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17 respostas para 2023: da guerra na Ucrânia aos protestos na China e no Irão, passando por epidemias e acordos globais

Podemos prever o futuro? Provavelmente não, tal como não escapamos a apostar no desenvolvimento dos temas que acompanhamos ao longo do ano. Aqui ficam as respostas da equipa do Internacional às perguntas que colocaram por si, leitor

1 A Guerra na Ucrânia vai acabar?
Sem vontade de procurar uma solução diplomática, a guerra só pode terminar no terreno com uma conquista suficientemente esmagadora (ou, no caso da Ucrânia, uma reconquista) que obrigue o outro lado a capitular ou a aceitar negociações de paz. O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, diz que a paz pressupõe que a Rússia entregue a Kiev todos os territórios anexados desde 2014, o que é pouco realista. Do lado russo continuam os ultimatos e ameaças. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, disse que a Ucrânia tem de completar o processo de “desnazificação e desmilitarização”, ou “o assunto será resolvido pelo exército russo”.

2 A próxima COP (28) conseguirá um acordo de redução dos combustíveis fósseis?
O elefante no meio da sala das conferências globais das Nações Unidas para o Clima permanece a ausência de acordo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa de modo a impedir que o aumento da temperatura média do planeta ultrapasse os 1,5º, o que já é uma irrealidade em si. A vitória da COP27 foi o reconhecimento das “perdas e danos” e “falar-se” em indemnizações para os países mais prejudicados pelas ondas de calor prolongadas, secas agudas prolongadas, subida do nível da água do mar, acidificação dos oceanos, incêndios selvagens, inundações bíblicas e extinção de espécies no chamado Sul global. O lóbi dos combustíveis fósseis não perdeu ainda terreno.

3 Lula da Silva vai governar o Brasil à esquerda?
O homem que, pela terceira vez, toma posse como Presidente a 1 de janeiro tem de privilegiar as políticas sociais e ambientais para cumprir as promessas feitas na campanha eleitoral. O grande desafio do novo Governo é conseguir atribuir verbas para a Cultura, Educação, Saúde e Ambiente – sobretudo no combate ao desmatamento da Amazónia – e manter o equilíbrio das contas públicas para evitar uma escalada inflacionista. A resposta executiva passa, em boa parte, pelo trabalho dos futuros titulares da pasta da Fazenda, Fernando Haddad, e da pasta do Planeamento, Simone Tebet.

4 Cyril Ramaphosa é destituído da presidência da África do Sul?
Em 13 de dezembro, Cyril Ramaphosa sobreviveu a um voto de destituição na Assembleia Nacional pedido pelos partidos da oposição. O Presidente da República e do ANC, que sucedeu a Jacob Zuma após escândalos de corrupção sem precedentes e captura do Estado, prometeu voltar a pôr o país nos eixos. Porém viu-se envolvido num processo cujas acusações combate ainda em tribunal, o qual pode vir a acusar Ramaphosa de “má conduta e violação da Constituição”. Ainda que tenha vencido até agora, o ANC, tem perdido eleitores em cada eleição desde 1994. Por enquanto, Ramaphosa conta com o apoio do ANC para limpar o seu nome sem perder a credibilidade política. Até quando, se 2023 é ano de eleições gerais?

5 Como vai acabar a revolta no Irão?
Os protestos já contam mais de 100 dias e as imagens que nos chegam do Irão mostram que as pessoas continuam a acorrer às ruas apesar dos castigos aplicados serem cada vez mais severos. Pelo menos 506 pessoas já perderam a vida e outras 40 aguardam execução, segundo uma investigação da CNN. Sem liderança coesa e com este nível de repressão, tortura, prisão e morte é pouco provável que a liderança dos aiatolas venha a ser derrubada, porém os iranianos dizem que algumas mudanças já são visíveis nas ruas. Um exemplo é a recusa de muitas mulheres em usar o lenço sobre os cabelos.

6 O regime chinês vai ceder aos protestos?
Semanas depois de o Presidente Xi Jinping assumir um terceiro mandato na liderança do Partido Comunista da China emergiram protestos em várias cidades do país contra a política de ‘zero casos’ de covid-19. Foram a maior demonstração pública de descontentamento desde o massacre de Tiananmen em 1989. A ida à rua parece ter resultado. Várias medidas foram relaxadas no seu seguimento e demonstrou a capacidade da população em manifestar-se apesar da censura existente no país. No entanto, é incerto quais são as políticas estatais que podem vir a gerar oposição com esta capacidade de mobilização.

7 As pandemias e vírus assustadores vieram para ficar?
O risco de novas epidemias é certo e os especialistas alertam os Estados para que tenham respostas enérgicas. Tal como os tsunamis, a covid-19 convenceu da necessidade de sistemas de alerta que permitam detetar os problemas de forma a controlá-los. Antes da Sars-cov-2, a década de 1980 conheceu a sida. Porém, foi “a partir do ano 2000 que se assistiu a uma série de acontecimentos que traduzir a emergência inesperada de fenómenos epidémicos de natureza zoonótica”, como lembra Francisco George, ex-diretor-geral de Saúde de 2005 a 2017, referindo-se a doenças que têm origem em agentes infecciosos que têm animais como reservatório.

8 Erdogan perde a presidência da Turquia?
É possível. Porém não se sabe ainda se é provável, uma vez que a oposição, grande parte dela unida com o único propósito de derrotar Erdogan, ainda não apresentou candidato. As sondagens, contra um opositor desconhecido, dão ao incumbente cerca de 34% das intenções de voto, o mesmo valor atribuído ao seu partido, Justiça e Desenvolvimento (AKP), nas eleições parlamentares, também em 2023, o ano do centenário do país. Não chega para a vitória. O declínio da economia vai ser o tema principal da campanha. Resta saber a quem vai o povo atribuir a culpa.

9 A Itália de Giorgia Meloni vai continuar nas boas graças de Bruxelas?
Giorgia Meloni – líder do partido de extrema-direita Irmãos de Itália – foi eleita primeira-ministra de Itália em setembro. A postura de euroceticismo gerou preocupação, porém Meloni tem procurado acalmar a esfera internacional assumindo um discurso mais moderado. Perante o Parlamento repudiou o fascismo e mostrou oposição a “qualquer forma de racismo”; em viagem a Bruxelas afirmou querer uma defesa dos interesses nacionais “dentro da dimensão Europeia”. A reação foi positiva, com a Presidente da Comissão Europeia a agradecer Meloni pelo “forte sinal” ao escolher Bruxelas como a primeira viagem enquanto líder do governo italiano.

10 A Índia vai continuar a comprar petróleo à Rússia?
É provável. A Rússia tornou-se o principal fornecedor de petróleo da Índia em novembro, com importações a chegarem aos 908 mil barris por dia. As declarações de figuras do governo indiano não sugerem mudanças de rumo. Em dezembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros deu a entender que se a Europa pode priorizar as suas necessidades energéticas, não deve pedir à Índia para nao priorizar as suas também. Em outubro, a Assembleia Geral das Nações Unidas votou numa resolução a condenar os referendos ilegais de anexação realizados pela Rússia em territórios da Ucrânia. A Índia foi um dos 35 países a absterem-se.

11 O regime talibã vai ser reconhecido internacionalmente?
Não é de esperar. Os talibãs estão há mais de um ano no poder, o tempo suficiente para que algum país os reconhecesse como governo legítimo. Na década de 1990, quando governaram pela primeira vez, foram reconhecidos por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Paquistão. Decisões como a recente proibição do acesso das mulheres afegãs às universidades tornam embaraçoso o reconhecimento do regime. A medida foi criticada de forma generalizada, inclusive por países muçulmanos: a Arábia Saudita expressou “espanto e desapontamento” e a Turquia considerou a decisão “nem islâmica nem humana”.

12 O conflito no Nagorno-Karabakh voltará a escalar?
É inevitável. Não há um processo de paz digno desse nome neste conflito que opõe dois países tornados independentes após o desmembramento da União Soviética: a cristã Arménia e o muçulmano Azerbaijão. De um lado e do outro, há apoios importantes que conferem a este conflito, que se arrasta desde finais da década de 1980, uma dimensão geopolítica: a Rússia apoia os arménios e a Turquia os azeris. Esta disputa pelo enclave de Nagorno-Karabakh, no sul do Cáucaso, que oscila entre períodos de guerra aberta e outros de tensão latente, ressente-se muito do estado da relação entre estes dois países.

13 O embargo dos EUA a Cuba vai terminar?
Não é provável, ainda que as razões que sustentam o bloqueio económico à ilha sejam cada vez mais indefensáveis. O embargo dura há décadas basicamente por uma questão de política interna dos EUA. É ponto de honra da imensa comunidade cubana que vive na Florida, que odeia o regime cubano e que, a cada ato eleitoral, vota em função da posição dos partidos / candidatos em relação a Cuba. A eleição de Joe Biden, que não venceu na Florida, prova que o voto cubano não é imprescindível. A nível internacional, os EUA estão praticamente isolados nesta questão: na ONU apenas Israel vota ao seu lado.

14 Ron DeSantis vai entrar na corrida presidencial?
É muito possível. A menos de dois anos das presidenciais de 2024, ele é visto como o republicano melhor posicionado para bater o pé a Donald Trump, que já anunciou que irá disputar as primárias do partido do elefante. O potencial de Ron DeSantis decorre da reeleição como governador da Florida, em novembro, derrotando o candidato democrata com quase 60% dos votos. Entre os republicanos, também o antigo vice-presidente de Trump, Mike Pence, dá cada vez mais sinais de querer aventurar-se na corrida à Casa Branca: lançou um livro e tem-se desdobrado em viagens pelo país, discursos e entrevistas.

15 Isabel dos Santos pode ir parar à prisão?
Desde que a investigação do Luanda Leaks começou a ser divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, no início de 2020, a filha do antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, tem confiado nos melhores escritórios de advogados dos vários países europeus onde os negócios que ali fazia se transformaram em problemas. Autoridades de Portugal e da Holanda arrastaram contas bancárias, imobiliário e participações em empresas e, mais recentemente, o Supremo Tribunal de Angola autorizou o arresto preventivo dos bens da empresária Isabel dos Santos no valor de mil milhões de dólares, a pedido do Ministério Público. As múltiplas camadas usadas nos negócios ainda a protegem, porém, o cerco aperta-se.

16 A China vai invadir Taiwan?
A China afirma que Taiwan é “uma questão interna” e “a primeira linha vermelha que não deve ser cruzada” nas relações com os Estados Unidos. A aliança internacional que os EUA e a União Europeia mostraram contra a Rússia pode levar a China a ser mais cautelosa nos passos para uma reunificação com Taiwan, mas as tensões têm-se vindo a agravar e mantêm-se os receios de um escalar da situação. No Congresso do Partido Comunista da China, o líder Xi Jinping afirmou que o objetivo é uma reunificação pacífica ainda que o país não renuncie ao uso da força. Em outubro, o almirante americano Mike Gilday alertou que pode ocorrer uma invasão até 2024.

17 Irá Donald Trump ser acusado formalmente pelo Departamento de Justiça norte-americano?
Há vários indicadores nesse sentido, sim. Porém o caso é muito sensível uma vez que Trump já apresentou a candidatura à Casa Branca e levá-lo a tribunal poderia ser considerado um ato desenhado especificamente para o impedir de voltar à presidência, e provocar uma divisão ainda maior no país. No entanto, o homem que neste momento dirige as investigações, Jack Smith, já enviou diversas intimações para depor a várias pessoas que estiveram em contacto com Trump durante as suas tentativas para interferir com o resultado das presidenciais de 2020.

Texto escrito com Ana França, Cristina Peres, Manuela Goucha Soares e Salomé Fernandes.

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 29 de dezembro de 2022. Pode ser consultado aqui e aqui

Nas ruas do Irão há dois meses, protestos soam cada vez mais a revolução

Não é a primeira vez que os iranianos contestam o regime em público. Mas um conjunto de características distingue os protestos atuais de jornadas anteriores. Emmanuel Macron já defendeu estar em curso uma “revolução”. E com futebolistas iranianos solidários com os protestos, o Mundial do Catar pode provocar ondas no país, com os jogos da Team Melli a darem pretexto para ajuntamentos populares, que é tudo o que o regime dos ayatollas quer evitar

Há exatamente dois meses, o Irão começava a revelar sintomas do desconforto que as regras apertadas da teocracia em vigor desde 1979 provocam numa fatia da população cada vez mais sonora. Em dezenas de cidades, milhares de pessoas começaram a sair às ruas em protesto contra a violência do regime, que acabara de ceifar mais uma vida — Mahsa Amini, curda de 22 anos, morreu a 16 de setembro, num hospital de Teerão, na sequência de ferimentos infligidos pela polícia da moralidade.

No Irão, protestar em público implica riscos acrescidos, dada a omnipresença nas ruas de forças zelosas da Revolução Islâmica, que investem sobre os transeuntes ao mínimo indício de desobediência — no caso de Mahsa, por não ter colocado corretamente o véu islâmico (hijab), de uso obrigatório para as mulheres.

Em 43 anos de vida que leva o regime dos ayatollahs, não é a primeira vez que os iranianos o questionam frontalmente. Quem observou jornadas de contestação anteriores — nomeadamente em 2009 (de cariz político) e 2019 (com reivindicações económicas) diz, porém, que os protestos atuais diferem de todos os outros.

Encabeçados por mulheres

“São os protestos contínuos mais amplos e duradouros do período pós-revolucionário”, diz ao Expresso Ali Vaez, diretor do programa do Irão do International Crisis Group. “Também são únicos em dois outros aspetos: são liderados por mulheres e têm o objetivo unificado de exigir o fim da República Islâmica”, não apenas de pedir reformas.

O protagonismo das mulheres decorre do caso concreto que incendiou as ruas e da forma como as iranianas se põem no lugar de Mahsa Amini. Na sequência da divulgação do caso, duas outras mulheres — jornalistas — foram levadas pelas forças do regime: Nilufar Hamedi, que investigou o caso no hospital onde Mahsa foi internada; e Elahe Mohammadi, que cobriu o seu funeral, na cidade de Saqqez, no Curdistão iraniano.

Estima-se que cerca de 15 mil pessoas já tenham sido presas nos últimos dois meses de protestos. Segundo a organização Iran Human Rights, com sede em Oslo, na Noruega, a repressão aos protestos provocou pelo menos 326 mortos, incluindo 25 mulheres e 43 menores.

Moharebeh, um crime polivalente

Para muitos detidos, acusados de moharebeh, o futuro é sombrio. Ao Expresso, o iraniano Mohammed Eslami, investigador na Universidade do Minho, explica o significado da palavra: “Moharebeh quer dizer ‘lutar contra Deus’ ou contra valores divinos. Diferentes países islâmicos interpretaram moharebeh de forma diferente. Mas no Irão, todos os ataques terroristas, danos causados ao património público, atividades armadas e roubos à mão armada, tráfico de estupefacientes e violação são classificados moharebeh. Todos esses crimes são punidos com pena de morte”.

Domingo passado, as autoridades emitiram a primeira sentença de morte, no contexto dos protestos — que Teerão rotula de “motins” —, contra um indivíduo não identificado, acusado de “incendiar um edifício do Governo, perturbar a ordem pública e conluio para realizar crimes contra a segurança nacional”, além de moharebeh e “corrupção na Terra”.

Deputados pedem execuções em massa

A sentença seguiu-se a uma posição, no Parlamento iraniano (Majlis), de 227 dos 290 deputados. A 6 de novembro, apelaram ao sistema judiciário para acelerar processos em que estejam implicados “inimigos de Deus” (como qualificam os manifestantes) e equacionem a possibilidade de execuções em massa, como forma de punir, intimidar e silenciar a oposição.

“O regime ainda é capaz de muito mais brutalidade e repressão”, alerta Ali Vaez. “No entanto, preocupa-se com o opróbrio internacional. Portanto, é importante que a comunidade internacional deixe claro às autoridades iranianas que pagarão um preço alto se recorrerem à execução em massa de manifestantes como meio de acabar com o movimento.”

Um dos iranianos acusados de moharebeh é o rapper curdo Saman Yasin, intérprete de temas sobre a pobreza, a desigualdade, a injustiça e, implicitamente, a negligência das autoridades que governam o país.

https://twitter.com/NLavvaf/status/1590399993994956800?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1590399993994956800%7Ctwgr%5E990495649438fa1bb94740d68ba0265775db3a08%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fexpresso.pt%2Finternacional%2F2022-11-16-Nas-ruas-do-Irao-ha-dois-meses-protestos-soam-cada-vez-mais-a-revolucao-bdef2a8c

Acordo nuclear estagnado

Sem que a repressão aos protestos tenha atingido essa barbárie, o Irão enfrenta já a frontal oposição de países que, ainda há meses, se esforçavam para entabular um diálogo e alcançar um entendimento com Teerão. É o caso da França e da Alemanha, signatários do tratado internacional sobre o programa nuclear iraniano (JCPOA, na sigla inglesa).

Sábado, o chanceler da Alemanha enfureceu Teerão ao divulgar um vídeo na rede social Twitter. “Só posso dizer isto à liderança em Teerão: que tipo de governo são vocês se disparam contra os próprios cidadãos?”, questionou Olaf Scholz. “Queremos continuar a aumentar a pressão sobre os Guardas da Revolução e a liderança política.”

Dois dias depois, foi a vez do Presidente francês fazer análise política. “Algo sem precedentes está a acontecer. Os netos da Revolução [Islâmica, de 1979] estão a fazer uma revolução, e estão a devorá-la”, afirmou Emmanuel Macron. “Esta revolução muda muitas coisas. Não creio que haja novas propostas que possam ser feitas agora [para salvar o acordo nuclear].”

Os protestos no Irão irromperam numa altura em que a diplomacia internacional investia no sentido de dar uma nova vida ao JCPOA — assinado em 2015 e ferido três anos depois quando Donald Trump desvinculou os Estados Unidos desse compromisso.

“A questão dos protestos no Irão e as suas amplas dimensões internacionais fizeram com que os países ocidentais tomassem uma posição. A pressão da opinião pública, por um lado, e uma oportunidade para marcar pontos, por outro, fizeram com que os países ocidentais que são partes do JCPOA levantassem questões sobre os direitos humanos no Irão”, diz ao Expresso Javad Heirannia, investigador no Centro do Médio Oriente, da Universidade Shahid Beheshti, de Teerão.

“Com base nisso, os Estados Unidos anunciaram que a questão dos protestos e o apoio aos manifestantes iranianos é prioritária sobre o renascimento do JCPOA.”

Eleição israelita complica cenário

O espaço para negociações tornou-se ainda mais exíguo depois de as legislativas de 1 de novembro em Israel ditarem o regresso ao poder de Benjamin Netanyahu.

No início de 2018, o então primeiro-ministro revelou estar em posse de “meia tonelada” de documentos sobre o programa nuclear iraniano, usurpados de forma clandestina por agentes da Mossad. Segundo Netanyahu, o material recolhido prova que a liderança iraniana mentiu durante o processo negocial que levou à assinatura do acordo internacional.

Hoje, os países ocidentais que assinaram o JCPOA “tentam retomar a questão nuclear relacionando-a com os documentos de Netanyahu e encontrar apoio para levar a questão nuclear do Irão ao Conselho de Segurança das Nações Unidas”, opina Heirannia. “Os Estados Unidos não estão muito preocupados em reativar o JCPOA. E o Irão tenta impedir que o assunto chegue ao Conselho de Segurança com base nos documentos de Netanyahu.”

Festa da bola pode ser amarga

Dentro de quatro dias, o Mundial de futebol no Catar pode transformar-se em mais uma dor de cabeça para o regime de Teerão. A seleção iraniana — conhecida como Team Melli e treinada pelo português Carlos Queiroz — está apurada e tem vindo a dar mostras de solidariedade em relação aos manifestantes.

Recentemente, num jogo amigável, em Viena, contra o Senegal, Mehdi Taremi e companhia escutaram o hino nacional sem o cantar, de cara fechada e com um casaco preto desprovido de símbolos por cima do equipamento.

https://twitter.com/TheGlobalOrder/status/1575694941300588544?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575694941300588544%7Ctwgr%5E990495649438fa1bb94740d68ba0265775db3a08%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fexpresso.pt%2Finternacional%2F2022-11-16-Nas-ruas-do-Irao-ha-dois-meses-protestos-soam-cada-vez-mais-a-revolucao-bdef2a8c

Entre os jogadores iranianos mais inconformados com a violência com que o regime reprime os protestos está Sardar Azmoun, atleta do Bayer Leverkusen. A 25 de setembro, escreveu no Instagram: “Por causa das leis restritivas que nos foram impostas, na seleção, não devo falar… corro o risco de ser mandado para casa, mas não aguento mais! Vocês nunca serão capazes de apagar isto da vossa consciência. Que vergonha! Vocês matam tão facilmente. Viva as mulheres do Irão!”

A publicação foi apagada pouco depois e a sua conta eliminada. Quando voltou às redes, Azmoun pediu desculpa. “Tenho de me desculpar com os jogadores da seleção, porque a minha ação precipitada deixou os meus queridos amigos irritados, e alguns jogadores da seleção foram insultados pelos seguidores, o que não é justo de forma alguma. O erro foi meu.”

Boicotar ou incitar à rebelião?

Entre a pressão do regime para que os atletas obedeçam às regras e a consciência que os leva a defender os conterrâneos em luta por liberdade, exemplos como o de Azmoun diante da grande montra que é o Mundial, esvaziam o argumento de quem defende que o Irão devia ser impedido de competir como forma de penalizar o regime.

“Privar a nação de uma fonte de potencial alegria nestes tempos sombrios não serviria à causa do movimento [de contestação] e, na verdade, facilitaria a vida do regime, que está preocupado com a possibilidade de os jogos se transformarem em oportunidades para mais ajuntamentos que, por sua vez, possam ser combustível para provocar mais incêndios no país”, conclui Ali Vaez.

“Mas a equipa, que já está sob enorme pressão do regime, certamente encontrará uma maneira de demonstrar que está do lado certo da história.”

(CARTOON Mahsa Amini, a curda iraniana cuja morte está na origem dos protestos OSAMA HAJJAJ / CAGLE)

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 16 de novembro de 2022. Pode ser consultado aqui

Os lenços que destaparam a frustração

Grandes protestos dinamizados por mulheres visam o uso obrigatório do hijab, mas também o regime

Às primeiras notícias de protestos nas ruas do Irão, Gil Pinheiro começou a disparar perguntas para quem, à sua volta, tinha algum conhecimento do país. “Que me aconselhas? Vou ou cancelo a viagem?” Este engenheiro de 28 anos, natural de São João da Madeira, estava a cerca de um mês de umas férias de 20 dias no Irão. “Parece ser um país incrível, com montanha, deserto, mar, ilhas, cidades, aldeias, e uma cultura muito diferente da nossa”, enumera ao Expresso. “E tenho a impressão de que as pessoas são muito acolhedoras.”

Nos preparativos para a viagem, obtido o visto, um assunto preocupava-o: dado que não poderia usar Visa ou Mastercard, devido às sanções internacionais, teria de levar numerário para toda a viagem. Os ecos dos protestos resolveram o problema. “Houve quem me dissesse que não teria problemas se insistisse em ir e quem me aconselhasse a cancelar a viagem. Dada a rápida escalada da situação, decidi não ir.”

Seja por haver agitação nas ruas ou ameaças de guerra devido ao programa nuclear iraniano, muitos turistas acabam por adiar planos para visitar o país. Para os iranianos, imersos num oceano de privações, estadas como a do jovem português seriam gotas de alívio.

Panela de pressão social

Além das dificuldades inerentes a conjunturas críticas pontuais — como a pandemia ou a guerra na Ucrânia —, o Irão enfrenta três crises endémicas: precariedade socioeconómica marcada por muito desemprego, sobretudo entre jovens e mulheres; degradação ambiental, com a população afetada ora pela desertificação e escassez de água ora por cheias potenciadas pela intervenção humana e por gestão negligente; e ortodoxia política que torna a teocracia imune a reformas.

O Irão enfrenta três crises endémicas: precariedade socioeconómica, degradação ambiental e ortodoxia política

Tudo contribui para um quotidiano de grande frustração que, diante de um pretexto sólido e mobilizador, explode qual panela de pressão. É o que se passa atualmente, com protestos de rua dinamizados por mulheres contra o uso obrigatório do hijab (lenço).

O crime da ‘rapariga azul’

“Os protestos contra o hijab não são assunto recente. É algo que existe desde a criação da República Islâmica [em 1979]”, explica ao Expresso o iraniano Mohammad Eslami, investigador na Universidade do Minho. Porém, as manifestações de descontentamento aumentaram face a pontos de viragem como a proibição de as mulheres entrarem nos estádios, a morte da ‘rapariga azul’ e agora a de Mahsa Amini.”

A “rapariga azul” era Sahar Khodayari, adepta do Esteghlal F.C. de Teerão, que se imolou pelo fogo a 9 de setembro de 2019, aos 29 anos. Respondia em tribunal por ter tentado entrar no Estádio Azadi, disfarçada de rapaz, para ver um jogo da sua equipa do coração.

Mahsa Amini é o gatilho que fez disparar os protestos iniciados a 16 de setembro, dia em que foi noticiada a morte desta iraniana de 22 anos. Pertencente à minoria curda, morreu num hospital na sequência de ferimentos atribuídos a agentes da “polícia da moralidade”, que a intercetaram na rua e a detiveram por andar com o hijab “de forma imprópria”.

Numa tentativa de reter dentro de portas as imagens da repressão aos protestos, que já contagiaram mais de 150 cidades, as autoridades tiraram velocidade à internet e restringiram o acesso às redes Instagram e WhatsApp. Ainda assim, muitos vídeos ultrapassaram fronteiras, mostrando mulheres a queimarem lenços, a enfrentarem polícias nas ruas de cabelo solto ou a cortarem os próprios cabelos à tesourada. Ao Expresso, uma iraniana que vive em Lisboa interpreta este último gesto: “Se é o meu cabelo que incomoda, então eu corto-o e deixam-me livre.”

Liberdade só às escondidas

Há oito anos, a dissidente Masih Alinejad, dona de farta cabeleira, tornou-se uma voz amplificadora da sede de liberdade das mulheres do seu país. Inundada por mensagens de compatriotas frustradas por não poderem andar sem lenço, como Masih fazia no Ocidente (onde vivia), criou a página #MyStealthyFreedoms (Minhas Liberdades Furtivas), no Facebook, onde partilhava fotos de iranianas sem hijab, tiradas às escondidas no Irão.

Hoje nos Estados Unidos, a ativista já não disfarça as olheiras ganhas a seguir o que se passa no Irão e a responder a órgãos de informação. Ao Expresso, destaca um aspeto dos protestos. “Os homens estão nas ruas e em grande número. Isto não é só sobre o hijab, símbolo mais forte da República Islâmica e ferramenta de controlo das mulheres. Tanto homens como mulheres estão fartos de um regime que os governou com terror e controlo. Exigem a sua queda. Os cânticos nas ruas são: ‘Morte ao ditador’, ‘Morte a [Ali] Khamenei [o Líder Supremo]’ e ‘O nosso inimigo está aqui, eles mentem quando dizem que são os Estados Unidos’.”

Dois grupos participam nos protestos. Um deles luta por direitos civis, o outro vai mais longe e quer uma mudança de regime

Ainda que à distância, Eslami identifica dois grupos a participar nos protestos. “O primeiro luta pelos seus ‘direitos civis’, incluindo as liberdades de escolha e de expressão. Diz que a Constituição [adotada em 1979 e revista dez anos depois] não atende às necessidades da sociedade e devia ser alvo de uma grande revisão nas dimensões política e social. O segundo grupo vai mais longe e quer uma mudança de regime e uma revolução contra os mullahs’. Considera o hijab e os direitos civis assunto secundário, que só será importante quando o povo iraniano se libertar da corrupção sistémica, do isolamento internacional, das sanções económicas e da frustração social e política.”

Revolta ou revolução?

Nos últimos 15 anos, esta é a terceira grande vaga de manifestações antigovernamentais no Irão. A primeira foi em 2009, contra a reeleição do candidato conservador Mahmud Ahmadinejad nas presidenciais. A segunda, dez anos depois, seguiu-se à triplicação do preço dos combustíveis. “Esta revolta [de 2022] não tem as características de uma revolução”, diz Eslami. “Apesar da adesão de celebridades, os protestos carecem de capital social e de um líder legítimo”, como os de 2009, organizados em torno de dois reformistas derrotados nas eleições.

Os órgãos de informação oficiais já admitiram a morte de mais de 40 pessoas; a resistência no exílio fala em mais de 240. “A reação da República Islâmica aos protestos não é nova: repressão brutal e sangrenta, com forte presença de forças de segurança nas ruas, equipadas com gás lacrimogéneo, bastões e armas”, descreve Masih Alinejad. Em paralelo, Teerão tenta neutralizar a contestação com contramanifestações pró-regime.

Sempre que os iranianos saem às ruas, há expectativas de uma “primavera iraniana”. Mas, como realça o investigador iraniano, “nunca ninguém avançou com uma alternativa ao regime dos ayatollahs. Dessa forma, derrubar o regime não ajudará o povo e levará à destruição do país, algo muito semelhante ao atual estado da Síria. Estes protestos não têm potencial para mudar o regime ou pelo menos coagi-lo a aceitar as exigências.”

(ILUSTRAÇÃO Cartoon de homenagem a Mahsa Amini e à luta das iranianas contra o regime religioso EMAD HAJJAJ / CARTOON MOVEMENT. No seu site, o Cartoon Movement dedica uma página a cartoons sobre Mahsa Amini, que pode ser consultada aqui)

Artigo publicado no “Expresso”, a 30 de setembro de 2022. Pode ser consultado aqui

Porque há contestação nas ruas aos “ayatollahs”?

A morte de uma jovem sob custódia da polícia, detida por andar na via pública com “trajes inadequados”, desencadeou manifestações contra o uso obrigatório do véu islâmico. E, por arrasto, contra o regime religioso que governa o Irão há 43 anos

Engarrafamento na direção do cemitério de Saqqez, onde está enterrada Mahsa Amini TWITTER / BBC

1. Porque há protestos em várias cidades iranianas?

Aagitação está nas ruas desde sábado, dia do funeral de uma mulher de 22 anos que morreu fruto de ferimentos graves infligidos dentro de uma carrinha da polícia. Mahsa Amini fora detida em Teerão, pela polícia de costumes, por levar “trajes inadequados”.

Imagens nas redes sociais mostram iranianas a queimar os véus, de uso obrigatório. Os protestos já fizeram pelo menos sete mortos e concentram-se em Teerão, Mashhad, Tabriz e na região curda. Mahsa pertencia a esta minoria, que resistiu a tentativas de assimilação.

2. Que é e para que serve a polícia de costumes?

Também chamada polícia da moralidade, foi criada após a Revolução Islâmica. Tem como missão fazer cumprir, na via pública, os códigos de vestuário impostos pelos ayatollahs, desde logo o uso obrigatório do véu islâmico para as mulheres e roupa larga para ocultar a silhueta.

Transeuntes vestidos de forma que considerem “não islâmica” — por exemplo, com o véu descaído ou, no caso dos homens, calções e camisas de manga curta — são admoestados, multados ou presos por agentes desta força de segurança.

3. Que potencial político têm os protestos?

Este episódio traz à memória a morte do vendedor ambulante tunisino Mohamed Bouazizi, que se imolou pelo fogo, em 2010, depois de a polícia apreender a sua banca.

Este ato desesperado desencadeou protestos no país e originou um efeito dominó no Norte de África e Médio Oriente (Primavera Árabe), que depôs ditadores na Tunísia, Egito, Líbia e Iémen.

No Irão, o descontentamento apoia-se também em slogans políticos, como “Morte ao ditador”, referência velada ao Líder Supremo, Ali Khamenei.

4. Esta contestação nas ruas é inédita no país?

Nos últimos 15 anos, eclodiram grandes manifestações antigovernamentais por duas vezes, que criaram expectativas de uma “primavera iraniana”.

A primeira foi em 2009, contra a vitória do candidato conservador Mahmud Ahmadinejad nas presidenciais (Movimento Verde).

Dez anos depois, nova vaga de protestos, que começou a propósito do forte aumento do preço dos combustíveis, evoluiu para um movimento pró-democracia.

Ambas as jornadas foram violentamente reprimidas pelas forças do regime.

5. Como reagem agora as autoridades de Teerão?

Restringindo o acesso a WhatsApp e Instagram e remetendo-se ao silêncio. Quarta-feira, Khamenei falou 55 minutos na televisão sobre a guerra Irão-Iraque.

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o Presidente Ebrahim Raisi também foi omisso.

Já o homólogo americano não perdeu a ocasião de expor Teerão: “Estamos com os corajosos cidadãos e as bravas mulheres do Irão que se manifestam para garantir os direitos básicos”, disse Joe Biden, nas Nações Unidas.

Artigo publicado no “Expresso”, a 23 de setembro de 2022. Pode ser consultado aqui e aqui

Protestos no Irão: regime responde com repressão no país e bombardeamentos no Iraque

A resposta do regime de Teerão à mais recente vaga de contestação popular não se circunscreve às fronteiras do país. Desde há quase uma semana que o Irão está a bombardear bases de militantes curdos iranianos no norte do Iraque. Teerão acusa esta minoria de mais de dez milhões de pessoas de estar ativamente envolvida nos protestos

Os protestos no Irão levam quinze dias nas ruas e, a atentar nas palavras do Presidente da República Islâmica, o pior pode estar para vir. “Estamos todos tristes com este trágico incidente”, disse Ebrahim Raisi, referindo-se à morte de Mahsa Amini, a iraniana de 22 anos que perdeu a vida na sequência de ferimentos infligidos quando estava sob custódia da polícia. Porém, “o caos é inaceitável”.

Em entrevista a uma televisão pública, quarta-feira, o Raisi procurou equilibrar sentimento e firmeza. “A linha vermelha do Governo é a segurança do nosso povo. Não se pode permitir que haja pessoas a perturbar a paz da sociedade provocando tumultos.”

As palavras de Raisi podem servir de aviso a qualquer cidadão que saia à rua para contestar o regime, mas também podem ter um alvo particular. “Existem provas que demonstram que partidos separatistas curdos (mais especificamente o Komala), que têm várias atividades terroristas contra o Irão no currículo, estão envolvidos ativamente nos protestos”, especialmente nas províncias ocidentais, desvenda ao Expresso o iraniano Mohammad Eslami, investigador na Universidade do Minho.

“Até ao momento, membros desses grupos que planeavam realizar ataques terroristas foram presos no Irão transportando bombas e armas.” No Irão, o Partido Komala do Curdistão Iraniano, fundado em 1969, tem o rótulo de “organização terrorista”.

Mahsa era curda

A especial participação dos curdos nos protestos pode ter explicação. Mahsa Amini, a mulher cuja morte está na origem das manifestações, pertencia à minoria curda do país, estimada em mais de dez milhões de pessoas. Apesar de ter morrido em Teerão — onde foi detida pela “polícia da moralidade” por usar o hijab (lenço) de “forma imprópria” —, a jovem vivia na sua cidade natal, Saqqez, na província do Curdistão (noroeste), encostada ao Iraque.

Os protestos em curso, que já contagiaram mais de 160 cidades iranianas, têm mobilizado os curdos em particular, mesmo fora do país. O vídeo abaixo mostra uma manifestação em Rojava, o Curdistão sírio.

A participação dos curdos e os receios de uma escalada dos protestos para um registo mais violento levaram o regime iraniano a visar o coração da “ameaça”. Desde há quase uma semana, o Irão tem em curso uma campanha de bombardeamentos a bases de militantes curdos iranianos localizadas no Iraque. A operação tem como nome de código “Profeta de Deus”.

Quarta-feira, a agência iraniana IRNA noticiava que ”alegadamente, os Guardas da Revolução usaram 360 mísseis guiados de precisão, bem como drones suicidas”. No mesmo dia, a agência Reuters noticiava que os ataques atingiram pelo menos dez bases perto de Erbil e Sulaimaniya e que havia notícia de 13 mortos e 58 feridos.

https://twitter.com/Tasnimnews_Fa/status/1575173859233259520

“Não permitiremos a formação de nenhuma ameaça à nossa volta”, afirmou Abbas Nilforoushan, vice-comandante de operações dos Guardas da Revolução, unidade de elite das forças armadas iranianas, citado pelo órgão de informação curdo “Rudaw”.

“Onde quer que os contrarrevolucionários estabeleçam bases e se tornem fonte de operações contra a segurança da República Islâmica e do povo iraniano e tentem coordenar ou liderar movimentos terroristas, serão alvejados. As bases que atingimos recentemente tiveram o papel principal nos motins dos últimos dias.”

“As autoridades iranianas estão a tentar fingir que todas as revoltas foram lideradas pelas forças Komala e que as exigências do povo iraniano estão limitadas aos seus direitos civis”, conclui o professor Eslami. “Na verdade, a associação [aos protestos] de tropas Komala que assumiram a liderança dos distúrbios na maioria das cidades, especialmente nas províncias ocidentais, tornou o controlo dos protestos mais difícil para as autoridades iranianas. Esta é a razão para os ataques dos Guardas da Revolução às bases Komala no Curdistão iraquiano.”

(FOTO Manifestação em Melbourne, na Austrália, em solidariedade com os protestos no Irão, a 29 de setembro de 2022 MATT HRKAC / WIKIMEDIA COMMONS)

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 30 de setembro de 2022. Pode ser consultado aqui