Na Tailândia, manifestantes recorreram ao gesto de resistência da saga “Hunger Games” para desafiar o Governo. Nas ruas árabes, os dedos em “v” uniram milhões de pessoas contra regimes déspotas. Dedos apontados para cima, para baixo, dedos juntos ou separados, mãos abertas viradas com a palma para a frente, punhos erguidos, polegares para baixo. Um pouco por todo o mundo, a mímica é uma arma. Nas ruas ou entre políticos, por vezes bastam gestos para passar mensagens importantes. Segue-se a prova em duas dúzias de imagens.
Perto da aldeia grega de Idomeni, um homem fecha as mãos e cruza os punhos incentivando ao bloqueio de uma linha de caminhos de ferro, junto à fronteira com a República da Macedónia. Migrantes e refugiados exigem que as fronteiras se abram para prosseguirem viagem até ao norte da Europa MARKO DJURICA / REUTERSInvestigado pela justiça brasileira por ocultação de património e lavagem de dinheiro, o ex-Presidente brasileiro Lula da Silva defende-se também nas ruas com o punho erguido da resistência. A imagem documenta uma manifestação pró-democracia em São Paulo, a 8 de abril NACHO DOCE / REUTERSPopulista e desbocado, o magnata norte-americano Donald Trump tem esbanjado confiança durante as primárias republicanas, o processo de escolha partidária que antecede as presidenciais nos Estados Unidos que, no caso republicano, termina a 7 de junho. Este comício em Buffalo, Nova Iorque, a 18 de abril, foi apenas um desses momentos CARLO ALLEGRI / REUTERSUm manifestante desaprova a atuação da polícia de choque que intercetou a marcha de um grupo de pessoas a caminho da Arena Castelão, em Fortaleza (Brasil), onde se disputava um jogo da Taça das Confederações, em 2013. Exigiam melhores serviços públicos e protestavam contra os avultados gastos com os grandes eventos desportivos no país DAVI PINHEIRO / REUTERSJeroen Dijsselbloem (à direita) continua a presidir ao Eurogrupo, mas Yanis Varoufakis (à esquerda) já não é ministro das Finanças da Grécia. Bruxelas, porém, continua a cruzar os dedos na esperança que as políticas de Atenas levem o país a bom porto FRANÇOIS LENOIR / REUTERSOfensivo, obsceno, insultuoso. O significado do “dedo do meio” não é passível de equívocos. Várias teorias arriscam uma origem para este gesto fálico. Numa delas, antropólogos sustentam que é uma variação de uma estratégia agressiva de alguns primatas que mostravam o pénis ereto aos inimigos numa tentativa de intimidação RAFAEL MARCHANTE / REUTERSPode ser utilizado para apontar um caminho, mas também para visar alguém. Nas ruas, o dedo indicador é muitas vezes usado para denunciar. A foto mostra um protesto anti-corrupção em Banguecoque, capital da Tailândia, a 15 de novembro de 2013 CHAIWAT SUBPRASOM / REUTERSEm riste, o dedo indicador assumiu, desde meados de 2014, um significado tenebroso — é juntamente com a bandeira negra um dos símbolos da propaganda do autoproclamado “Estado Islâmico” (Daesh). O gesto alude ao “tawhid”, um conceito central no Islão relativo à unicidade de Alá e que reporta à primeira metade da “shahada”, a afirmação de fé dos muçulmanos: “Não há outro deus senão Alá. Maomé é o seu mensageiro” REUTERSOs dedos em “v” foram um dos símbolos da Primavera Árabe, exibidos por milhões de pessoas nos protestos que tomaram as ruas um pouco por todo o mundo árabe. A foto mostra Ahmed Néjib Chebbi, advogado e político tunisino, num protesto pró-democracia na Avenida Bourguiba, em Tunis. Várias teorias tentam identificar a origem deste gesto. Uma delas arrisca que terá surgido durante a batalha de Azincourt em 1415, na Guerra dos 100 Anos, quando soldados franceses ameaçavam cortar os dois dedos de arqueiros ingleses feitos reféns para os impedir de disparar o arco. Em sinal de provocação, os ingleses acenavam aos inimigos com os dedos ameaçados. Durante a II Guerra Mundial, este foi um sinal usado profusamente. Quando as tropas nazis marchavam pelas ruas de Paris e o Reino Unido era o último reduto contra Hitler, o Comando Britânico esboçou a campanha de resistência “V for Victory” nos países ocupados. Aos microfones da BBC, o editor Douglas Ritchie — que surgia com a alcunha de “Colonel Britton” — apelava a que o “v” fosse usado como “símbolo da vontade invencível dos territórios ocupados”. O sinal começou a surgir a giz nos pavimentos, pintado em paredes ou em carros alemães. O gesto seria popularizado pelo primeiro-ministro Winston Churchill, o que lhe valeu fama mundial ZOUBEIR SOUISSI / REUTERSFicou conhecido como a saudação “três Shalits” e foi usado como símbolo de propaganda pelo movimento islamita palestiniano Hamas, após o rapto de três jovens israelitas, a 12 de junho de 2014, perto de um colonato no território palestiniano da Cisjordânia. Gilad Shalit foi um famoso soldado israelita que esteve refém do Hamas entre 2006 e 2011 e que foi libertado em troca da saída de 1027 presos palestinianos das prisões israelitas MUSSA QAWASMA / REUTERSA trilogia “Hunger Games”, adaptada ao cinema com grande sucesso, inspirou o movimento pró-democracia na Tailândia que saiu à rua em força após o golpe militar de 22 de maio de 2014. Na tela, a população da nação imaginária de Panem, que vivia na pobreza, revolta-se contra o poder central do abastado Capitólio que forçava jovens a competirem até à morte em concursos transmitidos pela televisão. Em sinal de unidade e solidariedade para com os jovens em lutam pela sobrevivência, a população do distrito 12 erguia o braço juntando os três dedos do meio. O gesto saltou dos ecrãs para a vida real e muitos tailandeses adotaram-no para desafiar a junta militar, que depois declarou-o ilegal CHAIWAT SUBPRASOM / REUTERSNo Egito, se dois dedos identificavam os opositores a Mubarak durante a revolução de 2011, quatro dedos passaram a identificar os apoiantes da Irmandade Muçulmana, após o seu Presidente Mohamed Morsi ter sido deposto por um golpe militar, em 2013. O gesto nasceu após um massacre — 1150 mortos segundo a Human Rights Watch — na Praça Rabi’a Al-Adawiya, em Nasr City, arredores do Cairo, onde milhares de “Irmãos” que acampavam em permanência foram dispersos com grande violência pelas forças da ordem. Rabaa al-Adawiya, que dá nome à praça, foi uma santa muçulmana e mística sufi do século VIII. Em árabe, “rabi’a” significa “quarto” (ordinal de quatro), daí os quatro dedos MUHAMMAD HAMED / REUTERSA mão aberta é um clássico em protestos de natureza variada. Em Espanha, milhões de cidadãos abriram as duas mãos em manifestações sucessivas contra o terrorismo da ETA, a organização separatista basca fundada em 1959 e que cessou atividade em 2011 — Movimento ¡Basta Ya! Ainda em Espanha, o gesto foi usado, mais recentemente, nos protestos dos Indignados. Mas foi nos EUA que ganhou um cunho mais dramático. Na sequência da morte do jovem afro-americano Michael Brown, em Ferguson, Missouri, atingido a tiro por um polícia branco, a 9 de agosto de 2014, multiplicaram-se protestos sob o slogan “Hands up. Don’t Shoot” (Mãos ao alto. Não dispare). Negros marchavam de mãos abertas para demostrar intenções pacíficas para com a polícia CARLO ALLEGRI / REUTERSNa imagem, apoiantes do Partido de Ação Nacionalista (MHP) fazem o sinal da “cabeça de lobo” numa iniciativa de rua em Ancara. Esta formação partidária é próxima dos “Lobos Cinzentos”, uma organização juvenil ultra-nacionalista e neo-fascista que visa, nomeadamente, os turcos de origem curda. Um dos seus membros era Mehmet Ali Agca que, em 1981, tentou assassinar o Papa João Paulo II, na Praça de S. Pedro UMIT BEKTAS / REUTERSLiderado por Joshua Wong (ao centro, na foto), o movimento estudantil pró-democracia Scholarism (entretanto dissolvido para dar lugar a um partido político) desafiou o Governo chinês nas ruas de Hong Kong, sobretudo em 2014. O protesto ficou conhecido como Revolução dos Guarda-chuvas (usados para tentar conter o gás lacrimogénio lançado pelas forças de segurança), mas outros símbolos foram usados pelos manifestantes. “Cruzamos os braços para expressar a nossa insatisfação em relação ao Governo e para refletir a nossa desconfiança em relação ao Governo central chinês”, explicou Joshua Wong à CNN. Pequim aprovara legislação condicionadora da eleição do Governo daquela região administrativa especial chinesa ANTHONY KWAN / GETTY IMAGESCruzados sobre o peito, os braços podem traduzir sentimentos carinhosos. É o que Hugo Chávez, o carismático e populista Presidente venezuelano falecido a 5 de março de 2013, pretendeu transmitir ao povo que o saudava junto à varanda do Palácio Miraflores, em Caracas. Chávez tinha acabado de regressar de mais uma viagem a Cuba, onde era tratado a um tumor, que se revelaria fatal CARLOS GARCIA RAWLINS / REUTERSNicolas Maduro herdou de Hugo Chávez não só a presidência da Venezuela como o jeito para comunicar com o povo de forma afetiva. Na foto, ele recorre à mímica para fazer um coração direcionado a um grupo de estudantes que o saudava no exterior do Palácio Miraflores, em Caracas CARLOS GARCIA RAWLINS / REUTERSPetro Poroshenko, Presidente da Ucrânia, marca presença numa cerimónia de homenagem às vítimas da II Guerra Mundial, junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido, em Kiev, a 22 de junho de 2015. A mão sobre o coração revela sentimento e respeito. Noutras circunstâncias, colocar a mão sobre o coração significa que aquilo que se diz é a mais pura das verdades. Para muitos povos, é um hábito que acompanha a interpretação do hino nacional, por exemplo REUTERSAs mãos juntam-se durante uma oração e também num desejo de paz. Esta é uma forma de saudação que caracteriza o líder espiritual dos tibetanos, Dalai Lama JESSICA RINALDI / REUTERSJuntar as mãos em sinal de paz pode também ser um recurso quando, por algum motivo, os interlocutores estão impedidos de se tocarem, como acontece na situação da foto, relativa a um encontro em Nova Deli entre o iraniano Javad Zarif e a indiana Sushma Swaraj, a 14 de agosto de 2015. Na República Islâmica do Irão, por norma, um homem só deve tocar em mulheres da família ou naquela com quem vai casar. A prática é seguida à risca pelo protocolo iraniano, ainda que nas ruas haja cada vez mais cidadãos a ignora-la ADNAN ABIDI / REUTERSDe mãos dadas, revelador de unidade e coesão, um grupo de pessoas exige, junto ao Parlamento de Taiwan, a revisão da lei do referendo, para que os assuntos mais controversos possam ser submetidos a consulta popular. O protesto, a 10 de abril de 2015, inseria-se no chamado Movimento do Girassol, que contestava um acordo comercial celebrado com a República Popular da China e visto como uma ameaça à democracia em Taiwan PICHI CHUANG / REUTERSUm casal de migrantes prossegue viagem perto de Gevgelija, na Macedónia, após atravessar a fronteira entre a Grécia, a 6 de setembro de 2015. De mãos entrelaçadas, ajudam-se e incentivam-se para ultrapassar o muito que ainda têm pela frente STOYAN NENOV / REUTERSO gesto repete-se milhões de vezes todos os dias e em todo o mundo. Mas há situações que são mais especiais do que noutras. Com um simples apertar de mão e uma máquina fotográfica por perto, os Presidentes de Cuba e dos Estados Unidos, Raúl Castro e Barack Obama, mostraram ao mundo que a inimizade que caracterizou a relação bilateral desde a Revolução cubana de 1959 faz parte do passado. Este cumprimento aconteceu a 21 de março deste ano, durante a histórica visita de Obama a Cuba CARLOS BARRIA / REUTERSBarack Obama não se dá mal com o humor e ao longo dos dois mandatos como Presidente dos Estados Unidos marcou presença nos “talk shows” humorísticos variadas vezes. A sua atitude descontraída contribuiu igualmente para que tirasse partido de situações inesperadas. Desafiado pelo cadete Robert McConnell a posar “à James Bond”, durante a cerimónia de atribuição de diplomas da Academia da Guarda Costeira dos EUA, a 20 de maio de 2015, Obama não desiludiu. A pensar numa carreira em Hollywood após deixar a Casa Branca? KEVIN LAMARQUE / REUTERS
Artigo publicado no “Expresso Diário”, a 16 de maio de 2016. Pode ser consultado aqui
Sacerdotes, bispos, religiosas e leigos relataram à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre casos de violência que testemunharam nos quatro cantos do mundo. “Perseguidos e Esquecidos?” é o título do relatório que compila esses relatos, divulgado terça-feira em todo o mundo
No verão de 2014, a tomada de Mossul e Nínive, no Iraque, pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh) forçou 120 mil cristãos ao êxodo. Pela primeira vez em 1800 anos, não houve missa dominical em Mossul.
No coração da região onde nasceu o Cristianismo, as populações cristãs estão à beira da extinção. “Numa altura em que o número de deslocados e refugiados atingiu máximos históricos, grupos islâmicos têm levado a cabo uma limpeza étnica de cristãos por motivos religiosos, designadamente em regiões de África e do Médio Oriente”, denuncia o relatório “Perseguidos e Esquecidos?”, divulgado, esta terça-feira, pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).
“Como consequência deste êxodo, o Cristianismo está em vias de desaparecer do Iraque, possivelmente no prazo de cinco anos, a menos que seja disponibilizada ajuda de emergência a nível internacional numa escala massiva cada vez maior.”
Cristianismo, essa importação colonial
O documento avalia pressões sobre cristãos católicos, ortodoxos e protestantes em países com regimes autoritários, como a Arábia Saudita, o Irão e a China, e em Estados onde estão em alta grupos radicais islâmicos, como Nigéria, Sudão, Quénia e Tanzânia.
Em países devastados pela guerra — como Síria e Iraque —, aos cristãos não resta alternativa a não ser (tentar) fugir. “Estamos expostos à morte o dia inteiro”, testemunha Jean-Clement Jeanbart, arcebispo católico grego melquita, da diocese de Alepo (Síria).
Menos mediáticas do que as perseguições em contextos de guerra, as ameaças aos cristãos decorrem também da afirmação de movimentos nacionalistas muçulmanos (Paquistão), hindus (Índia), budistas (Sri Lanka) e judeus (Israel). Muitos desses movimentos “veem o Cristianismo, cada vez mais, como uma importação estrangeira colonial”, continua o relatório da AIS. “Os cristãos são olhados com suspeição e são vistos como estando ligados ao Ocidente, que é considerado corrupto e explorador.”
“Perseguidos e Esquecidos?” debruça-se sobre a situação nos 22 países que registaram mais violações à liberdade religiosa entre outubro de 2013 e julho de 2015. A fotogaleria que acompanha este texto dedica duas fotos a cada país selecionado pela AIS, organização dependente da Santa Sé.
“Vemos hoje os nossos irmãos perseguidos, decapitados e crucificados por causa da sua fé em Jesus, perante os nossos olhos e muitas vezes com o nosso silêncio cúmplice”, alertou o Papa Francisco, em abril de 2015.
ARÁBIA SAUDITA — O país onde nasceu o Islamismo, há cerca de 1400 anos, e que abriga as principais cidades santas muçulmanas (Meca e Medina), é dos mais intolerantes em matéria de outros cultos religiosos. O sistema legal saudita baseia-se na “sharia” (lei islâmica) e prevê a aplicação da pena de morte a quem trocar o Islão por outra religião. Entre as acusações que condenaram o “blogger” saudita Raif Badawi a dez anos de prisão e 1000 chicotadas em público está um “like” que fez numa página do Facebook para árabes cristãos. Livros escolares fornecidos pelo Governo descrevem os cristãos como “suínos” e “as piores criaturas” que “habitarão no fogo do inferno”. (A foto retrata um muçulmano durante a peregrinação a Meca.) AHMAD MASOOD / REUTERSARÁBIA SAUDITA — A construção de igrejas é proibida, tal como a exibição da cruz e o enterro de não-muçulmanos. Também é proibido importar a Bíblia. Em março passado, o Grande Mufti Sheikh Abdul Aziz bin Abdullah apelou, pela terceira vez, à destruição de todas as igrejas construídas na Península Arábica. Em 2008, no Qatar, fora inaugurada a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (católica) — sem cruz nem sino exterior —, num terreno doado pelo Emir Hamad bin Khalifa. Foi a primeira igreja cristã em território sunita waabita. Estima-se que, na Arábia Saudita, vivam cerca de 1,5 milhões de cristãos, a maioria imigrantes filipinos, como Omar e Khalid (na foto), saudados por sheikhs sauditas, em Riade, após converterem-se ao Islão. ALI JAREKJI / REUTERSBIELORRÚSSIA — Maioritariamente ortodoxo oriental, é o país da Europa de Leste com maior proporção de católicos (na foto, uma igreja católica na aldeia de Staraelnya, sudoeste de Minsk). Porém, é necessária autorização estatal para se realizar atividades religiosas, sendo que os grupos não reconhecidos arriscam-se a ver as suas propriedades invadidas e os bens apreendidos. “Há uma grande necessidade de construção de pequenas igrejas e capelas para novas comunidades”, diz Magda Kaczmarek, da Ajuda à Igreja que Sofre, que visitou o país em novembro de 2014. “Uma questão que permanece sem resposta prende-se com a restituição de propriedades confiscadas pelo Estado após a II Guerra Mundial.” VASILY FEDOSENKO / REUTERSBIELORRÚSSIA — Isolado, este país eslavo conserva a aura de décadas de domínio comunista, em que a Igreja era perseguida. Então, locais de culto foram transformados em cinemas, armazéns e pavilhões desportivos. No poder desde 1994, Alexander Lukashenko foi reeleito, no passado domingo, para um quinto mandato, com 83,5% dos votos, o seu melhor resultado de sempre. Fora de portas chamam-lhe “o último ditador europeu”. VASILY FEDOSENKO / REUTERSCHINA — Celebração pascal numa igreja católica de Shenyang, província de Liaoning, na China SHENG LI / REUTERSCHINA — Desde janeiro deste ano, a Christian Solidarity Worldwide já registou mais de 650 incidentes na província de Zhejiang, incluindo a demolição total ou parcial de igrejas ou de edifícios geridos pela Igreja (alguns aprovados pelo Governo), modificações ou coberturas da cruz, ferimentos, detenções e penas de prisão. Em 2014, os crentes chineses sofreram a mais dura perseguição em mais de uma década, com 449 líderes religiosos detidos, por comparação com 54, em 2013. (Na foto, um coro canta canções de Natal, numa igreja católica de Shenyang, província de Liaoning.) SHENG LI / REUTERSCOREIA DO NORTE — À frente de um dos países mais isolados na cena internacional, a dinastia Kim, que governa o país desde 1953, pune o culto religioso, com a mesma determinação com que incentiva o culto da personalidade do líder. Campanhas de violência e outras formas de intimidação contra os fiéis inserem-se na estratégia de repressão a toda e qualquer dissidência. Notícias publicadas em órgãos de informação sul-coreanos, em março de 2014, dão conta da execução de 33 cristãos norte-coreanos após contactarem com missionários do sul. O regime acusou-os de espionagem. (Na foto, Hyeon Soo Lim, líder de uma congregação canadiana detido pelas autoridades de Pyongyang, “confessa” a participação em crimes visando derrubar o Estado.) REUTERSCOREIA DO NORTE — Estima-se que pelo menos 10% dos cerca de 400 a 500 mil cristãos norte-coreanos estão detidos em campos de trabalhos forçados. Ali são sujeitos a tortura, assassínio, violação, experimentação médica, aborto forçado e mesmo execução. Os prisioneiros religiosos recebem, habitualmente, tratamento mais duro. (Na foto, Karen Short mostra uma imagem do marido, o missionário australiano John Short, preso na Coreia do Norte, acusado de distribuição de panfletos cristãos num comboio e num templo budista. Short seria libertado e expulso do país.) SIU CHIU / REUTERSEGITO — Em fevereiro passado, um grupo leal ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh) decapitou 20 egípcios coptas que trabalhavam na Líbia (na foto). A execução, filmada e posta a circular na Internet, aconteceu junto à costa mediterrânica. Treze das vítimas eram oriundas da aldeia de El-Aour (província de Minya), maioritariamente cristã. Entre eles, estava Abanub Ayyad Atiyyah, 22 anos, licenciado em administração e gestão de empresas. “Eu dependia dele para ajudar com as despesas da casa e os custos da educação do irmão”, testemunhou o pai. Bushra Fawzi também reconheceu o filho, Shenouda, entre os que se ajoelhavam, de fato laranja, junto aos carrascos: “É o meu primeiro filho e o mais velho, a minha primeira alegria e felicidade. Quero o seu corpo de volta. Se eles o deitaram ao mar, quero-o de volta. Se o queimaram, quero o seu pó.” O Papa Ortodoxo Copta Tawadros II anunciou que as vítimas serão formalmente reconhecidas mártires da Igreja. REUTERSEGITO — Em junho de 2014, Kerolos Shouky Attallah, um cristão copta egípcio de 29 anos, foi condenado a seis anos de prisão por clicar “gosto” numa página do Facebook considerada crítica do Islamismo. Kerolos não fez qualquer publicação e retirou o seu “gosto” quando percebeu que alguns muçulmanos consideravam a página ofensiva. Foi acusado de blasfémia, por explorar a religião divina no sentido do incitamento à rebelião. A gravidade da sua pena chocou os cristãos coptas e constituiu um alerta para os utilizadores do Facebook no Egipto. REUTERSERITREIA — Cristãos e outras minorias religiosas estão a abandonar a Eritreia em grande número, em virtude não só da opressão governamental como também do aumento da atividade de grupos radicais islâmicos. (A foto mostra uma igreja improvisada no campo de refugiados de Calais, França, frequentada por migrantes etíopes e eritreus.) Em junho passado, 86 eritreus cristãos foram raptados pelo Daesh quando tentavam atravessar a Líbia. Após mandarem parar os carros onde os eritreus seguiam, os extremistas fizeram perguntas sobre o Alcorão para apanhar em falso os cristãos. PASCAL ROSSIGNOL / REUTERSERITREIA — Estima-se que cerca de 3000 eritreus, a maioria cristãos, estejam atualmente presos em virtude das suas crenças religiosas. Antigos prisioneiros descreveram atos de tortura e outros abusos físicos bem como as difíceis condições de sobrevivência em celas sobrelotadas, sem condições sanitárias nem ventilação. As relações Igreja-Estado azedaram após uma carta assinada por quatro bispos católicos eritreus, em junho de 2014, afirmando que as políticas governamentais eram, em parte, responsáveis pela migração em massa, acusação que irritou as autoridades de Asmara. PASCAL ROSSIGNOL / REUTERSÍNDIA — Em março de 2015, a polícia indiana foi acusada de recorrer à violência para dispersar uma manifestação pacífica contra o aumento dos ataques contra igrejas e cristãos, por parte de extremistas hindus. (Na foto, indianas protestam contra a “destruição de cruzes”, em Bombaim.) DANISH SIDDIQUI / REUTERSÍNDIA — Em alguns países, como a Índia, uma certa elite religiosa radicalizada, cada vez maior e mais influente, considera o Cristianismo ofensivo, não só pela fé que defende como também pelas suas ligações ao período colonial. O cardeal Telesphore Toppo, arcebispo de Ranchi, recebeu ameaças de morte. Vários relatos sugerem que movimentos nacionalistas hindus atuam no pressuposto de que a vitória eleitoral do primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi, em 2014, significou um relaxamento das autoridades em relação aos ataques feitos em nome da religião mais identificada com o Estado-nação. DANISH SIDDIQUI / REUTERSINDONÉSIA — É um dos nove países onde ganhou expressão uma clara violência anticristã: os outros são Irão, Iraque, Quénia, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Síria. A Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo, com mais de 200 milhões de crentes em Allah. Nalgumas áreas, populações cristãs estão sujeitas às leis da “sharia” (lei islâmica). (A indonésia da foto usa uma máscara para se proteger do fumo dos incêndios que invade aquela igreja de Palangkaraya.) REUTERSINDONÉSIA — Num dos últimos ataques conhecidos, em inícios de julho, extremistas islâmicos atacaram um acampamento de milhares de escoteiros organizado por uma associação protestante, em Yogyakarta, na ilha de Java. Os radicais disseram que os protestantes não tinham autorização para organizar aquele evento público e que, estando a decorrer o Ramadão, atividades do género violavam a natureza sagrada daquele mês. (Na foto, indonésios ameaçados pela erupção do vulcão Sinabung buscam refúgio dentro de uma igreja.) RONI BINTANG / REUTERSIRÃO — A natureza confessional da República Islâmica do Irão e o poder de órgãos de segurança internos como os “pasdaran” e os “basiji” colocam o país na dependência das autoridades religiosas xiitas, com graves repercussões para as minorias religiosas. O crime de apostasia — renúncia ou abandono de uma crença religiosa — surge como um dos principais obstáculos à liberdade religiosa no país. A conversão de um muçulmano a outra religião não é explicitamente proibida na Constituição, mas tradicionalmente é tratada como crime. (Na foto, um religioso passa junto às campas de iranianos arménios mortos durante a guerra Irão-Iraque, numa igreja no centro de Teerão.) MORTEZA NIKOUBAZL / REUTERSIRÃO — A maior parte dos 0,5% de iranianos que professam o Cristianismo são protestantes. A Igreja Católica está presente em seis dioceses, entre as quais Ahwaz (caldeia), Isfahan (arménia) e Teerão (caldeia). Em janeiro de 2014, Davoud Alijani, pastor numa igreja de Ahwaz, foi libertado da prisão de Karoon. Tinha sido detido durante as celebrações natalícias de 2011. O número de cristãos presos quase duplicou durante o ano de 2014, apesar das promessas do Governo no sentido de promover a tolerância religiosa. (A foto regista uma missa de Ano Novo, na Igreja de Saint Serkis, no centro de Teerão.) MORTEZA NIKOUBAZL / REUTERSIRAQUE — O ano passado foi catastrófico para os cristãos do Iraque. Quando, em junho, o Daesh tomou de assalto a segunda cidade, Mossul, apresentou aos “nazarenos” uma escolha: ou iam embora ou tinham de converter-se ao Islão e pagar o imposto da “jizya”. A alternativa era… a espada. Quando, depois, o Daesh retirou a opção da “jizya”, quase toda a comunidade cristã fugiu com a roupa que trazia no corpo. (Na foto, católicos iraquianos entram na Igreja do Sagrado Coração, em Bagdade, protegida por seguranças.) AHMED SAAD / REUTERSIRAQUE — “Durante longos séculos, nós, cristãos do Iraque, vivemos muitas dificuldades e perseguições. Mas o que vivemos agora são os piores atos de genocídio na nossa terra”, alertou, em fevereiro passado, o arcebispo caldeu Bashar Warda, de Erbil. “Enfrentamos a extinção do Cristianismo como religião no Iraque.” Os cristãos iraquianos não vão além dos 275 mil. A Ajuda à Igreja que Sofre estima que o Cristianismo poderá desaparecer do Iraque no prazo de cinco anos. Será o fim de uma presença contínua de 1800 anos. (Na foto, funeral do cristão Tareq Aziz, ministro dos Negócios Estrangeiros de Saddam Hussein, a 13 de junho passado, em Amã, Jordânia.) MUHAMMAD HAMED / REUTERSISRAEL — A 17 de junho passado, extremistas judeus atearam fogo à Igreja da Multiplicação dos Pães, em Tabgha, na Galileia, norte de Israel (na foto). No local, foram encontrados graffitis em hebraico denunciando o culto de “falsos ídolos”. A igreja atacada assinala, para os cristãos, o local onde Jesus realizou o “milagre dos cinco pães e dois peixes”, referido nos quatro Evangelhos. Milhares de peregrinos visitavam esta igreja todos os anos. Este foi o segundo ataque àquela igreja: em abril de 2014, extremistas judeus profanaram cruzes e um altar no local. BAZ RATNER / REUTERSISRAEL — É o único país do Médio Oriente com uma população cristã em expansão. O recente ataque à Igreja da Multiplicação dos Pães (foto) marca um padrão emergente, denunciam líderes religiosos locais. Ouvido pela AIS, o bispo auxiliar William Shomali, do Patriarcado Latino de Jerusalém, diz recear que o extremismo judeu esteja a “aumentar em número e no grau de intolerância”. BAZ RATNER / REUTERSNIGÉRIA — Para muitos cristãos no país mais populoso de África, a vida está diretamente ameaçada pelos terroristas do Boko Haram que pretendem erradicar o Cristianismo na Nigéria. Estima-se que os cristãos ascendam a 49,3% da população e os muçulmanos a 48,8%. Os extremistas têm visado, sobretudo, aldeias, igrejas e escolas, raptando raparigas e matando rapazes. Ataques à diocese católica de Maiduguri (nordeste), em maio passado, provocaram a destruição de 350 igrejas e colocaram em fuga 100 mil católicos. (Na foto, uma missa católica em Port Harcourt.) AFOLABI SOTUNDE / REUTERSNIGÉRIA — Ruínas de uma igreja em Baga, cidade situada no nordeste da Nigéria, tomada por combatentes do Boko Haram em janeiro deste ano JOE PENNEY / REUTERSPAQUISTÃO — Neste protesto, na cidade de Lahore, pede-se a libertação de Asia Bibi, uma paquistanesa cristã, condenada à morte por blasfémia MOHSIN RAZA / REUTERSPAQUISTÃO — Neste país muçulmano, cristãos têm sido enforcados e queimados vivos às mãos de extremistas, que aproveitam um certo relaxamento das autoridades de Islamabad em responder a atos violentos contra minorias religiosas. Aparentemente, diz a Ajuda à Igreja que Sofre, as instituições legais têm cedido à pressão colocada por grupos conservadores, que crescem em poder e popularidade. Em março passado, ataques à bomba contra duas igrejas de Lahore mataram 17 pessoas. (Na foto, interior da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, nessa cidade.) MOHSIN RAZA / REUTERSQUÉNIA — País esmagadoramente cristão, o Quénia consagra o direito à liberdade religiosa na sua Constituição. Todas as novas Igrejas têm de ser registadas e, pontualmente, a legislação permite a intervenção de tribunais islâmicos em processos relacionados com casamento, divórcio e herança. Populações muçulmanas queixam-se de discriminação e esquecimento por parte das autoridades, razões que têm facilitado a recruta por parte de jihadistas. (Na foto, Margaret Ngesa, da Missão da Igreja Africana da Legião de Maria, na sua casa, em Nyang’oma Kogelo, aldeia da família de Barack Obama.) THOMAS MUKOYA / REUTERSQUÉNIA — A 2 de abril de 2015, homens armados invadiram a Universidade de Garissa, leste do país, e mataram 147 pessoas. Durante o ataque, selecionaram criteriosamente os reféns: libertaram os muçulmanos e executaram cristãos e outros não-muçulmanos. Os terroristas afirmaram serem membros do Al-Shabaab, grupo jihadista sedeado na Somália com ligações à Al-Qaeda, e justificaram o ataque à instituição dizendo estar situada em território muçulmano colonizado por não-muçulmanos. NOOR KHAMIS / REUTERSRÚSSIA — A liberdade religiosa melhorou no país desde os anos do comunismo, mas legislação relativa a encontros ilegais, manifestações, procissões e protestos têm visado diretamente cristãos que se reuniam em cafés, cinemas, centros culturais, ruas, parques infantis e praças públicas. Há mesmo casos de crentes que foram processados por se reunirem em casas privadas. Alguns centros geridos por cristãos foram acusados de “atividade ilegal”. (A foto regista uma vigília em frente a uma igreja católica, em Krasnoyarsk, na Sibéria.) ILYA NAYMUSHIN / REUTERSRÚSSIA — A Constituição de 1993 declara que o Estado russo é não-confessional e consagra a liberdade religiosa, desde que isso não interfira com a ordem pública. Mas na prática, a legislação restringe esta liberdade. De acordo com a Lei da Liberdade de Consciência e Associações Religiosas de 2007, o Estado apenas reconhece o Cristianismo Ortodoxo Oriental, o Judaísmo, o Islamismo e o Budismo como “religiões tradicionais” da Rússia. Paralelamente, ignora o papel histórico da Igreja Católica e das comunidades protestantes. (Na foto, o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, discursa numa capela russa, em Vrsic, Eslovénia, em 26 de julho.) SRDJAN ZIVULOVIC / REUTERSSÍRIA — Diz a tradição cristã que São Paulo foi convertido na Síria e batizado, crismado e ordenado pela Igreja em Damasco. Hoje, a região não podia ser mais agreste para com os cristãos. “Na minha diocese de Alepo, no norte da Síria, estamos na linha da frente deste sofrimento”, testemunha Jean-Clement Jeanbart, arcebispo católico grego melquita. “A minha própria catedral foi bombardeada seis vezes e agora não a podemos usar. A minha casa também foi atingida mais de dez vezes.” Tanto na Síria como no Iraque, as comunidades cristãs e outras minorias vulneráveis estão indefesas contra as investidas do Daesh. “Somos de facto tratados como ovelhas destinadas ao matadouro.” (Na foto, tropas curdas junto a uma igreja assíria, em Tel Jumaa.) RODI SAID / REUTERSSÍRIA — Em abril de 2014, um sacerdote jesuíta holandês de 75 anos que vivia e trabalhava na Síria há quase 50 anos (na foto) foi assassinado. O padre Frans van der Lugt tornara-se um defensor dos pobres e necessitados, independentemente da sua religião. Durante três anos, permaneceu no bairro cristão da Cidade Velha de Homs, promovendo ações de reconciliação entre diferentes grupos, enquanto a cidade esteve cercada. Recusou ofertas para ser retirado dali. O padre Frans van der Lugt era um dos recetadores da assistência encaminhada pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre para a Síria. YAZAN HOMSY / REUTERSSRI LANKA — Embora o Budismo seja visto como uma religião de paz, um ramo mais militante deste credo aliou-se a correntes nacionalistas que o consideram a religião legítima de países como o Sri Lanka e Myanmar (antiga Birmânia). O ódio e violência daí decorrentes tem visado populações cristãs e muçulmanas. Muitas igrejas foram destruídas e encerradas às mãos de budistas extremistas. (Na foto, a Igreja de St. James, em Jaffna.) REUTERSSRI LANKA — Em 2014, cerca de 60 igrejas e capelas foram atacadas no Sri Lanka, ainda assim uma acentuada redução em relação às 105 do ano anterior. Num dos casos, 11 monges budistas lideraram uma multidão de 250 pessoas que atacaram a Igreja da Sagrada Família, em Asgiriya, arrastando o pastor e a mulher para fora de casa para serem agredidos. (A foto mostra um protesto em Colombo contra os ataques a locais de culto.) DINUKA LIYANAWATTE / REUTERSSUDÃO — A redução do número de cristãos no Sudão é diretamente proporcional ao reforço da agenda islâmica do Presidente Omar al-Bashir. No poder desde 1989, é o único chefe de Estado em funções a ser alvo de um mandado de captura emitido, em 2009, pelo Tribunal Penal Internacional, acusado de genocídio no conflito do Darfur. (A foto mostra muçulmanos em oração, em Cartum.) MOHAMED NURELDIN ABDALLAH / REUTERSSUDÃO — Em 2014, uma sudanesa grávida de oito meses foi presa e condenada à morte por adultério e apostasia. Mariam Ibrahim tinha casado com um cristão, atrevimento que levou a família a denuncia-la à polícia. Filha de uma ortodoxa etíope, que a batizou quando era bebé, e de um muçulmano, que a abandonou com pouca idade, Mariam viu um tribunal decidir que devia ser educada na fé do pai. A sua condenação à morte captou as atenções internacionais, originando grande pressão sobre as autoridades de Cartum. Foi libertada e autorizada a viajar para os EUA (na foto, à chegada a um aeroporto de New Hampshire, a 31 de julho de 2014), onde vive com o marido, o filho e a pequena Maya, nascida na prisão. A caminho dos EUA, foi recebida em Roma pelo Papa Francisco. BRIAN SNYDER / REUTERSTURQUEMENISTÃO — Um novo código administrativo introduzido em janeiro de 2014 aumentou as punições para os grupos religiosos “ilegais”, ou seja não registados. A Igreja Católica conseguiu registar-se como comunidade religiosa apenas em março de 2010 — o primeiro pedido tinha sido entregue em 1997, quando chegaram a Ashgabat (na foto) os dois primeiros sacerdotes católicos. Muitos cristãos são forçados a prestar culto em segredo. REUTERSTURQUEMENISTÃO — Fechado ao escrutínio independente, permanece como um dos países mais repressivos do mundo. Os órgãos de informação e as liberdades religiosas estão sujeitas a restrições draconianas e os defensores dos direitos humanos enfrentam ameaças constantes de represálias por parte do Governo do Presidente Kurbanguly Berdymukhamedov (na foto). Esmagadoramente muçulmano, acolhe as celebrações muçulmanas sunitas como festas nacionais. REUTERSTURQUIA — O recente atentado sangrento (97 mortos) em Ancara, atribuído ao Daesh, vem confirmar os receios que apontam para um aumento do Islamismo radical no seio da sociedade turca. Oficialmente um Estado laico — um legado do primeiro Presidente Mustapha Kemal Ataturk —, a Turquia é politicamente dominada pelo AKP, um partido islamita moderado (sunita). Os judeus e duas comunidades cristãs (Patriarcado Ecuménico de Constantinopla e Patriarcado Apostólico Arménio) são oficialmente reconhecidas como “minorias protegidas”. Os alauitas, um ramo do Islão xiita, apenas são reconhecidos em termos culturais, apesar de ter entre 15 e 20 milhões de seguidores. (Na foto, missa na Igreja Patriarcal Surp Asdvadzadzin (arménia), em Istambul.) MURAD SEZER / REUTERSTURQUIA — Museus que, originalmente, tinham sido igrejas são hoje utilizadas como mesquitas. Um pedido semelhante foi feito em relação à mundialmente famosa Hagia Sophia (na foto), em Istambul, uma antiga igreja que, desde 1935, tem o estatuto de museu. No início de 2015, as autoridades turcas autorizaram a construção de uma igreja para a pequena minoria siríaca, em Istambul, a primeira desde a implantação da República, em 1923. Erol Dora, o primeiro e único deputado turco siríaco, afirmou: “A escala da discriminação torna-se óbvia quando notícias sobre a primeira nova igreja a ser construída num século são saudadas como um acontecimento monumental”. MURAD SEZER / REUTERSUCRÂNIA — A liberdade religiosa tem-se ressentido de toda a instabilidade política que tem afetado o país, palco de uma recente intervenção militar por parte da Rússia. “O facto das dioceses ortodoxas estarem a ser confiscadas pela força na Ucrânia e de os ortodoxos ucranianos sofrerem discriminação é uma surpresa desagradável para nós”, denunciou, a 2 de outubro passado, o chefe da Igreja Ortodoxa Polaca, após um encontro com um representante da Igreja Ortodoxa Ucraniana. “Onde estão as autoridades? Porque não protegem o povo e defendem os seus direitos religiosos? A Ucrânia quer ser um Estado democrático, mas em democracia tem de haver ordem.” (Na foto, uma procissão perto do sítio onde se despenhou o avião MH17 da Malaysia Airlines, na aldeia de Hrabove, região de Donetsk.) REUTERSUCRÂNIA — Desde que a Crimeia passou para soberania russa, na sequência do referendo de 16 de março de 2014, que a proibição de literatura religiosa “extremista” foi alargada àquela antiga região ucraniana. Todos os livros catalogados nesta categoria tiveram de ser entregues às autoridades até ao final de 2014. (Na foto, uma imagem de Jesus Cristo danificada pela guerra, numa igreja na região de Donetsk.) MARKO DJURICA / REUTERSVIETNAME — O Governo continua a controlar as atividades religiosas e a reprimir os grupos que desafiam a sua autoridade, com graves sanções para os crentes que não obedecem às restrições oficiais. Ao abrigo do Decreto 92, introduzido a 1 de janeiro de 2003, grupos que desejem organizar “encontros religiosos” têm de obter autorização. Também prevê que os sacerdotes sejam obrigados a frequentar cursos sobre a história do Vietname e sobre legislação e obriga-os a submeter pedidos formais sempre que quiserem viajar para o estrangeiro ou entre regiões vietnamitas. (Na foto, uma missa católica numa paróquia pobre dos arredores de Hanói.) NGUYEN HUY KHAM / REUTERSVIETNAME — Após uma diretiva de 2012 do Comité de Assuntos Religiosos do Ministério do Interior, grupos de cristãos protestantes do noroeste e das terras altas centrais do Vietname enfrentaram situações de repressão. Em três províncias do norte, os governos locais recusaram reconhecer a Igreja Católica como entidade legal, contrariando assim uma determinação do poder central. (A imagem regista uma cerimónia de batismo, numa igreja católica de Hoa Binh.) NGUYEN HUY KHAM / REUTERS
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 14 de outubro de 2015. Pode ser consultado aqui e aqui
Uma nova campanha ambiental recorre a fotos dramáticas para alertar para os efeitos catastróficos da intervenção direta do Homem sobre o planeta. Do lixo no mar aos cemitérios de tecnologia, a Terra está esgotada e tem cada vez menos condições para acomodar uma população que não para de crescer. “Estamos a pedir muito ao planeta”, diz ao “Expresso” um dos dinamizadores da campanha Global Population Speak Out
A cada hora que passa, há 9000 novos habitantes na Terra. Previsivelmente, ao longo da vida, grande parte destas pessoas não passará sem um portátil, um tablet e/ou smartphone, que irá substituindo por modelos mais sofisticados com cada vez mais frequência.
“Se os dispositivos tecnológicos servirem como instrumentos de marketing para a economia de consumo — ou seja, se os utilizadores estiverem expostos a propagandas implacáveis que os instam a comprar produtos que não são realmente necessários para a sua prosperidade —, isso conduzirá ao aumento da extração de recursos naturais”, alerta ao “Expresso”Joseph Bish, da organização Population Media Center, promotora da campanha ambiental Global Population Speak Out.
Posta de pé por cientistas, académicos, líderes de opinião, ambientalistas e cidadãos comuns preocupados, esta campanha coloca ênfase nas consequências nefastas para o planeta da intervenção direta do ser humano.
“Recentemente, um estudo [da Universidade de Yale, EUA] revelou que 40% dos adultos em todo o mundo nunca ouviram falar de alterações climáticas”, diz Joseph Bish. “Com base nas taxas de extinção globais, habitats destruídos, alterações químicas dos oceanos e do céu, alterações climáticas, toxicidade e poluição do ambiente, é claro que nós estamos a pedir muito ao planeta.”
Peça central nesta campanha de sensibilização ambiental, o livro “Over Development, Over Population, Over Shoot” — que pode ser folheado gratuitamente aqui — reproduz mais de 170 fotografias que testemunham a destruição generalizada de ecossistemas terrestres, marítimos e aéreos. Os organizadores esperam com estas imagens dramáticas contribuir para alterar mentalidades e hábitos.
“Há muitas formas de mudar regras e comportamentos sociais”, diz Joseph Bish. “O ensino primário e secundário é a mais importante. Também há estratégias como a educação-espetáculo (“entertainment-education”), um método já testado de envolvimento de públicos, introdução de novas ideias e capacitação de pessoas para que tomem melhores decisões com base em mais informação e no incentivo à auto-avaliação e discussão. Estas novas dinâmicas sociais criam condições para mudanças duradouras na sociedade.” O programa infantil “Rua Sésamo” será, porventura, o mais famoso da técnica de educação-espetáculo.
Ao longo de 316 páginas, o livro alerta para fenómenos como o sobrepovoamento das cidades, a produção alimentar intensiva, a sobreexploração de recursos, altos níveis de poluição, caça ilegal, deflorestação, consumo tecnológico desenfreado.
Conclui Joseph Bish: “Nós temos a expectativa de que o nosso planeta forneça espaço, comida e abrigo, facilmente e de forma automática, aos novos habitantes e àqueles que já cá estão — ainda que maltratando terrivelmente a natureza e as espécies com quem coabitamos”.
MAR DE LIXO — O surfista indonésio Dede Surinaya apanha uma onda carregada de lixo na baía de Java, a ilha mais povoada do mundo. “Água e ar, os dois fluidos fundamentais de que depende toda a vida, tornaram-se caixotes de lixo globais.” (Jacques-Yves Cousteau, oceanógrafo francês) ZAK NOYLE / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTDEGELO QUE MATA — Um urso sucumbiu, sem ter o que caçar perante a falta de gelo nos fiordes de Svalbard, Noruega. “A situação no Ártico assemelha-se a uma bola de neve: perigosas mudanças no Ártico decorrentes da acumulação antropogénica de gases com efeito de estufa levaram a mais atividades que conduziram a mais emissões de gases com efeito de estufa. Esta situação tem o ímpeto de um comboio desgovernado.” (Carlos Duarte, ecologista espanhol especializado no impacto das alterações climáticas nos oceanos) ASHLEY COOPER / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTILHAS SUBMERSAS — Um dos Estados mais vulneráveis às alterações climáticas, o arquipélago das Maldivas está gravemente ameaçado pela subida do nível do mar. Outro país afetado pelo fenómeno é o Tuvalu. “A ilha está cheia de buracos e a água do mar está a preenche-los, inundando áreas que não estavam submersas há 10 ou 15 anos.Temos projeções para daqui a 50 anos. Depois disso, vamos afogar.” (Paani Laupepa, ex-assessor no Ministério dos Recursos Naturais do Tuvalu) PETER ESSICK / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTNUVEM DE POLUIÇÃO — No Bangladesh, chaminés de olarias rodeadas de lixo cospem fumo negro para a atmosfera. “Simplificando, se não redirecionamos os nossos sistemas de extração e produção e não mudarmos a forma como distribuímos, consumimos e dispomos das nossas coisas — aquilo a que por vezes chamo o modelo colher-fazer-desperdiçar —, a economia tal como ela existe matará o planeta.” (Annie Leonard, perita norte-americana em desenvolvimento sustentável) M.R. HASASN / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTFAUNA CONTAMINADA — Na ilha Midway, no Pacífico, longe dos grandes centros comerciais, a carcaça de um albatroz revela a ingestão de grande quantidade de plástico, acumulada nas praias. “É o mesmo o destino dos filhos dos homens e o destino dos animais; um mesmo fim os espera. Como a morte de um assim é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e o homem não tem qualquer vantagem sobre o animal, pois tudo é ilusão.” (Bíblia, Eclesiastes 3:19) CHRIS JORDAN / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTCULTURA DE CONSUMO — No esgotado campo de exploração petrolífera de Kern River, no estado norte-americano da Califórnia, parece não haver espaço para mais “derricks”. “No mundo desenvolvido, a única solução para os problemas do mundo em desenvolvimento é exportar o mesmo modelo económico insustentável, alimentando o consumo excessivo do Ocidente.” (Kavita Ramdas, ativista indiana) MARK GAMBA / CORBIS / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTMARÉS NEGRAS — Mancha de crude em chamas, após a explosão, seguida de afundamento, em 2010, da plataforma de exploração petrolífera Deepwater Horizon, no Golfo do México. “Temos de compreender não só que cada área tem uma capacidade de carga limitada, como também que essa capacidade está a diminuir e a procura está a aumentar. Até esse entendimento ser parte intrínseca do nosso pensamento e exercer uma forte influência na formação de políticas nacionais e internacionais, dificilmente veremos em que direção o nosso destino vai.” (William Vogt, ecologista norte-americano) DANIEL BELTRA / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTPAISAGEM TÓXICA — Vista aérea sobre uma região fértil em areias betuminosas, em Alberta, Canadá, onde se veem lagoas de detritos decorrentes da extração mineira. “Todos os problemas ambientais atuais são consequências más e imprevisíveis da tecnologia de que dispomos. Não há forma de acreditar que a tecnologia vai milagrosamente parar de causar problemas novos e imprevistos ao mesmo tempo que vai resolver os problemas que criou anteriormente.” (Jared Diamond, cientista norte-americano) GARTH LENTZ / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTÁGUA IMUNDAS — Um pastor chinês tapa o nariz com a mão, não aguentando o cheiro nauseabundo que vem do Rio Amarelo, na província da Mongólia Interior. LU GUANG / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTMAQUINARIA GIGANTE — Considerada a maior máquina móvel do mundo, a Bagger 288 desbrava terreno antes de se iniciar a extração de carvão, no complexo mineiro de Tagebau Hambach, Alemanha. “Ao longo da História, a exploração da Terra pelo Homem produziu esta progressão: colonização – destruição – abandono.” (Garrett Hardin, ecologista norte-americano) ACHIM BLUM / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTCIDADES SEM FIM — Casas a perder de vista, nas colinas da Cidade do México, uma das megacidades mundiais. Com uma população superior a 20 milhões de pessoas, a capital mexicana tem uma densidade de 63.700 pessoas por quilómetro quadrado. “Infraestruturas públicas em todo o mundo estão a enfrentar uma pressão sem precedentes, com furacões, ciclones, inundações e incêndios florestais com crescente frequência e intensidade. É fácil imaginar um futuro em que cada vez mais cidades terão as suas frágeis e negligenciadas infraestruturas golpeadas por desastres e depois serão deixadas a apodrecer, sem os seus serviços centrais reparados ou reabilitados.” (Naomi Klein, ativista canadiana) PABLO LOPEZ LUZ / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTAGRICULTURA INTENSIVA — Estufas cobrem a paisagem de Almeria, Espanha. “Somos escravos no sentido em que dependemos, para a nossa sobrevivência diária, de um império agro-industrial que ou se expande ou acaba — uma máquina louca — e que os especialistas não entendem e os gestores não conseguem gerir. E que, além disso, devora os recursos mundiais a um ritmo exponencial.” (Edward Abbey, escritor eco-anarquista norte-americano) YANN ARTHUS BERTRAND / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTATERROS TECNOLÓGICOS — Toneladas de computadores obsoletos e destroços de outros equipamentos informáticos são enviados por barco do primeiro mundo para países subdesenvolvidos, para triagem ou para serem destruídos. A fotografia mostra uma lixeira em Acra, a capital do Gana. “Mesmo como local de eliminação de resíduos, o mundo é finito.” (William R. Catton Jr., sociólogo norte-americano)PETER ESSICK / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTFLORESTAS DECAPITADAS — Troncos de árvores nivelados quase pela base denunciam o local de uma antiga mata, na Floresta Nacional Willamette, no Oregon, Estados Unidos. “Não compreendo porque quando nós destruímos algo que criamos falamos de vandalismo, mas quando destruímos algo criado pela natureza chamamos progresso.” (Ed Begley Jr., ator e ambientalista norte-americano) DANIEL DANCER / GLOBAL POPULATION SPEAK OUTCAÇA ILEGAL — Carcaça de um elefante abatido por caçadores furtivos, no norte do Quénia. “Hoje, existem menos de 3500 tigres pantera na natureza, o que corresponde a menos de 7% da sua extensão histórica. Com os tigres, testemunhamos o trágico desaparecimento de um dos animais mais apreciados do planeta, nessa gama. Toda a população de uma vez.” (Elizabeth L. Bennett, zoóloga norte-americana) KRISTIAN SCHMIDT / WILD AID / GLOBAL POPULATION SPEAK OUT
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 4 de agosto de 2015, onde constam as 15 imagens, e republicado a 30 de novembro de 2015. Pode ser consultado aqui e aqui e aqui
Fidel esteve em Portugal por duas vezes. A primeira no Porto, em 1998, para participar na VIII Cimeira Ibero-Americana. A segunda em maio de 2001, para contactos institucionais. José Saramago, António Guterres, Jorge Sampaio, Pina Moura e Américo Amorim foram alguns dos portugueses que, em Portugal ou no estrangeiro, privaram com “El Comandante”. Fotogaleria de encontros históricos
José Saramago e Fidel Castro abraçam-se durante uma ação de solidariedade com Cuba, em Matosinhos, em 1998 REUTERSNa fila atrás de Fidel, para além de Saramago, está Narciso Miranda, então presidente da câmara de Matosinhos REUTERSO comício em Matosinhos realizou-se a 18 de outubro de 1998, dez dias após José Saramago ter ganho o Prémio Nobel da Literatura REUTERSFidel, Jorge Sampaio (Presidente de Portugal) e José Maria Aznar (primeiro-ministro de Espanha), na foto de família da VII Cimeira Ibero-Americana, em 1997, na Ilha de Margarita (Venezuela) ANDREW WINNING / REUTERSA VIII Cimeira Ibero-Americana realizou-se no Porto, nos dias 17 e 18 de outubro de 1998. Fidel brinda com o monarca espanhol Juan Carlos, com um cálice de Porto JOSÉ MANUEL RIBEIRO / REUTERSAo lado de Andrés Pastrana (Presidente da Colômbia) e à frente Fraga Iribarne (presidente da Galiza), durante a cerimónia de entronização da Confraria do Vinho do Porto, a 17 de outubro de 1998 DESMOND BOYLAN / REUTERSSessão final da VIII Cimeira Ibero-Americana, realizada no edifício da Alfândega da cidade Invicta RICKEY ROGERS / REUTERSFoto de família dos chefes de Estado e de Governo da América Latina, de Portugal e de Espanha participantes na VIII Cimeira Ibero-Americana, com a ponte da Arrábida como cenário MARCELO DEL POZO / REUTERSNa companhia do empresário Américo Amorim e de Pina Moura, então ministro da Economia, após a visita a uma fábrica de cortiça, a 19 de outubro de 1998 REUTERSRecebendo o Presidente português Jorge Sampaio, no aeroporto de Havana, a 14 de novembro de 1999 REUTERSSampaio participou na IX Cimeira Ibero-Americana, que se realizou na capital cubana, a 15 e 16 de novembro de 1999 REUTERSFidel Castro retribuiu a visita a Jorge Sampaio, no Palácio de Belém, a 17 de maio de 2001 REUTERSO líder cubano passou por Lisboa após um périplo pelo Médio Oriente e Norte de África REUTERSÀ conversa com o primeiro-ministro António Guterres, no Palácio de S. Bento, a 17 de maio de 2001 REUTERS Com Guterres, num passeio animado pelos jardins do Palácio de S. Bento REUTERS
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 18 de julho de 2014 e republicado a 26 de novembro de 2016. Pode ser consultado aqui e aqui
Na Palestina, os muros continuam a reivindicar “liberdade”, mas o sonho de um país independente continua tão distante como sempre. A 29 de novembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU aprovou, por esmagadora maioria, a atribuição do estatuto de Estado-não membro à Palestina. A 1 de abril deste ano, o Presidente palestiniano, Mahmud Abbas, deu mais um passo em frente nesse reconhecimento internacional e assinou o pedido de adesão da Palestina a quinze tratados internacionais. Esta ofensiva diplomática acontece após Israel se ter recusado a libertar um grupo de prisioneiros, como se tinha comprometido, e ter anunciado a construção de 700 novas casas para judeus na parte árabe de Jerusalém (Leste), ocupada por Israel em 1967. Relançadas no ano passado, as negociações israelo-palestinianas mediadas pelos EUA parecem ter os dias contados.
Portefólio de Nuno Botelho com textos de Margarida Mota
Artigo publicado no “Courrier Internacional”, em maio de 2014
Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.