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Nunca ninguém mandou tanto tempo como Benjamin Netanyahu

Benjamin Netanyahu torna-se este sábado o israelita que mais tempo ocupou o cargo de primeiro-ministro. Completa 4876 dias no poder, ultrapassando David Ben-Gurion, um dos pais fundadores do Estado de Israel

Benjamin Netanyahu foi o primeiro chefe de Governo de Israel a nascer no país — em Telavive, a 21 de outubro de 1949, um ano após a criação do Estado. Foi também o primeiro-ministro mais novo a assumir o cargo — tinha 47 anos. A partir deste sábado acumula um terceiro recorde: passa a ser o governante que exerceu a chefia do Governo durante mais tempo.

Ultrapassa o histórico David Ben-Gurion, um dos pais fundadores do Estado de Israel, que foi primeiro-ministro durante 4875 dias: entre 14 de maio de 1948 e 26 de janeiro de 1954 e novamente entre 3 de novembro de 1955 e 26 de junho de 1963.

Aos 69 anos, “Bibi”, como é chamado, foi primeiro-ministro durante 13, em dois períodos não consecutivos: de 18 de junho de 1996 a 6 de julho de 1999 e desde 31 de março de 2009. Este sábado, completa 4876 dias no cargo.

Uma longa caminhada — que poderá continuar após as eleições legislativas marcadas para 17 de setembro — resumida em 10 momentos.

OS PRIMEIROS TRAVOS DO PODER

Benjamin Netanyahu acaba de ser eleito líder do partido Likud, a 21 de março de 1993, em Katzrin ESAIAS BAITEL / GETTY IMAGES

A 4 de novembro de 1995, dois anos após israelitas e palestinianos assinarem os Acordos de Oslo — o último esboço de paz firmado até hoje —, a esperança cai por terra com a notícia do assassínio do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, às mãos de um fanático judeu. Na liderança do Likud (direita), um dos partidos históricos de Israel, havia dois anos, Benjamin Netanyahu protagonizara uma mudança geracional — da era dos pais fundadores do Estado para o tempo dos cidadãos já nascidos no país. O desaparecimento de Rabin precipita o país para eleições, a 26 de maio de 1996: o Likud vence e Netanyahu toma posse como primeiro-ministro. Herda um país em choque e cético quanto ao seu futuro próximo.

OLHAR OS PALESTINIANOS… COM DESCONFIANÇA

O primeiro encontro entre Yasser Arafat e Netanyahu, a 4 de setembro de 1996, em Erez NADAV NEUHAUS / GETTY IMAGES

Netanyahu encontra-se com Yasser Arafat pela primeira vez a 4 de setembro de 1996, na passagem fronteiriça de Erez, entre Israel e a Faixa de Gaza. A convivência entre ambos pautar-se-ia sempre pela desconfiança, agravada pelas discordâncias de Netanyahu em relação às premissas dos Acordos de Oslo. Para o israelita, não faz sentido — e só encoraja o extremismo — negociar por etapas, fazendo concessões sem que haja um entendimento relativamente aos principais assuntos, como o estatuto de Jerusalém. No poder, Netanyahu não rasga Oslo, mas não faz dele uma prioridade. Os colonatos judeus em território palestiniano intensificam-se irreversivelmente.

RELAÇÃO ENVENENADA COM O HAMAS

Captura de ecrã de um vídeo onde se vê Netanyahu a amachucar e a atirar para o caixote do lixo um documento político do Hamas REUTERS

Nascido na Faixa de Gaza, sob ocupação israelita, o movimento islamita Hamas — que na sua Carta fundadora pugna pelo desaparecimento de Israel — nunca teve em Netanyahu um interlocutor. Em 1997, o primeiro-ministro israelita tenta mesmo decapitar o grupo e autoriza uma operação da Mossad para assassinar o seu líder, Khaled Mashal, na Jordânia. Disfarçados de turistas canadianos, cinco agentes conseguem injetar veneno em Mashal, numa rua de Amã, mas são descobertos. Em fúria, o rei Hussein exige a Israel a cedência do antídoto sob pena de anular o tratado de paz jordano-israelita celebrado três anos antes. Fortemente pressionado pela Casa Branca, onde estava Bill Clinton, Netanyahu cede.

CHOQUE DE FRENTE COM O “BULLDOZER”

Benjamin Netanyahu sentado ao lado de Ariel Sharon de quem foi ministro dos Negócios Estrangeiros e das Finanças GIL COHEN MAGEN / AFP / GETTY IMAGES

Entre os dois períodos que serviu como primeiro-ministro, Netanyahu tem uma fase, fora da política, em que trabalha no sector privado e outra em que participa — como ministro dos Negócios Estrangeiros e das Finanças — em governos liderados por Ariel Sharon. A carreira política leva um forte impulso quando o “bulldozer” promove um plano unilateral de retirada de tropas e colonos da Faixa de Gaza e posterior devolução do território à Autoridade Palestiniana. Netanyahu discorda em absoluto e, a 7 de agosto de 2005, demite-se. Muitos israelitas interpretam a saída de Israel de Gaza como um sinal de fraqueza e identificam-se com a posição assumida por Netanyahu. Em dezembro desse ano, ele recupera a liderança do Likud e lança-se novamente no combate pela liderança do país.

A PALESTINA, SEGUNDO NETANYAHU

Benjamin Netanyahu junto a um mapa relativo à construção de novas casas para judeus na parte oriental (árabe) de Jerusalém MENAHEM KAHANA / AFP / GETTY IMAGES

A 6 de abril de 2009, menos de três meses após entrar na Casa Branca, Barack Obama dirige-se ao mundo islâmico com um discurso na Universidade do Cairo, intitulado “Um novo começo”. “Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade de contínuos colonatos israelitas”, diz. Em Israel, Netanyahu é novamente primeiro-ministro, havia uma semana. A 14 de junho seguinte, num discurso na Universidade Bar-Ilan, nos arredores de Telavive, o israelita enumera as suas condições para apoiar uma Palestina independente: Jerusalém seria a capital unificada de Israel, os palestinianos não teriam exército e abdicariam do direito de regresso dos refugiados. Netanyahu reclama também o direito ao “crescimento natural” dos colonatos existentes na Cisjordânia. Fecha assim a porta ao Estado com que os palestinianos sonham.

O DESENHO DA AMEAÇA IRANIANA

Discursando na Assembleia Geral da ONU, a 27 de setembro de 2012, com o Irão em mente LUCAS JACKSON / REUTERS

A 27 de setembro de 2012, Netanyahu sobe ao palanque da Assembleia Geral da ONU munido de um marcador e de uma cartolina com o desenho de uma bomba prestes a detonar. “A questão relevante não é quando vai o Irão obter a bomba”, diz. “A questão relevante é em que fase deixa de ser possível impedir que o Irão obtenha a bomba.” E traça na cartolina uma linha vermelha a partir da qual o Irão não deve ser autorizado a continuar a enriquecer urânio. Nesse discurso, Netanyahu pronuncia a palavra “Irão” 110 vezes. Nos anos que se seguiriam, falar da República Islâmica e das suas ambições nucleares torna-se um clássico nos discursos de Netanyahu nas Nações Unidas, em especial após a assinatura do acordo internacional de 2015 — que ele considera “um erro histórico”.

COMPREENSIVO PARA COM… ADOLF HITLER

Benjamin Netanyahu aponta para um mapa que localiza os campos de extermínio de judeus (Holocausto), durante a II Guerra Mundial JANEK SKARZYNSKI / AFP / GETTY IMAGES

“Hitler não queria exterminar os judeus na altura, ele queria expulsar os judeus. E Haj Amin al-Husseini [o grande mufti de Jerusalém] foi ter com ele e disse: ‘Se os expulsar, eles virão todos para aqui [para a Palestina]’.” Segundo Netanyahu: Hitler terá perguntado: “O que devo fazer com eles?” O mufti respondeu: “Queime-os”. Foi nestes termos que Netanyahu descreveu o encontro entre Hitler e Husseini, em novembro de 1941, perante a plateia do 37.º Congresso Mundial Sionista, a 20 de outubro de 2015, em Jerusalém. Pouco importa se, com estas palavras, choca milhões de judeus com histórias do Holocausto na família. O objetivo é lançar a dúvida e contaminar a pretensão dos palestinianos de continuarem a viver naquela terra.

TOLERÂNCIA ZERO NA FAIXA DE GAZA

Benjamin Netanyahu junto a uma bateria do escudo anti-aéreo Cúpula de Ferro, com que Israel interceta os “rockets” lançados desde a Faixa de Gaza JACK GUEZ / REUTERS

Nos últimos dez anos, a Faixa de Gaza foi alvo de três operações militares israelitas de grande envergadura — só na primeira não era Netanyahu primeiro-ministro. A mais mortífera, a “Barreira Protetora” em 2014 — justificada com a necessidade de retaliar o rapto de três jovens colonos… na Cisjordânia —, começa cerca de um mês após Hamas e Autoridade Palestiniana (AP) anunciarem a formação de um governo de unidade nacional (2 de junho). As duas fações palestinianas estavam desavindas desde 2007 quando o Hamas tomou o poder pela força em Gaza e a Cisjordânia ficou sob controlo da AP. Segundo a ONU, na “Barreira Protetora” morreram 2251 palestinianos, em sete semanas de bombardeamentos. Israel confirmou 67 militares e seis civis mortos.

A CONTAS COM A JUSTIÇA

Benjamin Netanyahu é inquirido, no Supremo Tribunal de Israel, em 2016, sobre a legalidade de um negócio aprovado pelo Governo JIM HOLLANDER / REUTERS

Na agenda de Netanyahu, os próximos dias 2 e 3 de outubro estão provavelmente marcados a vermelho. Está prevista para essas datas a sua audição no âmbito de três grandes investigações a casos de corrupção em que a polícia recomendou que Netanyahu fosse indiciado por suborno, fraude e abuso de confiança. Caberá ao procurador-geral de Israel, Avichai Mendelblit, decidir se as provas são suficientemente fortes para acusá-lo. Se for acusado e continuar a ser primeiro-ministro, não está legalmente obrigado a renunciar, apenas se for condenado e quando esgotados todos os recursos. Netanyahu diz que a atuação da polícia é “uma caça às bruxas”. Em maio passado, é notícia um pacote legislativo em preparação visando fintar as determinações dos tribunais e que pode beneficiá-lo com imunidade. Não vai avante porque Netanyahu não se aguenta no Governo.

REFÉM DOS PARTIDOS RELIGIOSOS

O casal Netanyahu, Benjamin e Sara, celebrando a vitória do Likud nas eleições legislativas de 9 de abril passado THOMAS COEX / AFP / GETTY IMAGES

Nas eleições de 9 de abril passado, os dois partidos mais votados elegem cada um 35 deputados. Mas a escassa vantagem de 0,33% dos votos a favor do Likud é suficiente para que Netanyahu seja reconduzido num quinto mandato — o quarto consecutivo — como primeiro-ministro de Israel. Porém, as negociações para formar governo revelam-se uma missão impossível. Netanyahu garante o apoio dos partidos religiosos ultraortodoxos, prometendo continuar a isentá-los do cumprimento do serviço militar. Essa exceção é polémica, já que a tropa é obrigatória e universal em Israel (com exceções), e vale a Netanyahu a oposição da extrema-direita de Avigdor Lieberman, essencial à maioria parlamentar necessária. Num país em que os executivos são sempre de coligação, Netanyahu torna-se o primeiro candidato a primeiro-ministro a não conseguir formar governo.

(Uma fotografia de Benjamin Netanyahu rodeada de boletins de voto, na sede do Likud, em Telavive AMIR COHEN / REUTERS)

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 19 de julho de 2019. Pode ser consultado aqui

Sem boicotes mas com danos

Os múltiplos apelos à não-participação no festival em Israel não tiveram eco junto dos participantes. Mas, fruto das discussões geradas, o país já não é visto da mesma forma

O Festival Eurovisão da Canção em Israel tem uma baixa anunciada por razões políticas: a Ucrânia. A ausência não decorre, porém, dos múltiplos apelos ao boicote feitos por ativistas da causa palestiniana. Simplesmente, a cantora escolhida para representar a Ucrânia recusou-se a cancelar concertos que tinha agendados… na Rússia, o que levou a televisão estatal ucraniana a cancelar a sua participação. Menos mediático e mobilizador do que o conflito israelo-palestiniano, o diferendo entre as ex-repúblicas soviéticas faz mais danos a um evento que Israel quer organizar sem mácula.

“Apesar de nenhum cantor ter desistido, em cada país houve apelos por parte do povo em geral e de músicos e antigos participantes do festival para que cancelassem a participação e se recusassem a dançar sobre as sepulturas de Al-Sheikh Muwannis, que foi alvo de limpeza étnica”, diz ao Expresso o ativista israelita Ronnie Barkan. Esta antiga aldeia palestiniana foi abandonada dois meses antes da guerra da independência (1948), por pressão de grupos armados judaicos. O Centro de Convenções de Telavive — que acolhe a Eurovisão entre terça-feira e sábado — fica sobre as ruínas da aldeia.

O israelita realça, entre as ações de pressão desenvolvidas sobre os concorrentes, a petição assinada por 8% da população da Islândia a pedir um boicote ao evento. Iniciativa no mesmo sentido na República da Irlanda foi apoiada pelo então presidente da Câmara de Dublin. Em Portugal, o apelo feito a Conan Osíris por Roger Waters (Pink Floyd) pôs o assunto na agenda noticiosa.

“A Eurovisão nunca foi uma plataforma para criar consciência política”, continua Barkan. “É vista, mesmo pela indústria musical, como mero espetáculo. Dito isto, é interessante notar que as movimentações e negociações em torno da Eurovisão de 2019 nada têm de apolítico. Tudo o que aconteceu desde a participação de Israel em Lisboa, no ano passado, foi assolado pelo apartheid israelita e pelos seus numerosos crimes contra o povo palestiniano. Isto inclui a celebração de Netta Barzilai, vencedora em 2018, ao mesmo tempo que Israel assassinava 61 civis no gueto de Gaza, horas antes, mas sem estragar a festa.”

“É cada vez mais claro que atuar hoje em Israel é análogo a atuar em Sun City antigamente”

Apesar das garantias dadas à União Europeia de Radiodifusão de que não condicionaria os vistos às ideias políticas dos visitantes, o Governo de Telavive fez saber esta semana, através de Emmanuel Nahshon, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que não hesitará em fechar a fronteira a “ativistas anti-Israel cujo único objetivo é perturbar o evento”.

Soft power musical

O Estado hebraico quer conter eventuais embaraços, mas o receio de que algum concorrente aproveite a sua atuação, em direto para milhões de telespectadores, para fazer uma declaração política e virar os holofotes para o drama palestiniano é real. Uma ameaça séria é a banda Hatari, que representa a Islândia. Crítica da realização do festival em Israel, afirmou numa entrevista, já em Telavive, que Israel é um Estado de “apartheid”. Afirma que o grupo vive uma situação “de conflito” por estar ali, naquele contexto. “Mas enquanto participantes temos o poder de abordar o absurdo de haver um concurso como este, fundado no espírito da unidade e da paz, num país marcado por conflitos e pela desunião.”

“Nunca é tarde para os participantes, cantores e fãs ganharem consciência e recusarem-se a conferir legitimidade a um regime supremacista e criminoso, através da sua participação”, comenta o ativista Barkan. “Alguns grupos podem querer expressar uma forma suave de divergência, o que é compreensível, mas não suficiente. É cada vez mais claro que atuar em Israel hoje é análogo a atuar em Sun City, na África do Sul, antigamente.”

Em Telavive, os primeiros ensaios foram “saudados” por 700 rockets lançados de Gaza

Sun City era um grande casino para brancos na África do Sul, nos anos do apartheid. Apesar do boicote cultural apoiado pela ONU, Frank Sinatra, Julio Iglesias ou os Queen, e mesmo negros como Ray Charles, Tina Turner e Dionne Warwick não resistiram aos cachês. Em 1985, quando foi gravado “We are the world”, contra a fome na Etiópia, outro coletivo de artistas deu voz a “I ain’t gonna play Sun City” (Não vou atuar em Sun City).

Com uma imagem cada vez mais associada à África do Sul racista, seja pela forma como segrega os palestinianos da Cisjordânia (sob ocupação militar e alvo de um projeto colonial) e da Faixa de Gaza (sujeitos a um bloqueio por terra, mar e ar) seja pelo tratamento que dá aos seus cidadãos de cultura árabe (cidadãos de segunda, sob certas leis), Israel busca em eventos como a Eurovisão montras para revelar normalidade.

“Considero a Eurovisão em Israel um instrumento de soft power”, diz ao Expresso o cientista político Joseph S. Nye, pai do conceito. “Soft power é a capacidade de se conseguir o que se quer através da atração, em detrimento da coação ou do pagamento. Na medida em que o evento torna Israel mais atrativo aos olhos de outros, isso melhora o seu soft power.”

Em Telavive, os primeiros ensaios foram “saudados” por uma chuva de 700 rockets lançados de Gaza, que mataram quatro israelitas. A Jihad Islâmica disse que a intenção é “impedir que o inimigo consiga montar qualquer festival que vise prejudicar a narrativa palestiniana”. Em Gaza, Haidar Eid é presença ativa nos protestos contra o asfixiante cerco israelita. O Expresso pergunta-lhe se está desiludido por não haver boicotes ao festival. “Nem por isso. Há outras conquistas”, diz. Envia uma imagem divulgada pela organização Jewish Voice for Peace com “cinco razões por que a Eurovisão é um flop”: bilhetes por vender, hotéis por esgotar, eventos alternativos em todo o mundo, milhares de assinaturas  em petições e recorde de artistas cientes de que atuar em Israel é aprovar o apartheid.

(IMAGEM Logotipo de uma  campanha internacional de apelo ao boicote da Eurovisão em Israel BDS)

Artigo publicado no “Expresso”, a 11 de maio de 2019

Depois da corrida aos votos, a caça aos parceiros de coligação

As eleições em Israel não ditaram um vencedor claro, mas os dois principais candidatos não se fizeram rogados: Benny Gantz disse aos seus apoiantes que será primeiro-ministro. Já Benjamin Netanyahu fez saber que já está em contactos para formar uma coligação governamental

As sondagens previam uma disputa renhida entre o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Likud (direita), e a recém-formada aliança Kahol Lavan (centro), do general Benny Gantz. E a batalha nas urnas confirmou-o.

As primeiras sondagens à boca das urnas ditaram resultados contraditórios: duas deram a vitória à Kahol Lavan e uma terceira colocou-os empatados. Às primeiras horas da madrugada, as projeções comçariam a ser revistas no sentido de uma vitória do Likud. Essa indefinição não impediu Netanyahu nem Gantz, o líder da aliança de cantarem vitória.

“Sim, amigos, serei o primeiro-ministro de todos e não apenas daqueles que votaram em mim”, disse Gantz, triunfante, diante de apoiantes em festa.

Pouco depois, um porta-voz do Likud, anunciava que Netanyahu está “numa fase muito avançada para formar coligação”.

A engenharia da política

Num país como Israel que sempre teve governos de coligação, para além dos deputados próprios é importante a restante composição do Parlamento (Knesset). E neste capítulo, Netanyahu parece ter vantagem.

Independentemente de vir a ter menos deputados, poderá ter melhores condições para formar coligação. As projeções dizem que, além de Likud e Kahol Lavan, há mais nove partidos bem colocados para eleger parlamentares — e cinco são de direita.

Aos seus apoiantes, Gantz afirmou que conseguirá “formar uma ampla coligação que represente todo o Israel”. Até lá há que esperar pelos resultados finais e depois fazer contas.

Netanyahu dirigiu-se aos seus apoiantes já madrugada dentro. Referiu-se a “uma enorme conquista”. “Quando é que conseguimos tantos lugares? Nem me consigo lembrar.”

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 10 de abril de 2019. Pode ser consultado aqui

Religiosos ultraortodoxos, ultranacionalistas e a extrema-direita: as opções de Netanyahu para formar Governo

Maioria de direita no novo Parlamento de Israel vai permitir ao primeiro-ministro continuar no cargo. Netanyahu não precisa de convite do Presidente: já está a negociar a próxima coligação de governo

Benjamin Netanyahu predispôs-se a um feito histórico e alcançou-o: o atual primeiro-ministro de Israel vai ser reconduzido num quinto mandato, o quarto consecutivo. Após tomar posse, basta aguentar-se no cargo até meados de julho e ultrapassa David Ben-Gurion, fundador do Estado, como o israelita que chefiou o Governo durante mais tempo.

Em nome desse desígnio, Netanyahu correu em duas pistas nas eleições legislativas de terça-feira: enquanto líder do Likud, pugnando pela eleição do maior número possível de deputados, e enquanto membro da fação da direita no Parlamento (Knesset), na esperança que, conferidos os votos, esse bloco fosse maioritário.

Netanyahu ganhou em toda a linha. Com 97% dos votos escrutinados, o Likud segue na frente com 26,27%, seguido de muito perto pela aliança Kahol Lavan (Azul e Branco, de centro), com 25,94%. Entre as duas formações há cerca de 14 mil votos de diferença, num universo de 6,3 milhões de eleitores. No Knesset, ambas vão ter 35 deputados.

Mas o que verdadeiramente contribui para estender a passadeira vermelha a Netanyahu é a maioria alcançada pelo conjunto dos partidos de direita, que elegeram 65 deputados num total de 120.

Ao longo dos seus 70 anos de história, Israel nunca teve um governo de um partido só. A seguir a umas legislativas, negociar uma coligação é pois um procedimento político tão habitual como votar.

Os resultados de terça-feira ditaram que os parceiros naturais de Netanyahu na próxima coligação são cinco. À cabeça, os dois partidos religiosos ultraortodoxos (Shas e Judaísmo da Torah Unida), que conseguiram oito lugares cada — no conjunto, passam de 13 para 16 deputados. Por ironia, estes partidos estiveram envolvidos na crise política que levou à antecipação destas eleições em meio ano, quando bateram o pé a uma nova lei que pretendia estender o serviço militar aos homens ultraortodoxos, o que não acontece agora.

Com cinco deputados cada, Yisrael Beitenu e a União dos Partidos de Direita são outros apoios essenciais a Netanyahu. O primeiro — “Israel é o nosso lar” — é liderado pelo ultranacionalista Avigdor Lieberman, que foi ministro da Defesa de Netanyahu entre 2016 e 2018 e bateu com a porta em novembro passado após o primeiro-ministro ter optado por um cessar-fogo com o Hamas em vez de bombardeamentos à Faixa de Gaza, como Lieberman defendia.

Quanto à União dos Partidos de Direita, foi fundada em fevereiro passado e agrupa três partidos da direita e da extrema-direita. Entre eles está o polémico Poder Judeu, que se diz herdeiro ideológico do rabino radical Meir Kahane. O seu líder, Michael Ben-Ari, foi impedido pelo Supremo Tribunal de Israel de se candidatar nestas eleições.

A fechar o leque das hipóteses de coligação de Netanyahu surge o Kulanu, liderado pelo atual ministro das Finanças, Moshe Kahlon. Quando fundou o partido, em 2014, Kahlon definiu-o como “a direita sã”. Nestas eleições perdeu seis deputados, ficando-se pelos quatro.

Na bancada de centro-esquerda — a real oposição a Netanyahu —, além do Kahol Lavan (35 deputados), vão sentar-se duas coligações árabes: Hadash-Ta’al e Balad-Ra’am, a primeira com seis e a segunda com quatro parlamentares. Em 2015, os quatro partidos concorreram unidos e conseguiram 13 lugares — agora, separados, ficaram-se pelos 10. Na sociedade israelita, os árabes correspondem a 20% da população, mas no Parlamento a sua representatividade não vai agora além dos 8%.

Entre os derrotados destas eleições, o campeão foi o Partido Trabalhista. Outrora a fação dominante na política israelita, durante as primeiras décadas de vida do Estado, perdeu dois terços dos lugares que tinha, passando de 18 para seis. O outro partido de esquerda, o Meretz — membro da Internacional Socialista — também perdeu representatividade, passando de cinco para quatro deputados.

Apurados os votos, cabe ao Presidente de Israel, Reuven Rivlin, convidar a personalidade que considera ter melhores condições para formar governo. Benjamin Netanyahu adiantou-se ao convite e já anda em conversações.

Artigo publicado no “Expresso Online”, a 10 de abril de 2019. Pode ser consultado aqui

Os rostos e as sensibilidades de quem vai a votos em Israel

Quase 40 partidos disputam, esta terça-feira, os 120 lugares do Parlamento de Israel. Mas só 14 têm reais possibilidades de eleger deputados

Seis meses antes do previsto, Israel vota esta terça-feira para escolher um novo Parlamento (Knesset). A última sondagem prevê uma corrida apertada entre o Likud, o partido de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e o partido de centro-esquerda Kahol Lavan (Azul e Branco), atribuindo 28 deputados a cada.

Parece confirmar-se, pois, uma constante da política israelita desde a fundação do país, em 1948: nunca um partido conseguiu uma maioria suficiente — ou seja, 61 dos 120 assentos no Knesset — para governar sozinho. A formação de coligações é, pois, o exercício que se segue a qualquer eleição legislativa.

Segundo a sondagem do Channel 13, o conjunto dos partidos de direita terá votos suficientes para eleger 66 deputados, o que, a confirmar-se, lhe dará folga para formar um executivo sem concessões à esquerda.

Nestas eleições, participam 39 partidos — para eleger um deputado, há que ultrapassar a fasquia dos 3,25%. Mas apenas 14 têm reais possibilidades de conseguir representação parlamentar.

LIKUD

Liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, 69 anos, o Likud (Consolidação) é um partido histórico de Israel, aquele de onde saíram mais chefes de Governo. Defensor da privatização da economia, opõe-se a um Estado palestiniano e incentiva a construção de colonatos. Atualmente, tem 30 deputados (25% do Knesset).

À procura de um quarto mandato consecutivo, Netanyahu pode fazer história: se for reconduzido no cargo, a 17 de julho próximo cumprirá 13 anos e 128 dias em funções (não consecutivos), ultrapassando por um dia David Ben Gurion como o israelita que mais tempo ocupou o cargo de primeiro-ministro.

No sábado, Netanyahu sacou de um trunfo de última hora para tentar angariar votos e, assim, disparar nas intenções de voto. Numa entrevista ao Channel 12, afirmou: “Um Estado palestiniano colocará em perigo a nossa existência. Eu resisti a uma grande pressão nos últimos oito anos, nenhum outro primeiro-ministro resistiu a tal pressão. Temos de controlar o nosso destino”, disse. “Não dividirei Jerusalém, não evacuarei nenhuma comunidade [de colonos] e garantirei que controlaremos o território a ocidente do [rio] Jordão”, ou seja, o território palestiniano ocupado da Cisjordânia.

KAHOL LAVAN

Fundada a 21 de fevereiro passado, a aliança Kahol Lavan (Azul e Branco, como as cores da bandeira de Israel) tem dado luta ao veterano Likud nas sondagens.

A coligação reúne três fações: o Partido Resiliência de Israel, o Yesh Atid (Há um Futuro, que tem 11 deputados) e o Telem (do ex-ministro da Defesa Moshe Ya’alon).

A liderança é repartida entre o general Benjamin Gantz, de 59 anos, chefe do Estado-Maior entre 2011 e 2015, e o jornalista e ex-ministro das Finanças Yair Lapid (2013-2014), de 55 anos. Por acordo entre ambos, em caso de vitória, Gantz será primeiro-ministro nos primeiros dois anos e Lapid na segunda metade do mandato.

A aliança define-se como uma formação pluralista e representativa de todos os cidadãos de Israel, independentemente de ideologias políticas, crenças religiosas e identidades étnicas.

Entre as propostas do Kahol Lavan estão a introdução de limites aos mandatos de primeiro-ministro, a proibição de políticos acusados na justiça servirem no Parlamento, a alteração à polémica lei do Estado-Nação — que concede o direito de autodeterminação apenas aos judeus — para incluir as minorias e também o relançamento das negociações de paz com os palestinianos.

PARTIDO TRABALHISTA

Dominou a política israelita durante as primeiras décadas de vida do Estado de Israel e é hoje, juntamente com o Likud, o único partido em atividade que já liderou vários governos. Mas nas últimas eleições não foi além dos 18 deputados.

É liderado por Avi Gabbay, de 52 anos, que debutou na política apenas em 2014 após ter sido CEO (presidente executivo) da empresa de telecomunicações Bezeq de 2007 a 2013. Foi ministro de Netanyahu entre 2015 e 2016, com a pasta da Proteção Ambiental.

Os trabalhistas vão a votos com um programa que consagra a intenção de sarar feridas étnicas que excluíram alguns sectores da sociedade e de investir economicamente nas comunidades árabes. Talvez não seja suficiente: a última sondagem atribui-lhe uma perda de sete deputados.

KULANU

“Todos nós” foi fundado em finais de 2014, pelo atual ministro das Finanças, Moshe Kahlon (ex-Likud) que definiu o projeto como “a direita sã”.

Nas legislativas do ano seguinte, o partido conquistou 10 deputados. Hoje, a última sondagem diz que pode ficar com menos de metade.

O partido tem como prioridade as questões económicas, em especial a erradicação da pobreza e o combate à desigualdade. Apoia a solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano.

BALAD-RA’AM E HADASH-TA’AL

Em Israel, cerca de 20% da população é de cultura árabe, com direito à cidadania israelita. Em sua representação, há quatro partidos árabes no Knesset: Hadash, Ra’am, Balad e Ta’al. Para os judeus mais fervorosos, primeiro-ministro incluído, são uma ameaça à existência de Israel.

Em 2015, concorreram juntos, na Lista Unida, e elegeram 13 parlamentares. Quatro anos depois, essa unidade deu mostras de ser, circunstancialmente, uma necessidade política que se desmoronou obrigando o eleitorado israelita árabe, nestas eleições, a optar entre dois blocos: o Balad-Ra’am e o Hadash-Ta’al. O que os separa?

A aliança Hadash-Ta’al é vista como uma formação que, de alguma forma, procura participar no sistema. Os seus principais rostos são Ahmad Tibi — líder do Ta’al (secular) e antigo conselheiro do líder histórico palestiniano, Yasser Arafat — e Ayman Odeh, líder do Hadash (comunista).

Inversamente, a coligação Balad-Ra’am é considerada uma frente empenhada em rejeitar e que nega a legitimidade de Israel. O Balad é um partido nacionalista pan-árabe radical. Já Ra’am é o acrónico hebraico de Lista Árabe Unida (islamita).

A sondagem do Channel 13 diz que o Hadash-Ta’al pode aumentar de cinco para seis deputados e o Balad-Ra’am pode cair de oito para quatro. Se, há quatro anos, a união fez a força, a dispersão pode levar a uma alta abstenção entre a minoria árabe.

SHAS E JUDAISMO DA TORAH UNIDA

Na origem da antecipação destas eleições, esteve um braço de ferro entre o Governo de Netanyahu e os judeus ultraortodoxos, que se estima correspondam a cerca de 10% da população. Os haredi pautam a sua vida pelo cumprimento rigoroso dos preceitos religiosos e sempre rejeitaram cumprir o serviço militar, exceção que desagrada à restante população.

Um recente diploma legislativo prevendo a extensão do serviço militar aos homens ultraortodoxos desencadeou uma crise no seio da coligação parlamentar que apoia o Governo levando à antecipação das eleições.

No Knesset. há duas bancadas que refletem a sensibilidade haredi: o Shas e o Judaismo da Torah Unida.

Com sete deputados, o Shas é liderado por Ariye Deri, o atual ministro do Interior e dos Assuntos Religiosos. A sua base eleitoral é composta sobretudo por judeus ultra-ortodoxos com ascendência no Médio Oriente ou na Península Ibérica (sefarditas).

Por seu lado, o Judaismo da Torah Unida tem seis deputados, entre os quais Yakov Litzman, o atual ministro da Saúde. Representa em especial a sensibilidade asquenaze — judeus oriundos da Europa Central e Oriental.

Segundo a última sondagem, o Shas deverá perder dois deputados e o Judaismo da Torah Unida manter os seis.

YISRAEL BEITENU

“Israel é o nosso lar” é um partido ultranacionalista liderado por Avigdor Lieberman, ministro da Defesa de Netanyahu entre 2016 e 2018. Lieberman bateu com a porta em novembro passado após o primeiro-ministro ter optado por assinar um cessar-fogo com o grupo islamita Hamas em vez de bombardear a Faixa de Gaza, como o seu ministro defendia.

Apologista de uma linha dura com os palestinianos, Lieberman é um protagonista na primeira pessoa da ocupação israelita da Palestina já que vive, com a mulher e três filhos, no colonato de Nokdim, a sul de Belém (Cisjordânia).

As sondagens dizem que Yisrael Beitenu pode perder um dos seus cinco deputados.

MERETZ

Membro da Internacional Socialista, o Meretz defende a retirada israelita dos territórios palestinianos ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967) e o estabelecimento de um Estado palestiniano com Jerusalém como capital partilhada pelos dois povos.

A degradação do processo de paz e o reforço dos partidos de direita em Israel contribuíram para o desgaste do Meretz que, nos anos 1990, chegou a ter 12 deputados. As projeções dizem que conservará os cinco deputados que tem agora.

É liderado por uma mulher, Tamar Zandberg, de 42 anos. Vai a votos com um programa assente na redução do custo de vida dos israelitas, numa reforma tributária e no combate à corrupção.

UNIÃO DE PARTIDOS DE DIREITA

Fundada em fevereiro passado, agrupa três partidos de direita e extrema-direita: Lar Judaico (religioso, ortodoxo e sionista), União Nacional (que é em si uma aliança de quatro partidos) e o polémico Poder Judeu (Otza Yehudit).

A inclusão deste último tem colocado a União de Partidos de Direita sob fogo já que o Poder Judeu reclama-se herdeiro ideológico do controverso rabino Meir Kahane. Nascido em Nova Iorque em 1932, foi um supremacista judeu que fundou a Liga de Defesa Judaica nos EUA e o radical Kach em Israel. Foi assassinado em 1990, na cidade onde nasceu.

Michael Ben Ari, o líder do Poder Judeu de 55 anos, foi impedido pelo Supremo Tribunal de Israel de se candidatar a um lugar no Knesset em virtude das suas opiniões racistas. Ainda assim, a sondagem do Channel 13 atribui à União um aumento de deputados dos cinco (eleitos pelo Lar Judaico) para sete.

A NOVA DIREITA

É mais uma formação política que tenta tirar partido do desgaste do partido no poder (Likud). A sondagem prevê que duplique a sua representação no Knesset, de três para seis deputados.

Foi lançada em dezembro passado por dois membros do Governo de Netanyahu, até então militantes do Lar Judaico: o ministro da Educação, Naftali Bennett, de 47 anos, e a titular da Justiça, Ayelet Shaked, de 42 anos.

Bennett quer limitar os poderes do Supremo Tribunal sobre os soldados israelitas para que não se sintam constrangidos durante as operações militares. Já Shaked é uma acérrima defensora da maioria judaica de Israel mesmo que à custa dos direitos humanos das populações árabes.

A Nova Direita opõe-se à criação de uma Palestina independente e advoga anexação das áreas dos colonatos na Cisjordânia.

GESHER

Orly Levy-Abekasis é uma antiga manequim e apresentadora de televisão que, em 2015, conseguiu um lugar no Knesset, como independente, prometendo defender os mais desfavorecidos.

Aos 45 anos, casada, com quatro filhos e a viver num kibbutz no norte de Israel, tenta renovar o mandato de deputada, desta vez nas fileiras de um partido que o pai — o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros David Levy — chegou a liderar: o Gesher (centro-direita), que derivou do Likud.

Orly Levy-Abekasis diz querer romper com a tradicional divisão entre direita e esquerda. Mas nas sondagens surge com vida difícil, aquém dos 3,25% necessários para entrar no Knesset.

ZEHUT

O “Identidade” não tem qualquer deputado no Knesset, mas pode vir a ser um dos vencedores destas eleições: as sondagens dão-lhe seis deputados. Foi fundado em 2015, por Moshe Feiglin, de 56 anos, um antigo vice-presidente do Parlamento.

O Zehut é um partido sionista e libertário que, no seu manifesto, propõe a legalização da canábis, condição “sine qua non” para entrar numa coligação governamental.

Apologista da solução de um Estado único para o conflito israelo-palestiniano, defende a anexação da Cisjordânia, com o mesmo vigor com que, no passado, se opôs aos Acordos de Oslo de 1993 e tentou boicotá-los. A 8 de agosto de 1995, chefiou uma espetacular ação não-violenta de desobediência civil que bloqueou 80 cruzamentos por todo o país. Foi condenado pelo Supremo Tribunal a seis meses de prisão por sedição — sentença depois comutada para serviço comunitário. Esta terça-feira, poderá ser a grande surpresa do novo xadrez político em Israel.

(FOTO Boletins de voto dos partidos israelitas que participaram nas eleições de 9 de abril de 2019 LALIV G/WIKIMEDIA COMMONS)

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Artigo publicado no “Expresso Online”, a 9 de abril de 2019. Pode ser consultado aqui