Um fotógrafo acompanhou o quotidiano de uma criança síria, de dez anos, que trabalha com o pai numa fábrica de armas em Alepo
















Artigo publicado no “Expresso Online”, a 11 de setembro de 2013. Pode ser consultado aqui
Um fotógrafo acompanhou o quotidiano de uma criança síria, de dez anos, que trabalha com o pai numa fábrica de armas em Alepo
















Artigo publicado no “Expresso Online”, a 11 de setembro de 2013. Pode ser consultado aqui
A guerra já forçou mais de seis milhões de pessoas a abandonar as suas casas (25% da população). Um terço deles fugiu mesmo do país
Esta semana, o número de refugiados sírios — forçados a atravessar a fronteira para procurar abrigo nos países vizinhos —ultrapassou os dois milhões. Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), há um novo refugiado a cada 15 segundos. “Esta tendência é alarmante e representa um salto de quase 1,8 milhões de pessoas nos últimos 12 meses”, informou o ACNUR, em comunicado. Há um ano, o número de refugiados registados ou à espera de registo era de 230.670.
Fora destas estatísticas fica uma tragédia ainda maior e mais discreta, que acontece no interior da Síria, longe das câmaras das grandes cadeias de TV internacionais: os deslocados internos ascendem a 4,25 milhões de pessoas.
Com cerca de 22 milhões de habitantes, a Síria tornou-se “uma calamidade humanitária vergonhosa com sofrimento e deslocações sem paralelo na história recente”, afirmou António Guterres, que lidera o ACNUR. “O único consolo é a humanidade demonstrada por países vizinhos em acolher e salvar as vidas de tantos refugiados.”
Mais de 97% dos refugiados sírios buscaram refúgio em países vizinhos. Mas o drama chega à Europa também. O caso português é apenas um exemplo. Estatísticas do Centro Português de Refugiados (CPR) revelam que, em 2012, 19 sírios pediram asilo a Portugal. Em 2013, até finais de agosto, o número ascende já aos 69. “Muitos deles utilizam Portugal como país de trânsito, por isso não ficam cá”, explicou ao Expresso Mónica Frechaut, do CPR. “Seguem para outros países, sobretudo do norte da Europa.”
Na terça-feira, a Suécia tornou-se o primeiro país da União Europeia a oferecer o estatuto de residência permanente a refugiados sírios.
“Tendo em consideração que a situação na Síria se agravou, guiamo-nos pelo direito internacional, segundo o qual é necessário conceder direito de residência permanente quando se prevê que o conflito dure por tempo indeterminado”, afirmou Anders Danielsson, diretor do gabinete sueco para a imigração, citado pelo sítio “Presseurop”.
A decisão aplica-se a todos os sírios a quem tinha sido dada residência temporária por questões humanitárias — cerca de 8000 pessoas. Ontem, na conferência de imprensa que assinalou o fim da cimeira do G20, o primeiro-ministro David Cameron afirmou: “Esta é a crise humanitária que o mundo e a nossa geração enfrentam”.
Os líderes internacionais estão divididos em relação a uma intervenção militar na Síria, mas as opiniões públicas parecem estar de acordo. Segundo o inquérito internacional “Transatlantic Trends 2013” — conduzido com o apoio da Fundação Luso-Americana —, apenas 30% dos norte-americanos, 22% dos europeus e 21% dos turcos são favoráveis a uma intervenção na Síria. Em Portugal, 80% dos inquiridos defendem que o país deve ficar fora do conflito.
(Foto: Vista aérea sobre o campo de Zaatari, na Jordânia, a 18 de julho de 2013. A foto foi tirada desde o helicóptero que transportava o secretário de Estado norte-americano John Kerry DEPARTAMENTO DE ESTADO DOS EUA / WIKIMEDIA COMMONS)
Artigo publicado no “Expresso”, a 7 de setembro de 2013
Um ministro sírio acusou países ocidentais de encorajarem os “terroristas” a usar armas químicas. Ban Ki-moon pede mais tempo para os inspetores
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Síria acusou hoje os Estados Unidos, o Reino Unido e a França de terem ajudado os rebeldes sírios a usarem armas químicas.
“Foram os grupos terroristas que as usaram, encorajados por americanos, britânicos e franceses. Este encorajamento tem de parar”, afirmou Faisal Al-Miqdad.
O governante sírio disse ainda, em entrevista à CNN, que as autoridades de Damasco corresponderam a todos os pedidos feitos pela equipa de inspetores da ONU que está a investigar o alegado ataque com armas químicas de 21 de agosto, nos arredores de Damasco.
“O CSN concordou por unanimidade que o uso de armas químicas por parte de Assad era inaceitável — e que o mundo não se deve deixar ficar”, tweetou o primeiro-ministro britânicvo, David Cameron.
Informou ainda que Londres elaborou um projeto de resolução “condenando o ataque com armas químicas por parte de Assad e autorizando todas as medidas necessárias para proteger os civis”.
O diploma será apresentado hoje, quarta-feira, no Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia — o mais forte aliado da Síria — tem direito de veto.
Entretanto, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apelou a uma solução diplomática e afirmou que a equipa de inspetores da ONU em Damasco necessita de trabalhar até domingo para conseguir estabelecer todos os factos.
A oposição síria garante que haverá ação muito em breve. Um governante norte-americano diz que se aguarda apenas uma decisão do Presidente Obama
Fontes da oposição ao regime sírio garantiram à agência Reuters que está iminente um ataque ao território. “Foi dito à oposição, de forma clara, que nos próximos dias poderá haver ação para impedir o uso de mais armas químicas por parte do regime de Assad. E que a oposição deverá preparar-se para conversações de paz em Genebra”, afirmou, hoje, uma fonte não identificada.
Segundo a Reuters, a fonte citada participou numa reunião realizada num hotel em Istambul entre membros da Coligação Nacional Síria (CNS), o principal grupo da oposição apoiado pelo ocidente, e enviados de 11 países “amigos da Síria”.
Entre os presentes estiveram Ahmad Jarba, presidente da CNS, e Robert Ford, enviado dos Estados Unidos para o problema na Síria. Segundo a Reuters, Jarba apresentou uma lista de dez potenciais alvos, que inclui o Aeroporto Militar Mezze, nos arredores de Damasco, e instalações da Quarta Divisão Mecanizada, uma unidade de elite chefiada por Maher al-Assad, o temido irmão do Presidente, e composta sobretudo por alauitas, a comunidade de Assad.
Em entrevista à BBC, o secretário de Defesa dos Estados Unidos disse, hoje, que as forças norte-americanas “estão prontas” para “cumprir e corresponder ao que o Presidente (Barack Obama) decidir”, disse Chuck Hagel.
Em território sírio há mais de uma semana, uma equipa de inspetores das Nações Unidas tenta investigar o incidente de 21 de agosto, nos arredores de Damasco, onde se suspeita que centenas de pessoas tenham morrido após um ataque com armas químicas.
Na segunda-feira, a missão da ONU foi alvo de disparos por parte de atiradores furtivos, mas conseguiu aceder ao bairro de Mouadamiya, uma das áreas atacadas. Os inspetores recolheram amostras de sangue e entrevistaram várias vítimas. Uma segunda visita está prevista para quarta-feira.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 27 de agosto de 2013. Pode ser consultado aqui
Uma carta assinada por 37 países pede ao secretário-geral Ban Ki-moon que a ONU investigue as suspeitas de uso de armas químicas na Síria. Portugal é um dos signatários
Portugal é co-signatário de uma carta endereçada ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, solicitando “uma investigação urgente” a propósito das “alegações de uso de armas químicas no ataque nos subúrbios de Damasco”, conhecido na quarta-feira de manhã.
“Estamos conscientes que a Missão da ONU encontra-se em Damasco. Pedimos que faça tudo o que lhe for possível para garantir que a missão tenha acesso urgente a todos os locais relevantes e fontes de informação”, diz o documento, com data de quarta-feira.
A carta, divulgada na quinta-feira à tarde, pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, foi assinada por representantes de 37 países. Em representação de Portugal, assina-a Cristina Maria Cerqueira Pucarinho, encarregada de negócios na Missão Permanente de Portugal na ONU, em Nova Iorque.
A missão de inspetores das Nações Unidas chegou a Damasco no domingo passado para investigar “o alegado uso de armas químicas denunciado pelo Governo da Síria em Khan al-Assal bem como duas outras alegações de uso de armas químicas denunciadas por Estados membros”, da ONU, informou, em comunicado, o gabinete do secretário-geral da organização.
Composta por 20 membros, a delegação é chefiada pelo sueco Åke Sellström, perito em armas químicas. “O Professor Sellström está em discussões com o Governo sírio sobre todos os assuntos relacionados com o alegado uso de armas químicas, incluindo este incidente mais recente”, continuou o comunicado.
Paralelamente, Ban Ki-moon enviou para Damasco a sua Alta Representante para as Questões do Desarmamento, a alemã Angela Kane, para pressionar as autoridades de Damasco a viabilizarem uma investigação.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 22 de agosto de 2013. Pode ser consultado aqui