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Morreu Hugo Chávez

O Presidente da Venezuela morreu terça-feira na sequência de um cancro. Reeleito para um quarto mandato, não resistiu até à tomada de posse, cuja data estava em aberto. O Governo decretou sete dias de luto

Mural que retrata Hugo Chávez e a sua ascensão ao céu, na zona de Bellas Artes, no centro de Caracas WILFREDOR / WIKIMEDIA COMMONS

É oficial: o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de 58 anos, morreu esta terça-feira, às 16h25 hora de Caracas (20h55 em Lisboa), perdendo a batalha contra o cancro. O anúncio foi feito pelo vice-presidente Nicolás Maduro na televisão estatal.

O agravamento do estado de saúde de Chávez já tinha levado o seu braço-direito a dirigir-se hoje à nação, em direto do Palácio Presidencial de Miraflores em Caracas. Num discurso pessimista, Maduro admitiu que o líder venezuelano estava a enfrentrar “complicações”, acusou os “inimigos da revolução” de lhe terem provocado a doença, abrindo portas para que o caso possa vir a ser investigado, e revelou ter sido expulso um diplomata dos EUA por alegada conspiração.

Antes de anunciada a morte, os EUA rejeitaram “firmemente” as acusações, através de um comunicado de Patrick Ventrell, porta-voz do departamento de Estado, que considerou “um absurdo” a teoria de uma implicação na doença de Hugo Chávez.

Morte anunciada

Entretanto, o “ABC” noticiou que o falecimento do Presidente terá ocorrido nove horas antes do seu anúncio, isto é, de manhã, cerca das 7h hora de Caracas. Segundo o diário espanhol, o atraso na divulgação do óbito e as primeiras declarações de Nicolás Maduro sobre a condição clínica de Chávez fizeram parte de uma estratégia para desviar as atenções dos media e permitir que o corpo fosse trasladado num avião a partir de Cuba.

“Na noite de segunda-feira, um telefonema alertou o jornal que a família do Presidente tinha concordado que os médicos desistissem de prolongar-lhe a vida. Previa-se, portanto, que nas horas seguintes, se desligasse a assistência artificial que sustinha o paciente. Quando ocorresse a morte, o cadáver seria transportado de Cuba para a Venezuela para anunciar ao povo a morte do Presidente como se tivesse ocorrido no Hospital Militar de Caracas”, lê-se no ABC. 

Sete dias de luto nacional

O corpo de Chávez estará a partir desta quarta-feira em câmara ardente na Academia Militar, em Caracas, revelou o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Elías Jaua. O funeral de Estado realiza-se na sexta-feira, mas deconhece-se, para já, o local do enterro. Entretanto, foram decretados sete dias de luto nacional.

Hugo Chávez era o líder mais controverso da América Latina. Chegou ao poder em 1998 e foi reeleito três vezes (2000, 2006 e 2012). De permeio, venceu um referendo que alterou a Constituição, consagrando mandatos presidenciais ilimitados. Hugo Chávez gostava do poder e sonhava não abandona-lo.

A vitória nas presidenciais de 7 de outubro passado, quando a o seu estado de saúde já era mais noticiado do que os seus feitos políticos, possibilitava-lhe uma longevidade política até 2019. Ao seu povo, Chávez pediu mais tempo para concluir a sua revolução socialista.

Chávez subiu ao poder em 1998, apoiado numa plataforma anti-pobreza e anti-corrupção. Ganhou as eleições com 56% dos votos e, no ano seguinte, lançou o Plano Bolívar, para recuperar infraestruturas decadentes e acabar com as privatizações.

Paraquedista golpista

Filho de um humilde casal de professores, Hugo Chávez Frias nasceu a 28 de julho de 1954, em Sabaneta, no estado de Barinas (sudoeste do país), o mais pobre da Venezuela. Era o segundo de seis irmãos. 

Os seus apoiantes diziam que ele era a voz dos pobres. Os críticos acusavam-no de ser crescentemente autocrático e recordavam o seu “modus operandi” anterior à presidência. A 4 de fevereiro de 1992, ele liderara uma tentativa de golpe contra o Presidente Carlos Andres Perez. Chávez tinha 38 anos e era paraquedista.

Entrara para a Academia Militar aos 17 anos e ali se deixara deslumbrar pela figura e pelos ideais de Simon Bolivar, o revolucionário venezuelano que influenciou as independências na América Latina.

Em 1992, Chávez tentara tirar dividendos políticos do descontentamento popular resultante das medidas de austeridade e de repressão adotadas pelo Governo e que desencadearam protestos e distúrbios (“El Caracazo”). Mas o golpe acabaria por falhar.

Passou dois anos na prisão, sendo perdoado e libertado em 1994 pelo então Presidente Rafael Caldera. Em 1997, fundou o Movimento Quinta República, como que preparando a transição da fase de soldado para a fase de político. Um ano depois, era chefe de Estado da Venezuela.

Deposto durante 47 horas

A 11 de abril de 2002, uma tentativa de golpe afastou Chávez do poder durante 47 horas. A manobra foi reconhecida pelos Estados Unidos, o que levou Chávez a acusar Washington de ter orquestrado o golpe.

A relação entre Caracas e Washington era turbulenta. Chávez chamava ao Presidente dos EUA George “Mr. Danger” Bush (George “Sr. Perigo” Bush). Iniciada a guerra no Afeganistão, em 2001, Chávez acusou os EUA de combaterem o terror… com mais terror.

Seguiu-se a guerra no Iraque e Chávez continuou a não poupar Bush. “O Diabo veio cá ontem”, disse, benzendo-se de seguida, a 20 de setembro de 2006, na Assembleia Geral da ONU, referindo-se ao discurso, na véspera, do chefe de Estado norte-americano. “Ainda cheira a enxofre.”

“Por qué no te callas?”

Inversamente à animosidade com Bush, desenvolveu uma grande proximidade com Fidel Castro, uma espécie de pai político, a quem visitou várias vezes em Havana após “El Comandante” se ter afastado da política ativa por razões de saúde.

De língua afiada, assegurava aos domingos de manhã o programa televisivo “Alô Presidente!”, onde discursava, entrevistava, cantava e dançava e respondia a perguntas dos telespetadores.

Tornou-se um fenómeno mediático, inclusive no dia em que ficou sem reação quando Juan Carlos de Espanha lhe atirou na cimeira ibero-americana de 2007, em Santiago do Chile: “Por qué no te callas?”.

Quimioterapia em Havana

A 30 de junho de 2011, num discurso à nação, Chávez admitiu pela primeira vez que tinha cancro.

A doença tornou-se um assunto de Estado, as suas aparições públicas começaram a escassear em virtude da degradação do seu estado de saúde e das deslocações a Havana para sessões de quimioterapia. Nas redes sociais, dispararam os rumores. Até ao dia em que a notícia da sua morte foi confirmada.

Artigo escrito com Raquel Pinto.

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 5 de março de 2013. Pode ser consultado aqui

As visitas de Hugo Chávez a Portugal

O Presidente da Venezuela visitou Portugal por cinco vezes, a título oficial. A primeira, em 2001, dois anos após ter subido ao poder. A última, em 2010, já depois de se ter deixado seduzir pelo computador Magalhães. Uma fotogaleria de 20 imagens

1ª visita, outubro de 2001: Hugo Chávez discursa no Palácio de S. Bento
1ª visita, outubro de 2001: Com o primeiro-ministro António Guterres, nos jardins de S. Bento
1ª visita, outubro de 2001. Na Venezuela, vive aproximadamente meio milhão de portugueses
1ª visita, outubro de 2001. A comunidade portuguesa na Venezuela é a maior na América Latina, a seguir à do Brasil
2ª visita, novembro de 2007: O primeiro-ministro José Sócrates recebe o Presidente venezuelano, no Palácio de S. Bento, em Lisboa
2ª visita, novembro de 2007. Sócrates retribuiria a visita de Chávez, visitando a Venezuela em maio de 2008
2ª visita, novembro de 2007: Chávez, Sócrates, Mário Soares e o secretário de Estado das Comunidades António Braga
2ª visita, novembro de 2007. Em 2010, os emigrantes portugueses na Venezuela enviaram remessas no valor de 15.784.000 de euros
3ª visita, julho de 2008: Hugo Chávez e José Sócrates ouvem os hinos nacionais, em S. Bento
3ª visita, julho de 2008. Segundo os censos de 2010, viviam em Portugal 2009 venezuelanos
3ª visita, julho de 2008. Em 2010, a maior comunidade venezuelana situava-se na Madeira (646), seguida de Aveiro (613) e do Porto (197)
3ª visita, julho de 2008. Dois políticos, a mesma geração. Sócrates nasceu três anos após Chávez
4ª visita, setembro de 2008: Chávez e Sócrates encontram-se em Lisboa, pela terceira vez
4ª visita, setembro de 2008: Conferência de imprensa após a assinatura de um acordo bilateral
4ª visita, setembro de 2008: Chavez, Sócrates e… o computador Magalhães
4ª visita, setembro de 2008: Hugo Chávez experimentou o Magalhães e encomendou um milhão de portáteis para as crianças venezuelanas
5ª visita, outubro de 2010: Chávez aos comandos de um navio, nos estaleiros de Viana do Castelo
5ª visita, outubro de 2010: Hugo Chávez segura uma miniatura que comprou nos estaleiros de Viana do Castelo, a 24 de outubro
5ª visita, outubro de 2010: O Presidente venezuelano saúda populares que o esperam à chegada a uma fábrica de computadores, em Viana do Castelo
5ª visita, outubro de 2010: Conferência de imprensa final, em Viana do Castelo, a 24 de outubro, no fim da visita de um dia só a Portugal

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 5 de março de 2013. Pode ser consultado aqui

Hugo Chávez, da infância à prisão

Nascido e educado no estado mais pobre da Venezuela, Hugo Chavez foi preso aos 38 anos, após liderar uma tentativa de golpe militar

Este conjunto de fotografias divulgado pela agência de informação Reuters documenta os primeiros anos de vida de Hugo Chávez, no Estado de Barinas, bem como os tempos na Academia Militar, onde desenvolveu a paixão pelo basebol e revelou a sua ambição pelo poder.

Hugo Chávez com o seu irmão mais velho, Adan. Chávez nasceu a 28 de julho de 1954, no estado de Barinas, o mais pobre da Venezuela
Ao centro, com os colegas da escola primária, em Sabatena, a sua cidade natal
No recreio da escola primária Julián Pino. Chávez é o segundo a contar da direita
Sem sair de Barinas, Chávez cumpriu o ensino secundário no Liceu Daniel Florencio O’Leary. O’Leary foi um militar e político irlandês que, no século XIX, rumou à América para participar nas lutas independentistas
Em Caracas, no primeiro ano da Academia Militar, onde ingressou aos 17 anos
De microfone na mão, durante uma festa na Academia Militar
Na Academia Militar, Chávez estudou Ciências e Artes Militares, ramo de Engenharia
Com os pais Hugo de los Reyes Chávez e Elena Frías de Chávez, ambos professores
Em 1972, na equipa de basebol do exército. Chávez é o primeiro da direita, na primeira fila
Hugo Chávez concluiu a Academia Militar em 1975. Na foto, como segundo tenente do exército venezuelano
Na sua cela, na prisão de Yare, a sudoeste de Caracas. Chávez esteve preso entre 1992 e 1994, após liderar uma tentativa de golpe de estado

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 21 de fevereiro de 2013. Pode ser consultado aqui

Chávez pode tomar posse no quarto de hospital

De regresso à Venezuela, Hugo Chávez segue longe dos olhares públicos. No seu quarto de hospital, só recebe visitas da família, dos médicos e das duas principais figuras do Estado

O regresso de Hugo Chávez à Venezuela, após mais de dois meses de internamento em Havana (Cuba), relançou a discussão à volta da tomada de posse para o seu quarto mandato presidencial. A imprensa venezuelana escreve hoje que o juramento poderá acontecer no Hospital Militar Dr. Carlos Arvelo, em Caracas, onde Chávez está internado desde segunda-feira.

“Constitucionalistas consideram que o Supremo Tribunal de Justiça, perante o qual Chávez fará juramento, pode constituir-se em qualquer ponto do território nacional e que a condição de magistrados dos seus membros daria por si mesmo o caráter público ao ato, independentemente do lugar onde se realize”, escreve hoje o sítio de informação venezuelano “Últimas Notícias”.

Apesar das amplas manifestações populares de boas-vindas, Hugo Chávez permanece longe dos olhares públicos. Contrariamente ao habitual, a sua chegada a Caracas não foi televisionada. E desconhece-se se Evo Morales, o Presidente da Bolívia que, a caminho dos Estados Unidos, fez ontem uma escala em Caracas, fez uma visita a Hugo Chávez.

Visitas condicionadas

“Bom encontro com o nosso irmão Evo”, tweetou ontem Maria Gabriela, uma das filhas de Chávez. “Veio dar-nos o seu apoio e expressar o amor do povo boliviano. Que homem! Obrigada Evo!”, concluiu sem clarificar se os dois líderes se tinham encontrado. 

Na sua edição de hoje, o jornal “El Nacional” escreve que “só familiares, Maduro (vice-presidente), Cabello (presidente da Assembleia Nacional) e médicos podem ver Chávez.”

As últimas fotos públicas de Hugo Chávez datam da passada sexta-feira, deitado na cama do hospital em Havana, sorridente, na companhia das filhas Rosa Virginia e Maria Gabriela e segurando o “Granma”, o jornal oficial do Partido Comunista Cubano. O seu último tweet foi publicado na segunda-feira: “Sigo agarrado a Cristo e confiando nos meus médicos e enfermeiras. Até à vitória sempre!! Viveremos e venceremos!!!”.

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 20 de fevereiro de 2013. Pode ser consultado aqui

Hugo Chávez, um líder desbocado

O Presidente da Venezuela, à beira de poder ser reeleito no domingo, usou e abusou da retórica para atacar opositores e elogiar figuras controversas. Recorde aqui algumas das suas ‘tiradas’ mais famosas cruzadas com imagens dos seus 13 anos no Palácio de Miraflores

“A NOSSA MISSÃO É SOCIALISTA PORQUE POMOS OS ASPETOS SOCIAIS EM PRIMEIRO LUGAR: OS CAPITALISTAS PÕEM O CAPITAL.” (Na foto, com Fidel Castro, em agosto de 2001, na selva venezuelana de Canaima.)
“OFEREÇO-LHE UMA RÉPLICA DA ESPADA DO LIBERTADOR SIMÓN BOLÍVAR. PARA O SENHOR QUE, COMO BOLÍVAR, PEGOU EM ARMAS PARA LIBERTAR O SEU POVO. PARA O SENHOR QUE, COMO BOLÍVAR, É E SERÁ SEMPRE UM VERDADEIRO LUTADOR PELA LIBERDADE.” (Dirigindo-se ao Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, quando de uma cimeira do G-15 (países em desenvolvimento), em fevereiro de 2004, em Caracas.)
“É UMA TRISTEZA VER O PRESIDENTE DE UM POVO COMO O MEXICANO TORNAR-SE O CACHORRO DO IMPÉRIO.” (Em 2005, criticando Vicente Fox, Presidente do México, e a sua relação com os EUA. Na foto, com um “sombrero”, durante um comício em Caracas, a 19 de novembro de 2005.)
“ÉS UM IGNORANTE, UM BURRO, SR. PERIGO. OU, PARA DIZÊ-LO NO MEU MAU INGLÊS, ÉS UM ‘DONKEY’, SR. GEORGE W. BUSH. ÉS UM COBARDE, UM ASSASSINO, UM GENOCIDA, UM ALCOÓLICO, UM BÊBADO, UM MENTIROSO, UMA PESSOA IMORAL, SR. PERIGO. ÉS DO PIOR QUE HÁ NESTE PLANETA. UM HOMEM PSICOLOGICAMENTE DOENTE.” (A 20 de março de 2006, recordando o terceiro aniversário do início da guerra no Iraque. Na foto, uns meses antes, com Maradona, que veste uma ‘t-shirt’ anti-Bush: “Criminoso de guerra”, lê-se.)
“ISRAEL ENLOUQUECEU. ESTÁ A ATACAR, ESTÁ A FAZER AOS POVOS PALESTINIANO E LIBANÊS AQUILO QUE CRITICOU — E COM RAZÃO — NO CASO DO HOLOCAUSTO. MAS ESTE É UM NOVO HOLOCAUSTO.” (Quando da ofensiva militar israelita no sul do Líbano, no verão de 2006.)
“O DIABO VEIO CÁ ONTEM. [BENZE-SE] AINDA CHEIRA A ENXOFRE. ONTEM, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES, A PARTIR DESTA TRIBUNA, O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, O CAVALHEIRO A QUEM ME REFIRO COMO O DIABO, FALOU COMO SE FOSSE O DONO DO MUNDO.” (Excerto do discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, a 20 de setembro de 2006.)
“ADORO LIVROS. SE SÃO BONS, GOSTO MAIS AINDA. MAS SE FOREM MAUS, GOSTO NA MESMA.” (Na foto, Chávez mostra o livro de Noam Chomsky “Hegemonia ou sobrevivência: O Sonho Americano de Domínio Global”, numa intervenção na ONU, a 20 de setembro de 2006.)
“ALGUNS DIZEM QUE SOU A CAUSA DE TODOS OS PROBLEMAS DA SOCIEDADE. OUTROS DIZEM QUE SOU UM BENFEITOR, RESPONSÁVEL POR TUDO O QUE HÁ DE BOM. NÃO SOU UM NEM OUTRO. NÃO SOU MAIS DO QUE UM HOMEM EM CIRCUNSTÂNCIAS PARTICULARES. O MAIS BONITO É QUE UMA ÚNICA VIDA É CAPAZ DE CONTRIBUIR PARA O CRESCIMENTO E PARA O DESPERTAR DE UMA FORÇA COLETIVA. É ISSO O QUE CONTA!” (Citado pela socióloga chilena Marta Harnecker, no livro “Hugo Chávez — um Homem, um Povo”, Campo das Letras, 2006.)
“GOZAM MUITO COMIGO, MAS EU NÃO LIGO. COSTUMO RIR-ME DE MIM PRÓPRIO.” (Na foto, mostra uma ‘t-shirt’ oferecida pelo Rei de Espanha, com o famoso reparo que Juan Carlos lhe fez na cimeira ibero-americana de 2007, em Santiago do Chile. Chávez referira-se ao ex-presidente do Governo espanhol José Maria Aznar como “fascista de todo o tamanho”.)
“JÁ SAIU O PRIMEIRO BARCO VENEZUELANO COM UM MILHÃO DE BARRIS DE PETRÓLEO, PELA PRIMEIRA VEZ NA NOSSA HISTÓRIA, DESTINADO A PORTUGAL. JÁ CHEGOU E JÁ DESCARREGOU, PARA ASSEGURAR AO POVO PORTUGUÊS — QUE É UM POVO AMIGO, UM GOVERNO AMIGO — O ABASTECIMENTO DE ENERGIA E PARA AJUDAR NA SUA SEGURANÇA ENERGÉTICA E NO SEU DESENVOLVIMENTO.” (Dirigindo-se aos venezuelanos, dias antes de visitar oficialmente Portugal, onde experimentou um computador Magalhães. Gostou, comprou milhares e rebatizou-o de Canaima.)
“OBAMA ACABA DE NACIONALIZAR NADA MAIS NADA MENOS DO QUE A GENERAL MOTORS. CAMARADA OBAMA! FIDEL, CUIDADO SENÃO AINDA VAMOS ACABAR À DIREITA DELE.” (Numa intervenção na televisão, a 2 de junho de 2009.)
“NÃO SOMOS PERFEITOS, MAS TEMOS DEMOCRACIA.” Todos os domingos, às 11 da manhã, Chávez dirigia-se aos venezuelanos, pela televisão e pela rádio, através do seu ‘talk show’ “Aló, Presidente”, filmado em estúdio ou no exterior. (Na foto, em Barinas, o seu estado natal, a 10 de maio de 2009.)
“É UMA MÁQUINA INFERNAL QUE PRODUZ UMA IMPRESSIONANTE QUANTIDADE DE POBRES A CADA MINUTO. 26 MILHÕES DE POBRES EM 10 ANOS SÃO 2,6 MILHÕES DE NOVOS POBRES POR ANO. ESTE É O CAMINHO DO INFERNO.” (Referindo-se ao trabalho infantil. Na foto, com crianças venezuelanas, durante a emissão do “Aló Presidente” transmitido a 13 de setembro de 2009.)
“CARAMBA, É UM BEIJINHO! EU TAMBÉM ESTOU DE OLHOS FECHADOS. FAÇO UM RECONHECIMENTO PÚBLICO AO PUBLICITÁRIO. É UMA BOA PIADA.” (Reagindo à fotomontagem da campanha da Benetton, lançada em novembro de 2011.)
“AGORA PRECISO DE SER PACIENTE. ESTOU NA RETAGUARDA. BOLÍVAR, ÀS VEZES, LIDERAVA AS BATALHAS A PARTIR DO ALTO DE UMA COLINA.” (Comentários feitos a 9 de julho de 2011, quando já era conhecido que sofria de cancro na região pélvica.)
“NÃO SERIA ESTRANHO SE ELES (OS ESTADOS UNIDOS) TIVESSEM DESENVOLVIDO A TECNOLOGIA PARA INDUZIR O CANCRO E QUE NINGUÉM O SOUBESSE ATÉ AGORA… NÃO SEI. ESTOU APENAS A REFLETIR. MAS ISTO É MUITO, MUITO, MUITO ESTRANHO…” (Discursando numa base militar venezuelana, a 28 de dezembro de 2011, referindo-se à quantidade de chefes de Estado da América do Sul afetados pelo cancro. Para além de Chávez, Fernando Lugo (Paraguai), Dilma Rousseff e Lula da Silva (Brasil) e Cristina Kirchner (Argentina).)
“UM DOS ALVOS DO IMPERIALISMO IANQUE É O IRÃO. POR ISSO, MOSTRAMOS A NOSSA SOLIDARIEDADE. QUANDO NOS ENCONTRAMOS, OS DEMÓNIOS FICAM LOUCOS.” (Durante uma visita à Venezuela do Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, em janeiro de 2012. A foto refere-se a uma visita anterior, em setembro de 2006.)
“É O TERRORISMO, LANÇAM MEDO NAS OUTRAS NAÇÕES E NO SEU PRÓPRIO POVO. AS FAMÍLIAS COMEÇAM A DISFARÇAR AS SUAS CRIANÇAS DE BRUXAS. ISTO É CONTRÁRIO À NOSSA MANEIRA DE SER.” (Criticando a tradição “gringa” do Halloween e defendendo que tal celebração não tem significado para os venezuelanos. Na foto, com o ator norte-americano Sean Penn, em Caracas, a 16 de fevereiro de 2012.)
“DÁ-ME A TUA COROA, CRISTO, QUE EU SANGRO. DÁ-ME A TUA CRUZ, CEM CRUZES, QUE EU CARREGO. MAS DÁ-ME VIDA, PORQUE AINDA ME FALTA FAZER COISAS POR ESTE POVO E POR ESTA PÁTRIA. NÃO ME LEVES AINDA.” (Em lágrimas, durante uma missa no seu estado natal, Barinas, transmitida pela televisão, dias antes da Páscoa de 2012. Na foto, beijando um crucifixo, na companhia da filha Rosa, a 23 de abril de 2012.)
“CONTINUO A OBSERVAR O CAMPO POLÍTICO OPOSITOR. SINCERAMENTE, ESPERO QUE DEPOIS DO SEU DESASTRE A 7 DE OUTUBRO, SURJA UM NOVO MAPA NA DIREITA POLÍTICA!” (“Tweet” publicado durante a campanha eleitoral para as presidenciais de 7 de outubro. Refere-se ao seu adversário, Henrique Capriles.)
“SIGO AGARRADO A CRISTO E COM CONFIANÇA NOS MEUS MÉDICOS E ENFERMEIRAS. ATÉ À VITÓRIA SEMPRE!! VIVEREMOS E VENCEREMOS!!!” (Último “tweet” publicado por Hugo Chávez, a 18 de fevereiro de 2013.)

Artigo publicado no Expresso Online, a 5 de outubro de 2012, dois dias antes de Hugo Chávez vencer as eleições presidenciais e conquistar o seu quarto mandato. A fotogaleria foi republicada a 5 de março de 2013, dia em que Hugo Chávez morreu. Pode ser consultada aqui