Mohamed Morsi vai discursar hoje ao país para tentar sossegar os ânimos. Confrontos junto ao palácio presidencial, entre apoiantes e opositores, fizeram ontem seis mortos
Pelo menos seis pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas nos confrontos que se iniciaram ontem e estenderam-se pela madrugada, junto ao palácio presidencial, no Cairo. Segundo a Al-Jazeera, pelo menos cinco tanques do Exército saíram à rua e estão posicionados junto ao palácio.
Os confrontos opõem apoiantes da Irmandade Mulçulmana (e do Presidente Mohamed Morsi), e opositores ao regime, que exigem a anulação do referendo à nova Constituição previsto para 15 de dezembro e a revogação do decreto constitucional de 22 de novembro que alarga os poderes do Presidente.
“Foi o dia mais triste que já vi no Egito”, tweetou Sherine Tadros, uma das repórteres da Al-Jazeera em reportagem no Cairo.
Segundo a estação pública egípcia Nile TV, Mohamed Morsi vai hoje discursar ao país. Na terça-feira, Morsi foi evacuado do palácio quando um grupo de manifestantes tentou invadir o edifício. A polícia anti-motim interveio e dispersou-os com gás-lacrimogéneo.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 6 de dezembro de 2012. Pode ser consultado aqui
A Praça Tahrir, no centro do Cairo, está repleta de tendas como nos dias da contestação a Hosni Mubarak. E assim deverá continuar até ao referendo à Constituição, no dia 15
Hoje, 12 jornais privados egípcios suspenderam a sua publicação. Amanhã, será a vez de cinco televisões não emitirem. Os órgãos de informação querem denunciar o que consideram ser ameaças à liberdade de expressão decorrentes do projeto de Constituição que será referendado no próximo dia 15.
Esta iniciativa dos media une-se assim à luta de centenas de pessoas que estão acampadas em permanência na Praça Tahrir, desde há mais de uma semana, em protesto contra o rumo que a revolução está a tomar.
Na mira da contestação está o Presidente Mohamed Morsi que, no passado dia 22 de novembro, aprovou uma declaração constitucional ampliando fortemente os seus poderes.
Morsi demitiu o procurador-geral (conotado com o regime de Mubarak), ordenou a repetição de julgamentos de pessoas envolvidas na repressão à revolução (uma exigência dos revolucionários) e decretou que nenhuma decisão judicial poderá fazer reverter decisões por ele tomadas.
‘Um Mubarak com barbas’
Ao colocar-se acima dos tribunais, Morsi foi acusado de ser um novo ditador. “Um Mubarak com barbas”, ouviu-se na praça Tahrir.
Os ânimos contra o Presidente inflamaram-se ainda mais após a assembleia constituinte — dominada por islamitas — ter aprovado, numa sessão-maratona de 19 horas, que terminou na madrugada de sexta-feira, os 234 artigos da nova Constituição.
O plenário tinha até fevereiro para aprovar a nova Lei Fundamental, mas a contestação ao Presidente acelerou o processo. No próximo dia 15, os egípcios irão referendar o texto que prevê, entre outros, o limite do mandato do Presidente a dois períodos de quatro anos e a aprovação por parte do Parlamento do primeiro-ministro indigitado pelo Presidente.
Ainda segundo o projeto, a “sharia” (lei islâmica) continuará a ser a principal fonte de lei. Um artigo que inicialmente fazia depender o estatuto das mulheres à “sharia” não consta, porém, do texto final. A liberdade religiosa é garantida para muçulmanos, cristãos e judeus, apenas.
O povo é quem mais ordena
Apesar da contestação, Morsi não está só. Eleito em junho, como candidato da Irmandade Muçulmana, ele conta com o apoio de milhões de simpatizantes daquele que é a associação social melhor organizada do país.
No sábado passado, milhares de pessoas concentraram-se junto à Universidade do Cairo para apoiar o Presidente e a nova Constituição. “Pela primeira vez, o povo será a fonte de todos os poderes”, afirmava Khaled Mohamed à reportagem do órgão de informação egípcio “Ahram Online”.
Propositadamente, a ‘manif’ pró-Morsi evitou passar pela Praça Tahrir para evitar possíveis confrontos com os críticos do Presidente. O braço de ferro pelo poder transbordou dos corredores políticos e dividiu as ruas do Egito. Assim deverá continuar pelo menos até ao referendo à Constituição.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 4 de dezembro de 2012. Pode ser consultado aqui
Opositores a Mohamed Morsi realizaram hoje a manifestação do “Último aviso” junto ao palácio do Presidente. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo
Milhares de pessoas concentraram-se hoje junto ao palácio presidencial do Cairo, na área de Heliopolis, num protesto anti-governamental a que deram o nome de “Último Aviso”. Alguns manifestantes tentaram quebrar o cordão de segurança em redor do edifício, tendo a polícia respondido com gás lacrimogéneo.
“Duas fontes citadas pela Reuters, mas não identificadas, garantem que o Presidente abandonou o palácio durante os protestos.”
Os manifestantes pediram a anulação do decreto constitucional de 22 de novembro, com o qual o Presidente Mohamed Morsi alargou substancialmente os seus poderes. Protestaram também contra o referendo à nova Constituição, previsto para o próximo dia 15, dizendo que o texto foi aprovado de forma apressada.
“O povo quer o fim do regime”, gritaram os manifestantes, socorrendo-se do mesmo slogan com que em fevereiro de 2011 contribuíram para o derrube de Hosni Mubarak. O Egito vive a pior crise política desde o início da revolução.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 4 de dezembro de 2012. Pode ser consultado aqui
O islamita Mohamed Morsi toma hoje posse. Mubarak tem sucessor
Mohamed Morsi, o primeiro Presidente do Egito eleito pela Irmandade Muçulmana CARLOS LATUFF
Mohamed Morsi toma hoje posse como Presidente do Egito — o primeiro eleito pela Irmandade Muçulmana e o primeiro que não saiu das fileiras das Forças Armadas. A cerimónia decorrerá no Cairo, mas o local concreto tem sido objeto de discórdia entre os principais atores da revolução egípcia.
Os militares querem que Morsi faça o seu juramento perante o Supremo Tribunal Constitucional. A acontecer, o novo Presidente reconheceria, implicitamente, o decreto emitido pelos militares em 17 de junho que o priva dos principais poderes em benefício do Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF).
Morsi, pelo seu lado, quer tomar posse no Parlamento, dissolvido dias antes da segunda volta das presidenciais, pelo Supremo Tribunal Constitucional, que o considerou ilegalmente eleito. Recorde-se que 75% dos assentos estavam ocupados por deputados islamitas afetos à Irmandade Muçulmana e ao Partido Nour (salafita).
Na quinta-feira, a União da Juventude Revolucionária emitiu um comunicado apelando a que a cerimónia decorra na praça Tahrir, na presença dos deputados eleitos — mas impedidos de exercer funções — e com transmissão em ecrãs de televisão para as praças de todo o Egito.
Governo a todo o gás
Segundo a imprensa egípcia, hoje ainda deverá ser conhecido o nome do futuro primeiro-ministro. O novo Governo poderá, de resto, tomar posse amanhã. Morsi prometeu escolher uma personalidade independente.
Mohamed ElBaradei — o Prémio Nobel da Paz que foi um dos principais notáveis na contestação a Hosni Mubarak — foi citado na imprensa como um dos nomes que terão participado em negociações com vista à formação do novo Governo, mas não há informações consensuais de que Morsi tenha convidado o líder do Partido da Constituição (criado em finais de abril) para chefiar o Executivo.
SCAF conserva a Defesa
Contrariamente ao cargo de primeiro-ministro, o nome do próximo ministro da Defesa já é conhecido. Trata-se de Mohamed Hussein Tantawi, o líder da Junta militar. “Esta escolha visa evitar quaisquer mudanças nas Forças Armadas neste período crítico que antecede a elaboração da Constituição”, esclareceu, na quinta-feira, Mohamed al-Assar, um dos 19 generais que compõem o SCAF.
Na terça-feira, Mohamed Morsi fez o seu primeiro discurso à nação, onde enumerou cinco prioridades para os primeiros 100 dias de poder: o tráfego, a segurança, a recolha do lixo, a escassez de pão e de combustíveis. Temas simpáticos ao cidadão comum, mas que não iludem a questão principal: sem poderes e com o SCAF — que controla a economia egípcia — dentro do futuro Governo, que margem de manobra terá Morsi para corresponder às expectativas de quem fez a revolução?
COMO NASCEU E CRESCEU A IRMANDADE
É a organização islamita mais antiga e a que tem mais seguidores. Opera em dezenas de países e acaba de subir ao poder no Egito
Hesham Aly vive em Gizé, nos arredores do Cairo, tem 29 anos e uma fé inabalável na Irmandade Muçulmana (IM). “São as melhores pessoas para ajudar o Egito, e outros países árabes, a regressar às civilizações do passado e a acabar com este colete de forças em que vivemos que nos faz sofrer há décadas. Eles praticam a religião muito bem. Nunca irão enganar ou roubar. São honestos. Facilmente, colocaria tudo o que tenho nas mãos deles”, confessa ao Expresso.
Hesham estudou engenharia mecânica, mas alimenta o sonho de ganhar a vida a realizar filmes. Com um grupo de amigos, criou a agência Fekra (Ideia) e produzem documentários — que divulgam no YouTube e nas redes sociais — inspirados na primavera árabe. Cada vídeo é uma espécie de alerta acerca do que tem de mudar, designadamente no novo Egito. “A IM tem gente em todas as áreas profissionais. Em 84 anos, acumulou muito conhecimento e experiência. Será capaz de governar bem o Egito”, conclui o jovem.
Prédicas à mesa do café
Fundada em 1928, a Sociedade dos Irmãos Muçulmanos radica na experiência de vida de Hasan al-Banna, um professor primário nascido em 1906 e destacado em Ismailia, cidade que acolhia a administração da Companhia do Canal do Suez (franco-britânica). O Egito era um protetorado britânico desde 1914.
Oriundo de uma família de posses do Cairo, e filho de um imam, Al-Banna — avô do pensador contemporâneo Tariq Ramadan — incomoda-se com as influências do secularismo e a gradual ocidentalização da sociedade local. Uma constatação agravada pelos acontecimentos na Turquia — herdeira do Império Otomano —, onde, em 1922, Kemal Ataturk refundara o Estado, separando política e religião. A abolição do Califado, na perspetiva de Al-Banna.
Habituado a discursar e a ensinar em mesquitas, Al-Banna concebe uma forma pouco convencional de levar a palavra de Alá ao povo. Empenha-se numa campanha de prédicas em coffe-shops, locais de perdição mas frequentados pelos jovens.
Aos poucos, aquilo que começou como um movimento de renovação da fé na sociedade egípcia transformou-se numa força política que, em finais da década de 1940, rivalizava em influência com os partidos estabelecidos. Al-Banna introduzira aspetos políticos no seu discurso e começara a dar espaço aos jovens para criarem causas islâmicas e anti-imperialistas.
Aos olhos do egípcio comum, mais do que uma corrente religiosa, a IM era uma organização com ampla base social que ensinava analfabetos, criava hospitais e lançava pequenos negócios para os mais pobres.
Para a IM, a defesa do Islão fazia-se também fora de portas. Perante a iminência da criação de um Estado judeu na Palestina, a IM envia batalhões de voluntários em nome da luta (jihad) em nome de territórios muçulmanos ameaçados. Em 1948, Israel é criado e a IM acusa a humilhação. Organiza manifestações de rua que responsabilizam o Governo egípcio pela derrota.
No final desse ano, na sequência de uma vaga de ataques à bomba e de tentativas de assassínio, cuja autoria o Governo egípcio atribui à IM, o primeiro-ministro, Fahmi al-Nuqrashi, aprova a dissolução da organização e dá ordem de prisão a muitos dirigentes. Hasan al-Banna é poupado, mas os seus esforços de reconciliação entre o Governo e as franjas extremistas dentro da IM não surtem efeito.
Repressão e extremismo
A 28 de dezembro de 1948, o primeiro-ministro é assassinado a tiro por um estudante de veterinária, membro da IM. Al-Banna é novamente deixado em liberdade, mas não sobrevive muito tempo à espiral de retaliações e, a 12 de fevereiro de 1949, é abatido a tiro numa rua do Cairo.
Em 1952, o coronel Gamal Abdel Nasser lidera um golpe que depõe a monarquia. A IM apoia a revolução, com limites: não concorda com o carácter secular da nova Constituição. A desconfiança continua e, em 1954, a organização é acusada de tentar assassinar o Presidente Nasser.
A Irmandade é banida pela segunda vez e milhares de membros são encarcerados. Entre eles, Sayyid Qutb, o outro grande ideólogo da IM, que morreria enforcado em 1966. Nascido em 1906, como Al-Banna, e igualmente professor, Qutb ganhara uma bolsa atribuída pelo Governo, em 1948 e fizera um mestrado em Educação nos Estados Unidos, onde se chocara com a competição entre igrejas.
Inspiração da Al-Qaeda
Na prisão, Sayyid Qutb escreve “Milestones” (1964). Nessa obra, discorre sobre as falências do materialismo ocidental e do nacionalismo árabe secular autoritário e apela à promoção de uma sociedade islâmica genuína onde o Islão surge como uma teologia da libertação.
A repressão do regime egípcio e os relatos de tortura feitos por muitos detidos tornam a IM permeável a visões extremistas. Entre os consumidores das ideias de Qutb está Ayman al-Zawahiri, o médico egípcio, que viria a ser o braço-direito de Osama bin Laden à frente da Al-Qaeda. Era membro da IM desde 1965.
Com muitos militantes presos, a IM renuncia oficialmente à violência nos anos 1980 e investe na política. Nessa altura, já a organização tinha ramificado pelo mundo árabe: Jordânia, Bahrain, Tunísia, Argélia, Iraque, Síria, Sudão, Somália, Iémen. Na Palestina, a Carta do Hamas aprovada em 1988 identifica a organização como “Irmandade Muçulmana da Palestina”.
A consagração política chegaria em 2005 quando, sob o lema “o Islão é a solução”, 88 simpatizantes da ilegalizada IM são eleitos deputados, como independentes. Oficiosamente, a IM torna-se assim o maior bloco de oposição a Hosni Mubarak. Este ordena uma nova vaga de detenções e impede a IM de ir a votos nas legislativas seguintes. Até que a praça Tahrir farta-se do clientelismo, corrupção e impunidade que grassavam no regime de Mubarak e substituem-no por um dirigente da Irmandade — Mohamed Morsi — que agora enfrenta a maior prova de fogo da sua história.
Artigo publicado no “Expresso”, a 30 de junho de 2012
A 25 de janeiro de 2011, os egípcios saíram, pela primeira vez, à rua para exigir o fim do regime de Hosni Mubarak. Um ano depois, a praça Tahrir continua a atrair manifestações
Um ano após a realização da primeira manifestação de contestação ao regime de Hosni Mubarak — convocada através do Facebook —, a mítica praça Tahrir, no centro do Cairo, continua a ser palco de protestos.
A grande reivindicação popular de há um ano foi conseguida — Mubarak cairia a 11 de fevereiro —, mas o regime continua (quase) intacto. Herdeiros do poder do Presidente, o Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF) tarda em transferir o poder para os civis, como prometeu.
Nas ruas, cresce a desconfiança em relação aos militares, outrora vitoriados pelo povo por se recusarem a disparar contra os manifestantes. Ainda assim, durante os 18 dias de protestos na praça Tahrir, morreram cerca de 850 mortos e 6000 feridos.
Acusado de ter ordenado os disparos contra os manifestantes, Hosni Mubarak — que está a ser julgado desde agosto de 2011 — incorre na pena de morte por enforcamento.
Islamitas no poder
As eleições legislativas realizadas para a câmara baixa do Parlamento, entre novembro de 2011 e janeiro de 2012, ditaram uma maioria islamita no Parlamento. Sem surpresa, a Irmandade Muçulmana (Partido Liberdade e Justiça) arrecadou 47,2% dos votos. Era a fação mais bem organizada, ainda que remetida para a clandestinidade durante a era Mubarak.
A grande surpresa eleitoral foi o segundo lugar conquistado pelo Partido An-Nour, salafita — uma interpretação integrista do Islão, inspirada no waabismo saudita —, que conquistou 24,3% dos votos. Esta formação política foi criada na sequência da revolução e é financiada pela Arábia Saudita.
O novo Parlamento começou a funcionar na passada segunda-feira. Terá como uma das principais funções nomear uma assembleia encarregue de elaborar uma nova Constituição.
ElBaradei fora da corrida
De acordo com o último calendário apresentado pelos militares, o Egito deverá realizar eleições presidenciais ainda durante o primeiro semestre de 2012.
O ex-secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, mantém-se na corrida. Mas Mohammed ElBaradei — antigo diretor da Agência Internacional para a Energia Atómica e Nobel da Paz — atirou a toalha ao chão, a 14 de janeiro.
“A minha consciência não me permite concorrer à presidência ou a qualquer outra posição oficial, a menos que seja dentro de um quadro democrático”, afirmou.
Tal como muitos egípcios, ElBaradei considera que os militares têm vindo a governar o Egito como que se a revolução não tivesse acontecido e o regime anterior estivesse ainda intacto.
Segunda fase revolucionária
Ontem, numa tentativa de conter a euforia que se adivinha para os protestos associados ao aniversário da revolução, o SCAF levantou, parcialmente, o estado de emergência que vigorava no país (quase ininterruptamente) desde 1967.
Esta legislação — que implica a suspensão de direitos constitucionais e confere às forças de segurança poderes adicionais na repressão de protestos, por exemplo — foi imposta durante a Guerra dos Seis Dias com Israel, levantada em 1980 e reintroduzida em 1981, após o assassinato do Presidente Anwar Sadat.
Num discurso transmitido pela televisão, o líder do SCAF, marechal Hussein Tantawi, disse que, apesar do fim do estado de emergência, as leis continuariam a ser aplicadas a “bandidos”.
Na terminologia do SCAF, “bandidos” são também os organizadores dos protestos anti-regime. Os mesmos que, um ano depois, dizem que a revolução precisa de entrar numa segunda fase.
Artigo publicado no “Expresso Online”, a 25 de janeiro de 2012. Pode ser consultado aqui
Jornalista de Internacional no "Expresso". A cada artigo que escrevo, passo a olhar para o mundo de forma diferente. Acho que é isso que me apaixona no jornalismo.