três crianças de jogarem à bola, na cidade de Quezon, área metropolitana de Manila DONDI TAWATAO / REUTERSESTADOS UNIDOS — Ao cair da noite, relvados entre os arranha-céus de Nova Iorque enchem-se de praticantes de futebol HECTOR RETAMAL / AFP / GETTY IMAGESRÚSSIA — Indiferentes às condições do terreno, um grupo de russos treina na lama, numa aldeia próxima de Leninegrado ANTON VAGANOV / REUTERSMALI — Balizas sem rede, sandálias em vez de sapatilhas. Não existem obstáculos para estes jovens futebolistas dos arredores de Bamako ANN RISEMBERG / REUTERSÍNDIA — Pavilhão cercado de rede, em Bombaím, para impedir que as bolas pontapeadas com força se percam nos terrenos circundantes FRANCIS MASCARENHAS / REUTERSMONGÓLIA — Um penalty sob os céus de Ulan Bator, a capital mongol RENTSENDORJ BAZARSUKH / REUTERSMYANMAR — Em Rangum, cidade da antiga Birmânia, joga-se futebol junto ao pagode Botataung ANN WANG / REUTERSINDONÉSIA — Adultos e crianças de Jacarta jogam à bola num parque de estacionamento instalado no topo de um edifício DARREN WHITESIDE / REUTERSBÓSNIA HERZEGOVINA — Futebol num cenário histórico: a fortaleza Vranduk, construída no século XIV DADO RUVIC / REUTERSCHINA — Relvado instalado num telhado de Xangai ALY SONG / REUTERSCUBA — Fintas e correrias na baixa de Havana ALEXANDRE MENEGHINI / REUTERSCHILE — Um lance disputado num terreno poeirento de Santiago do Chile IVAN ALVARADO / REUTERSARGÉLIA — O entusiasmo pelo futebol numa zona degradada de Argel ZOHRA BENSEMRA / REUTERSJAPÃO — Neste laboratório da Universidade Poitécnica de Tóquio, quem joga são robôs TORU HANAI / REUTERSVIETNAME — O pátio de um templo é “sagrado” para estas crianças da aldeia de Hoang Xa, arredores de Hanói NGUYEN HUY KHAM / REUTERSÁFRICA DO SUL — Um campo com marcações para a prática do basquetebol transformado num estádio de futebol, no Soweto, contíguo a Joanesburgo SIPHIWE SIBEKO / REUTERSHAITI — Uma partida entre amigos num terreno sujo de Port-au-Prince ANDRES MARTINEZ CASARES / REUTERSEL SALVADOR — Relvado cheio de praticantes, no Complexo Desportivo La Campanera, uma comunidade na área metropolitana de San Salvador visada pela violência dos gangues JOSE CABEZAS / REUTERSQUÉNIA — Campo sujo e encharcado perto dos bairros de lata do vale Mathare, em Nairobi NJERI MWANGI / REUTERSPORTUGAL — Arte e talento na praia de Espinho ALEX GRIMM / GETTY IMAGES
Artigo publicado na “Tribuna Expresso”, a 14 de junho de 2018. Pode ser consultado aqui
Donald Trump e Kim Jong-un foram recebidos em Singapura como estrelas. Muita gente nas ruas com os telemóveis prontos a filmar à passagem das suas caravanas, muita segurança em redor dos locais da cimeira e muita inspiração nos menus dos restaurantes e bares locais. A expectativa era grande em todo o mundo: corresponderiam os imprevisíveis líderes de Estados Unidos e Coreia do Norte? E não é que corresponderam mesmo?
Enquanto os líderes de Coreia do Norte e Estados Unidos se preparavam para se encontram pessoalmente, Howard e Dennis Alan, sósias de Kim Jong-un e Donald Trump, faziam as delícias de quem passava pelo Parque Merlion, em Singapura EDGAR SU / REUTERSKim Jong-un foi o primeiro a chegar a Singapura, a bordo de um avião da Air China TIM CHONG / REUTERSKCNA / REUTERSKim Jong-un foi também o primeiro dos dois líderes a ser recebido por Lee Hsien Loong, o primeiro-ministro de Singapura KCNA / REUTERSNas imediações da estação ferroviária de Pyongyang, norte-coreanos pararam junto a um ecrã eletrónico para ouvir as últimas de Singapura KYODO / REUTERSComo habitualmente, Donald Trump viajou a bordo do Air Force One até Singapura, onde chegou no domingo à noite, horas após o homólogo norte-coreano LIU ZHEN / GETTY IMAGESNo exterior do Hotel Shangri-La, onde Donald Trump está hospedado, duas mulheres entoaram o hino norte-americano à chegada do seu Presidente EDGAR SU / REUTERSÀ semelhança do que aconteceu com o homólogo norte-coreano, também o Presidente dos EUA foi recebido pelo primeiro-ministro de Singapura REUTERSEsta segunda-feira, delegações dos EUA e de Singapura reuniram-se num almoço de trabalho GETTY IMAGESNo exterior do Hotel St. Regis, onde fica hospedado Kim Jong-un, liam-se as últimas sobre a cimeira TYRONE SIU / REUTERSPor onde quer que as delegações passassem, foi um alvoroço nas ruas de Singapura TYRONE SIU / REUTERS“Apelos à paz” um pouco por todo o lado, como neste canhão da II Guerra Mundial, decorado com flores, na ilha de Sentosa, onde teve lugar a cimeira Trump-Kim ROSLAN RAHMAN / AFP / GETTY IMAGESSegurança reforçada junto ao palácio presidencial de Singapura, como em vários outros pontos da cidade ATHIT PERAWONGMETHA / REUTERSPara os locais, todo o aparato à volta da cimeira (na imagem, jornalistas em frente ao Hotel St. Regis) abalroou-lhes o quotidiano LIU ZHEN / GETTY IMAGESJá os menus dos restaurantes e bares de Singapura ganharam alguma criatividade graças à cimeira EDGAR SU / REUTERSShots no bar Escobar EDGAR SU / REUTERSTacos “Rocket Man” e “El Trumpo”, no restaurante Lucha Loco FELINE LIM / REUTERSNo bar do Empire Sky Lounge FELINE LIM / REUTERSO OSG Bar criou um prato especial para a ocasião, o “Make harmony great again” WIN MCNAMEE / GETTY IMAGESA cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un realizou-se, esta terça-feira, no Hotel Capella, na ilha de Sentosa REUTERSA cimeira foi seguida com especial atenção na Coreia do Sul, onde milhares de pessoas foram saindo à rua em manifestações pacíficas, desejando o sucesso do encontro JUNG YEON-JE / AFP / GETTY IMAGESSul-coreanas pedindo “paz” e a reunificação da península coreana (implícito no mapa azul), em frente à embaixada dos Estados Unidos em Seul JUNG YEON-JE / AFP / GETTY IMAGESEstava tudo a postos para a cimeira, faltava apenas a entrada em cena de Donald Trump e Kim Jong-un (na foto, em CDs distribuídos aos jornalistas acreditados para cobrir o encontro) KIM KYUNG HOON / REUTERSAmbos os líderes deram mostras que o sucesso da cimeira muito dependeria da sua personalidade… e imprevisibilidade KIM KYUNG HOON / REUTERS
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 12 de junho de 2018. Pode ser consultado aqui
Em zonas da Síria onde as armas já se calaram, os locais esforçam-se para que a vida regresse à normalidade. Sem grandes alternativas de divertimento, muitos jovens percorrem os escombros ao estilho dos melhores acrobatas
Usam as cicatrizes da guerra para passar o tempo e se divertirem. Edifícios bombardeados, paredes esventradas, telhados desfeitos, ruas esburacadas. Correm, saltam, trepam paredes, lançam o corpo em movimentos artísticos dignos dos melhores ginastas.
Em algumas regiões da Síria, onde as armas já se calaram, muitos jovens, que viram os seus últimos sete anos de vida condicionados e ameaçados pela guerra, dão asas à liberdade entregando-se ao parkour.
Esta técnica combina várias habilidades físicas com o objetivo de levar o praticante a percorrer uma distância de forma o mais rápida possível, ultrapassando com aparente facilidade os obstáculos que vão surgindo pelo caminho. Para estes jovens sírios, é também uma forma de celebrarem a paz no seu país.
Parkour em Inkhil, cidade da região de Daraa, sudoeste da Síria ALAA FAQIR / REUTERSDaraa chegou a ter escolas dirigidas pelo Governo de Assad, outras pelos rebeldes e outras ainda pelo Daesh ALAA FAQIR / REUTERSAcrobacias em Alepo, a cidade síria mais populosa GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGESO governo sírio retomou o controlo sobre Alepo em dezembro de 2016 GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGES“Magia” numa rua de Alepo, para espanto dos mais novos GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGESAcrobacias sobre um veículo militar sírio ALAA FAQIR / REUTERSParkour “nos céus” de Alepo GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGESSaltos e acrobacias nas ruas… GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGES… e sobre os telhados também GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGESEm Inkhil, os buracos transformaram-se em desafios ALAA FAQIR / REUTERSParkour sobre um bidão pintado com as cores de uma bandeira da oposição ao regime de Bashar al-Assad, em Daraa ALAA FAQIR / REUTERSEnquanto uns atuam, outros alimentam o sonho de os imitar GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGES“Homens aranha”, em Alepo GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGESDiversão em Alepo, junto a uma parede onde são visíveis buracos de bala GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGESO risco é relativo onde, outrora, caíram bombas GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGESAlepo, 7 de abril de 2018 GEORGE OURFALIAN / AFP / GETTY IMAGES
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 8 de abril de 2018. Pode ser consultado aqui
Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.